Selic cai para 14,25% nesta Super Quarta e Copom reforça cautela

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cumpriu as expectativas do mercado e reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano em mais uma Super Quarta (17), repetindo o corte de 0,25 ponto percentual da reunião anterior, em abril.

Embora a decisão estivesse amplamente precificada, a mensagem transmitida pelo BC foi de prudência: os próximos movimentos dependerão do comportamento da inflação e da evolução do quadro econômico.

Para o economista-chefe da Pequod Investimentos, Diogo Almeida, o BC manteve a estratégia de promover um ajuste gradual dos juros, mas deixou claro que o ciclo de afrouxamento monetário pode perder força nos próximos meses.

“O Copom confirmou as expectativas dos analistas, mas o comunicado preserva um tom cauteloso. A continuidade da queda da Selic está condicionada à evolução da inflação, da atividade econômica e do panorama internacional, o que aumenta a probabilidade de uma interrupção do ciclo no segundo semestre”, afirma.

Fatores

Entre os fatores que contribuíram para a decisão desta quarta-feira está a recente acomodação das cotações internacionais do barril de petróleo, decorrente do acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã – movimento que reduziu parte das pressões sobre os preços no mercado interno.

Ainda assim, Diogo pondera que a commodity permanece negociada acima dos níveis observados antes da escalada das tensões no Oriente Médio e segue como vetor de risco para a inflação mundial.

Essa conjuntura se soma a outros motivos de preocupação para a autoridade monetária brasileira.

Diogo Almeida, da Pequod Investimentos

“Mesmo com algum alívio vindo do cenário internacional de energia, as projeções de inflação continuam elevadas. A isso se somam um mercado de trabalho resiliente, medidas de estímulo ao consumo e a instabilidade do contexto internacional, fatores que reduzem a possibilidade de uma aceleração na queda dos juros”, explica.

Nos EUA, Fed também reforça cautela

O anúncio do Copom ocorreu poucas horas depois de o Federal Reserve manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 3,50% e 3,75%, em sua primeira decisão sob a presidência de Kevin Warsh. Na avaliação de Diogo Almeida, a postura da autoridade monetária norte-americana também influencia o ritmo da política monetária brasileira.

“Com a inflação resistente nos EUA e sinais de reaquecimento do mercado de trabalho, dificilmente o Fed iniciará um novo ciclo de cortes em 2026, o que reduz a margem de manobra dos bancos centrais de países emergentes, como o Brasil, para preservar a estabilidade cambial”, observa.

Investimentos

Em relação aos investimentos, o economista avalia que, em um ambiente como o atual, a combinação de juros ainda elevados e incertezas continua favorecendo uma alocação equilibrada entre diferentes classes de ativos.

Para o especialista, “a renda fixa permanece oferecendo uma remuneração atrativa”, mas períodos de maior volatilidade também costumam abrir oportunidades em outros segmentos. “O mais importante é que a carteira esteja compatível com o perfil de risco e os objetivos de longo prazo de cada investidor”, reforça o economista.

 

*Redação RNE com Assessoria de Imprensa

 

 

 

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