Por Paulo Galvão Júnior (*) & Marcos Formiga (**)
O analfabetismo permanece como uma das mais graves, persistentes e estruturais expressões da desigualdade social no Brasil. Em pleno século XXI, quando o mundo avança aceleradamente em direção à economia do conhecimento, uma parcela expressiva da população nordestina ainda enfrenta a forma mais elementar de exclusão social, devido à impossibilidade de ler e escrever na língua portuguesa.
Sob a perspectiva da economia da educação, a alfabetização constitui o nível mínimo de formação do chamado capital humano (Schultz, 1973; Becker, 1975), condição essencial para a produtividade do trabalho, a absorção tecnológica e o crescimento econômico sustentado. A sua ausência, portanto, não representa apenas uma limitação individual, mas um entrave estrutural ao desenvolvimento do país.
O dado mais contundente desse drama é que as nove maiores taxas de analfabetismo do Brasil concentram-se exclusivamente nos nove estados do Nordeste, evidenciando um problema regional, histórico e profundamente enraizado.
Não se trata de um fenômeno conjuntural ou transitório, mas de uma herança secular que atravessa gerações, reproduz desigualdades e compromete o desenvolvimento da região, conforme já apontava o economista paraibano Celso Furtado (2007) ao analisar o subdesenvolvimento nordestino como fenômeno histórico-estrutural.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil contabiliza 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade que não sabem ler nem escrever. De acordo com o IBGE, na “Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025”, a taxa de analfabetismo da população nessa faixa etária era de 5,3% em 2024.
O mundo abriga 739 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever. Nesse contexto, o Brasil ocupa a oitava posição mundial em contingente absoluto de pessoas analfabetas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Esse posicionamento evidencia que, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, o analfabetismo permanece como um desafio estrutural relevante, sobretudo em países de grande população, exigindo políticas públicas contínuas e focalizadas para sua superação em pleno século XXI.
Estamos muito longe de alcançar a Meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece o objetivo de erradicar o analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade no Brasil.
Uma nação de dimensão continental, populosa e com aspirações de economia avançada como o Brasil não pode naturalizar a persistência de 5,1 milhões de pessoas analfabetas concentradas na região Nordeste, que reúne os estados com as mais elevadas taxas de analfabetismo do país:
| Tabela 1: As maiores taxas de analfabetismo do Brasil (2˚ Trimestre de 2024) | ||
| Posição
Nacional |
Estado | Taxa de analfabetismo (%) |
| 1º | Alagoas | 14,2 |
| 2º | Piauí | 13,8 |
| 3º | Paraíba | 12,7 |
| 4º | Ceará | 11,8 |
| 5º | Maranhão | 11,2 |
| 6º | Sergipe | 10,8 |
| 7º | Rio Grande do Norte | 10,5 |
| 8º | Pernambuco | 10,1 |
| 9º | Bahia | 9,9 |
| Fonte: IBGE. | ||
A taxa média de analfabetismo do Nordeste é de 11,7%, mais que o dobro da média nacional (5,3%), evidenciando a profundidade do atraso educacional regional, de acordo com o IBGE. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) demonstram que esse atraso está fortemente associado à baixa renda per capita, à elevada informalidade do mercado de trabalho e à reduzida mobilidade social intergeracional (Ferreira; Veloso, 2003).
Alagoas, com a maior taxa de analfabetismo do país, simboliza de forma emblemática a permanência de um modelo histórico de exclusão educacional. O índice de 14,2% no segundo trimestre de 2024 reflete décadas de insuficiência de políticas públicas estruturantes e a reprodução intergeracional da pobreza, fenômeno analisado por Freire (1987) como expressão de uma exclusão educacional que transcende a escola e se manifesta nas estruturas sociais.
No Piauí, a taxa de 13,8% resulta da combinação entre baixa renda, elevada informalidade e dificuldades históricas de acesso e permanência na escola pública. O analfabetismo elevado restringe a mobilidade social e limita significativamente o potencial produtivo do estado, conforme evidencia o estudo sobre desigualdades regionais (Araújo; Santos, 2007).
A Paraíba, com 12,7%, ainda convive com um passivo educacional relevante. Apesar de avanços recentes na educação básica, o estoque histórico de analfabetos adultos e idosos mantém o indicador em patamar crítico, reforçando a importância das políticas públicas de educação escolar de jovens e adultos no Brasil (Haddad; Di Pierro, 2014).
Sobre o analfabetismo na Paraíba, é fundamental revelar que, de acordo com dados do IBGE, a taxa de analfabetismo da população adulta com 15 anos ou mais de idade alcançava 21,9% em 2010. Os números tornam-se ainda mais alarmantes quando se observa o contingente de analfabetos funcionais, que representava 33,4% da população no ano de 2010, evidenciando severas limitações na capacidade de leitura, escrita e compreensão de textos básicos, mesmo entre aqueles que já frequentaram a escola.
A situação é particularmente grave entre os idosos, com 47,9% das pessoas com 60 anos ou mais eram analfabetas no ano de 2010, revelando um passivo educacional histórico que continua a produzir efeitos sociais, econômicos e humanos profundos.
Nossa maior preocupação, enquanto membros da sociedade paraibana, reside no fato de que, apesar da redução da taxa de analfabetismo de 21,9% para 12,7% ao longo dos últimos 14 anos, esse avanço ainda se mostra insuficiente para reverter as vidas historicamente privadas de oportunidades. O analfabetismo continua produzindo impactos diretos e profundos sobre a renda, a saúde, o exercício da cidadania, a produtividade e, consequentemente, sobre o desenvolvimento do estado. Assim, a erradicação do analfabetismo deve ser tratada como uma prioridade, de caráter transversal, articulando de forma integrada as políticas de educação, inclusão social e desenvolvimento da nossa querida Paraíba.
O estado do Ceará tem a quarta maior taxa de analfabetismo do Brasil e do Nordeste, cuja taxa atinge 11,8%, ilustra um paradoxo relevante. Mesmo sendo referência nacional em políticas educacionais contemporâneas, o estado nordestino ainda carrega o peso de uma herança histórica que mantém elevado o contingente de pessoas que não sabem ler nem escrever, sobretudo nas áreas rurais.
No Maranhão, a taxa de 11,2% expressa de forma clara à estreita relação entre exclusão educacional e baixa renda per capita. A dispersão territorial e as profundas desigualdades regionais internas dificultam a universalização efetiva da alfabetização, reforçando o padrão de subdesenvolvimento descrito por Furtado (2007).
Sergipe, com 10,8%, demonstra que o analfabetismo elevado não é exclusividade de estados territorialmente extensos. Mesmo em um território pequeno, persistem desigualdades educacionais significativas entre áreas urbanas e rurais.
O Rio Grande do Norte, com 10,5%, apresenta contrastes marcantes entre a região metropolitana de Natal e o interior potiguar. O analfabetismo fora da Grande Natal evidencia falhas históricas na interiorização das políticas educacionais.
Em Pernambuco, a taxa de 10,1% revela o contraste entre avanços urbanos e atraso persistente no semiárido. O crescimento econômico regional, por si só, mostrou-se insuficiente para erradicar o analfabetismo sem políticas educacionais contínuas, focalizadas e de longo prazo.
Por fim, a Bahia, embora apresente a menor taxa de analfabetismo do Nordeste (9,9%), ainda ocupa a nona posição no cenário nacional. Os dados do IBGE confirmam que, mesmo nos estados relativamente melhor posicionados da região, o analfabetismo permanece incompatível com as exigências de uma economia moderna e intensiva em conhecimento.
O elevado analfabetismo no Nordeste representa um custo econômico silencioso, que impacta diretamente a produtividade do trabalho, a renda, a formalização do emprego e a capacidade de inovação. A literatura internacional demonstra que níveis mínimos de alfabetização é condição necessária para o crescimento econômico sustentado (Schultz, 1973; Becker, 1975).
Os economistas americanos Theodore W. Schultz e Gary S. Becker foram laureados com o Prêmio Nobel de Economia nos anos de 1979 e 1992, respectivamente, em reconhecimento às suas contribuições pioneiras para a análise do capital humano e da aplicação da teoria econômica a dimensões mais amplas do comportamento humano.
No Nordeste, a persistência do analfabetismo contribui para a reprodução da informalidade, da dependência de transferências públicas e da baixa capacidade de atração de investimentos privados nacionais e internacionais. Trata-se, portanto, de um entrave econômico e não apenas social.
Sob a ótica de Freire (1989), o analfabetismo também limita a cidadania plena, reduzindo a capacidade de participação política e de inserção social, aprofundando o ciclo de exclusão e pobreza.
Segundo o educador e pedagogo pernambucano Paulo Freire, na obra Pedagogia do Oprimido, “Quanto mais as massas populares desvelam a realidade objetiva e desafiadora sobre a qual elas devem incidir sua ação transformadora, tanto mais se “inserem nela criticamente” (FREIRE, 1987, p. 26). À luz do pensamento freireano, a erradicação do analfabetismo no Nordeste, um fenômeno histórico e estrutural, exige não apenas políticas compensatórias, mas uma inserção crítica e transformadora dos sujeitos envolvidos no processo educativo. Trata-se de promover uma ação pedagógica comprometida com a conscientização, a emancipação social e a superação das desigualdades historicamente produzidas, articulando educação e cidadania.
Esse quadro preocupante revela profundas desigualdades sociais e regionais e evidencia a urgência de políticas públicas voltadas à educação básica, à alfabetização de jovens, adultos e idosos e à redução das assimetrias sociais históricas na região Nordeste.
Acredita-se que os 5,1 milhões de nordestinos analfabetos estejam majoritariamente inseridos nas classes econômicas E (renda mensal de até R$ 1.580) e D (entre R$ 1.581 e R$ 2.525), de acordo com o IBGE, uma vez que o analfabetismo apresenta forte correlação com baixa renda, pobreza e exclusão social histórica.
Esses estratos populacionais enfrentam restrições severas de acesso à educação básica de qualidade, evasão escolar precoce motivada pela necessidade de inserção antecipada no mercado de trabalho, além de limitações territoriais, como a oferta insuficiente de escolas e de políticas educacionais continuadas, sobretudo em áreas rurais e periféricas dos nove estados nordestinos.
É imprescindível analisar criticamente os métodos de alfabetização adotados no Brasil, especialmente na região Nordeste, a fim de identificar as causas estruturais da persistente dificuldade na alfabetização infantil. Apesar dos avanços nas políticas públicas educacionais, os indicadores revelam que parte significativa das crianças não atinge níveis adequados de leitura e escrita nos primeiros anos do ensino fundamental, o que compromete toda a trajetória escolar.
Além do analfabetismo formal, é necessário considerar outras formas de analfabetismo que impactam diretamente o desenvolvimento da população nordestina, como o analfabetismo funcional, o analfabetismo digital e o analfabetismo numérico.
O analfabetismo funcional caracteriza-se pela capacidade limitada de leitura e escrita, insuficiente para compreender textos simples, interpretar informações cotidianas ou realizar tarefas básicas que envolvam linguagem escrita. No Brasil, cerca de um terço da população apresenta algum grau de analfabetismo funcional, o que evidencia fragilidades estruturais no processo educacional.
O analfabetismo digital refere-se à incapacidade de utilizar adequadamente tecnologias digitais, como computadores, smartphones. notebooks e plataformas online. Em um contexto de transformação tecnológica acelerada, essa limitação reduz a empregabilidade, restringe o acesso à informação e amplia desigualdades sociais, especialmente em regiões historicamente vulneráveis como o Nordeste.
O analfabetismo numérico manifesta-se na dificuldade de raciocínio lógico e na incapacidade de realizar operações matemáticas básicas. Inclui problemas na compreensão de conceitos elementares como porcentagem, proporcionalidade, regra de três simples, medidas de área e volume, além da interpretação de figuras geométricas (retângulo, quadrado, círculo) e noções espaciais como altura, largura e comprimento.
Essas limitações educacionais têm reflexos diretos no mercado de trabalho. Profissionais que atuam em serviços domésticos e de manutenção, como pintura, instalações elétricas, saneamento e limpeza, frequentemente enfrentam dificuldades para calcular corretamente a quantidade de material necessária para executar suas tarefas.
A ausência de domínio sobre cálculos simples de área, proporção e medidas lineares resulta em desperdício de materiais, aumento de custos e redução da eficiência produtiva. Esse cenário evidencia que o problema da alfabetização não se restringe à leitura e à escrita, mas envolve competências cognitivas mais amplas, essenciais para o exercício pleno da cidadania.
No Nordeste, fatores históricos e socioeconômicos, como desigualdade de renda, infraestrutura escolar insuficiente, formação docente deficitária e descontinuidade de políticas públicas, contribuem para a perpetuação dessas dificuldades.
A superação desse quadro exige em primeiro lugar, investimento consistente na formação continuada de professores; adoção de métodos de alfabetização baseados em evidências científicas; integração entre letramento linguístico, matemático e digital desde os anos iniciais; avaliações para identificação de defasagens; e políticas públicas sustentáveis e de longo prazo.
O enfrentamento do analfabetismo no Nordeste, seja ele formal, funcional, digital ou numérico, demanda uma abordagem sistêmica e articulada. Não se trata apenas de ensinar a decodificar palavras, mas de formar indivíduos capazes de interpretar, calcular, compreender tecnologias e aplicar conhecimentos em situações práticas. Somente por meio de uma alfabetização integral será possível reduzir desigualdades históricas e promover desenvolvimento na região com o maior número de estados brasileiros e com mais extenso litoral do país.
Erradicar o analfabetismo no Nordeste, em pleno século XXI, é uma agenda social, é uma estratégia econômica de longo prazo, essencial para reduzir desigualdades e ampliar o potencial de crescimento econômico.
Sem um planejamento estruturado, permanente e contínuo de alfabetização de crianças, jovens, adultos e idosos, o Nordeste continuará convivendo com dois ritmos de desenvolvimento. Um plenamente inserido na economia do conhecimento e outro ainda limitado por exclusões sociais.
Conforme demonstra a teoria do capital humano e a própria experiência internacional, a exemplo do Canadá, a educação básica não deve ser compreendida como mero gasto público, mas como um investimento estruturante no desenvolvimento do país. O Canadá é o país com o maior percentual da população com ensino superior, com 52,6% da população de 25 a 64 anos de idade, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Nesse sentido, a erradicação do analfabetismo no Nordeste precisa ocupar posição central e prioritária nos planos de governo dos futuros candidatos aos cargos de governador, como condição indispensável para a redução das desigualdades sociais e regionais, o aumento da produtividade do trabalho e a construção de um projeto nacional de longo prazo.
Neste artigo, defendemos a responsabilidade coletiva na construção de uma solução concreta, estruturante e definitiva para a erradicação do analfabetismo no Nordeste. A região dispõe, atualmente, de meios financeiros, capital humano qualificado e recursos tecnológicos suficientes para implementar políticas públicas eficazes.
O principal entrave não reside na escassez de recursos, mas na ausência de coesão social e coordenação institucional entre a sociedade nordestina e os diferentes níveis de governo (União, estados e municípios). A superação do analfabetismo exige governança integrada, planejamento estratégico de longo prazo, monitoramento de resultados e compromisso intersetorial.
Em pleno contexto da Quarta Revolução Industrial, marcada pela transformação digital, pela automação e pela centralidade do conhecimento, a persistência do analfabetismo representa um déficit educacional, um obstáculo estrutural ao desenvolvimento, à inclusão produtiva e ao exercício pleno da cidadania.
Portanto, erradicar o analfabetismo no Nordeste não é apenas uma meta educacional, mas, sim, trata-se de um imperativo civilizatório, social e econômico que requer convergência política, mobilização social e ação coordenada imediata dos próprios nordestinos.
Referências
ARAÚJO, Tânia Bacelar de; SANTOS, Valdeci Monteiro dos. Desigualdades regionais e Nordeste em Formação Econômica do Brasil. 2007. Disponível em: https://books.scielo.org/id/s5gx2/pdf/sousa-9786586221695-22.pdf. Acesso em: 15 fev. 2026.
BECKER, Gary S. Capital humano: um estudo teórico e empírico, com especial referência à educação. São Paulo: Editora Atlas, 1975.
FERREIRA, Sergio Guimarães.; VELOSO, Fernando A. Mobilidade intergeracional de educação no Brasil. Pesquisa e Planejamento Econômico (PPE), v. 33, n. 3, dez. 2003. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/ec50aaec-8e75-4265-9117-865c7e7831fb/content. Acesso em: 15 fev. 2026.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23ª. ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.
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SCHULTZ, Theodore W. O capital humano: investimentos em educação e pesquisa. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
UNESCO. O que você precisa saber sobre alfabetização. Disponível em: https://www.unesco.org/en/literacy?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 15 fev. 2026.

