Após experiência na Bahia, Brasil avança para ampliar uso de SAF na aviação

O Brasil inicia 2026 com planos para aumentar o uso do combustível sustentável de aviação (SAF) em aeroportos em todo o país, após a operação pioneira no Aeroporto Internacional de Salvador (BA). 

A experiência, que teve início em novembro de 2025, comprovou a viabilidade logística e técnica do abastecimento regular de voos comerciais com o biocombustível e abriu caminho para que o projeto-piloto seja expandido para a malha aérea nacional, sob coordenação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

Expansão do SAF

Com a viabilidade técnica já comprovada, a expansão do uso do SAF passa a depender da ampliação da produção nacional e da consolidação de um ambiente regulatório estável. Para viabilizar esse avanço, o governo federal estruturou linhas de financiamento específicas e um marco legal próprio.

Um dos principais pilares dessa expansão é o programa de financiamento firmado em dezembro de 2025 entre o Ministério de Portos e Aeroportos e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Com recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac), foram abertas linhas de crédito com taxas competitivas voltadas exclusivamente ao desenvolvimento e à produção de SAF. 

A expectativa é que o crédito viabilize a entrada em operação de novas refinarias e plantas de biorrefino, o que irá ampliar a oferta do combustível sustentável e reduzir os custos para as companhias aéreas, condição essencial para a adoção em larga escala.

Outro fator decisivo é a segurança jurídica proporcionada pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que instituiu o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV). 

A legislação estabelece metas obrigatórias de redução das emissões de gases de efeito estufa por meio do uso de SAF, a partir de 2027, com percentuais progressivos que chegam a 10% em 2037. Sendo assim, 2026  foi considerado pelo governo, um ano de preparação da indústria para o cumprimento das exigências regulatórias.

Salvador experiência de sucesso

A operação na capital baiana demonstrou, na prática, que a infraestrutura aeroportuária brasileira está preparada para receber o biocombustível. Viabilizada por uma parceria entre o governo da Bahia e a Vibra Energia, a iniciativa comprovou que o SAF pode ser incorporado às operações regulares sem necessidade de grandes adaptações nas aeronaves ou nos sistemas de abastecimento. 

Segundo a Petrobras, o combustível utilizado emite até 87% menos gases de efeito estufa em comparação ao querosene de aviação convencional.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o conjunto de medidas consolida uma mudança estrutural no setor aéreo. 

“A descarbonização da aviação deixou de ser uma promessa e se tornou uma realidade. Ao validarmos a operação comercial com SAF e criarmos instrumentos de financiamento e regulação, avançamos na redução das emissões e estimulamos a geração de empregos verdes na cadeia de biocombustíveis”, afirmou.

Na avaliação do secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, a experiência de Salvador foi determinante para dar previsibilidade ao mercado. “O voo abastecido com SAF na Bahia não foi apenas um evento isolado, foi um vislumbre do futuro que estamos construindo. Provamos que a logística funciona. Agora, com o financiamento do Fnac e as metas claras do ProBioQAV, damos às empresas a segurança necessária para investir”, destacou.

O SAF utilizado na operação pioneira possui rastreabilidade total e certificação internacional ISCC Corsia. Produzido a partir de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, o combustível é processado em conjunto com o querosene mineral, atendendo aos padrões de segurança da aviação civil.

*Com informações do MPOR 
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Ana Júlia Silva

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