Brasil precisará de R$ 2,03 trilhões para superar gargalos da infraestrutura de transporte, estima CNT

O Brasil precisará investir R$ 2,03 trilhões para superar os gargalos de estrutura de transporte e logística. A estimativa faz parte do Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que reúne 2.837 projetos considerados prioritários para ampliar a competitividade da economia e reduzir os custos logísticos do país. 

A análise integra o documento “O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País”, que foi lançado nesta quarta-feira (29) e será entregue aos candidatos à Presidência da República durante o Fórum CNT de Debates, em agosto. A agenda reúne propostas voltadas à infraestrutura, ao ambiente regulatório, à segurança pública, à descarbonização e ao fortalecimento do setor de transporte. 

De acordo com a entidade, a carteira de investimentos contará com 2.509 projetos de Integração Nacional e 328 de mobilidade urbana . O levantamento foi desenvolvido a partir da atualização dos projetos da edição anterior do plano, da incorporação de demandas apresentadas pelas entidades filiadas à CNT e da análise de programas como o Novo PAC, o Plano Nacional de Logística (PNL 2035) e os planos setoriais para os diferentes modos de transporte. 

Segundo a CNT, o volume de recursos necessário evidencia o déficit histórico de investimentos em infraestrutura acumulado ao longo das últimas décadas. A entidade defende que a expansão da malha de transporte deve priorizar a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, tornando a logística mais eficiente, sustentável e competitiva. 

Propostas

Entre as principais propostas apresentadas no documento pela CNT está a consolidação dos programas e das políticas de infraestrutura, transporte e logística como políticas de Estado, garantindo continuidade entre diferentes governos.

A agenda também prevê a recomposição do orçamento público para obras de transporte, a aprovação da PEC da Infraestrutura, o uso integral dos recursos da Cide-Combustíveis em investimentos no setor e o fortalecimento do mercado de capitais, das concessões e das parcerias público-privadas como fontes de financiamento.

No campo regulatório, a CNT defende maior segurança jurídica, aperfeiçoamento dos marcos regulatórios e ampliação da participação do setor transportador na formulação de políticas públicas. O documento também reúne propostas para endurecer o combate ao roubo de cargas, incentivar a transição energética, renovar a frota nacional e ampliar a qualificação profissional por meio do SEST SENAT.

“O transporte é um vetor estratégico para o desenvolvimento de uma nação e deve ocupar posição central na agenda de Estado brasileira. É urgente que o Brasil priorize, de forma contínua e coordenada, o planejamento de longo prazo e a execução de políticas públicas voltadas à modernização, à redução da insegurança jurídica e à integração do sistema de transporte”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa. 

Segundo a CNT, a superação do déficit de infraestrutura dependerá da combinação entre planejamento de longo prazo, estabilidade regulatória e ampliação da participação da iniciativa privada, com investimentos capazes de acelerar obras estratégicas e aumentar a competitividade da economia brasileira. 

 

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Ana Júlia Silva

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