Por Walter Santos
O reconhecido pesquisador de cenários políticos e econômicos Maurício Garcia tem dezenas de anos acompanhando os processos eleitorais no Nordeste e com seu conhecimento do caso diante da conjuntura projeta os 9 estados como decisivos para o futuro do País. Leia a seguir com Exclusividade:
Revista NORDESTE – Os fatos socioeconômicos e de interferência digital na sociedade brasileira, apontam os 9 estados como ambientes de referência decisiva na disputa sucessória em 2026. Qual sua avaliação e expectativa para o próximo ano levando em conta as interferências partidárias?
Pesquisador Maurício Garcia – Não há dúvidas da importância do Nordeste nas próximas eleições de 2026. Foi o Nordeste que deu a vitória ao PT nas últimas eleições, desde 2006. Em 2022, mesmo o PT perdendo nacionalmente, sem a força do partido na região, Bolsonaro teria ganho no primeiro turno, evitando um segundo turno entre Haddad e o candidato do então PSL.
Vale ressaltar que sem o Nordeste, em 2014, Aécio venceria a eleição de Lula e em 2018 Bolsonaro venceria Haddad já no primeiro turno, e, em 2022, Bolsonaro seria reeleito. Enfim, isso prova que sem os votos do Nordeste, a nossa história seria outra. Para 2026, a atenção estará mais uma vez voltada para a região que vota mais “à esquerda” quando se analisam eleições presidenciais nos últimos anos (pois em relação aos votos pro legislativo o comportamento é outro, e isso, em si, já merece uma análise mais aprofundada).
NORDESTE – O que dizem as pesquisas preliminarmente ?
Maurício Garcia – A região, segundo as pesquisas eleitorais divulgadas até agora, continua fortemente simpática ao PT e a Lula pra Presidente. Administrativamente é a que avalia sua gestão e a que mais está disposta a votar em Lula pra presidente.
Além disso, nas disputas eleitorais para os Governo Estaduais, candidatos ligados à Lula têm tido bom desempenho, até o momento, em vários dos nove estados. Uma das questões importantes será o posicionamento do chamado “Centrão ”, que em alguns estados está fechado com os candidatos de direita, mas em outros está alinhado com a política de Lula e o PT
NORDESTE – a conjuntura revela forte influência do partido do presidente Lula, e dele próprio, a interferir no eleitorado. Como é conviver, por exemplo, com ACM Neto liderando a disputa na Bahia?
Maurício Garcia – Isso se mantém ou pode sofrer mudanças como nas eleições anteriores? Jerônimo tem chances? A Bahia é um estado chave para o Presidente Lula. Em 2022 foi o segundo estado a dar mais votos ao Presidente, mais de 72% dos baianos votaram em Lula no segundo turno, e isso ajudou (e muito) Jerônimo. Jerônimo era uma figura desconhecida até dentro da alta cúpula nacional do PT no dia da sua escolha.
NORDESTE – E agora?
Maurício Garcia – A opinião pública é dinâmica, muito dinâmica e está cada vez mais dinâmica devido às redes sociais. Vale lembrar que em maio de 2022, a primeira pesquisa Quaest divulgada na Bahia mostrava ACM Neto com 67% das intenções de voto totais, e Jerônimo tinha apenas 6%. ACM Neto caiu de cerca de 67% para 44% nas pesquisas, enquanto Jerônimo subiu de cerca de 6% para perto de 51% na reta final.
Hoje, apesar de estar atrás nas pesquisas, Jerônimo (ou qualquer nome ligado ao PT) é um nome forte para a disputa do Governo da Bahia. Jerônimo tem tudo pra crescer, mas ACM Neto também tem um espaço para se consolidar na disputa, algo que não conseguiu manter durante a campanha em 2022. O jogo está aberto.
NORDESTE -Em estados, como Alagoas, o confronto nacional/regional será entre os Renan ( pai e filho) contra Artur Lira – ícone da oposição. Qual a projeção para esse conflito; em tese, quem ganha e perde diante do prefeito JHC? Qual o futuro de Lula no estado?
Maurício Garcia – Alagoas é um estado especial também e o acompanho de perto há muito tempo. Conheço bem esse pedaço especial do país. A briga de Renan Calheiro X Arthur Lira é nacional e transcende Alagoas, por isso Brasília e a Faria Lima não tira o olho dessa disputa regional. Os principais agentes da política nacional já fizeram de tudo para tentar unir esses dois “pesos-pesados”, mas a richa alagoana é maior que tudo. A eleição promete, pois além dos dois, tem seus “descendentes”: Renan Filho e JHC, principalmente.
NORDESTE – Qual o futuro do ministro Renan e o prefeito JHC na direção de 2026?
Maurício Garcia – Um é ministro de Lula, que tem sido um dos principais porta-vozes do Governo Federal, assumiu esse papel e tem dado conta dele muito bem, do ponto de vista de comunicação, e JHC é um expoente de uma nova geração política que pede passagem e que usa a força das redes sociais para isso com extrema competência.
Enquanto a disputa entre os dois grandes caciques é mais dura, a disputa entre esses dois jovens políticos parece ser mais suave, mais moderna, mas se engana quem acha que ela é menos intensa. Ela só é um pouco diferente, numa outra linguagem, um pouco mais moderna, mas é a mesma “Política”, com “P” maiúsculo. Uma briga boa, um clássico, como assistir um Real Madrid X Barcelona.
Lula, nesse cenário, está claramente mais próximo dos Calheiros, por questões históricas. JHC já foi mais “bolsonarista” e se afastou um pouco dessa linha, mas terá que tomar uma posição federal em 2026. A força desse voto de direita em Alagoas é relativamente forte, principalmente em Maceió, por isso JHC também não pode pular do barco que o trouxe até aqui de forma tão abrupta. Ele tem a ganhar com isso, até porque, historicamente, o desempenho dos Calheiros em Maceió e sua região metropolitana não é dos melhores.
Mas acho difícil, hoje, ele ser hostil a Lula, deve ser crítico, mas dentro de uma civilidade, já que Lula lidera todas as intenções de voto em Alagoas até agora, e deve manter essa liderança durante a campanha se nada de surpreendente ocorrer.
NORDESTE – Um dos conflitos bem diferenciados será em Pernambuco entre a governadora Raquel Lira e o prefeito do Recife, João Campos. Como o Sr avalia esse confronto levando em conta a cena nacional. O prefeito da capital mantém a liderança das pesquisas?

Maurício Garcia – Outro estado que conheço bem. Moro em Pernambuco há mais de 15 anos e conheço bem o jogo político pernambucano. Com base no cenário nacional, Lula se dá bem com ambos. Nenhum dos dois o rejeita explicitamente.
Raquel tinha tudo para tomar essa posição em 2022 e não fez, apesar da enorme insistência de Marília Arraes (sua oponente naquele ano), não fará agora depois de receber uma atenção especial de Lula em diversos momentos.
Alguns até acham que se João Campos não fosse filho e bisneto de quem é, Lula a apoiaria. Vale lembrar que João Lyra Neto, pai de Raquel já foi do PT, foi candidato a Prefeito de Caruaru em 2004 pelo PT. Há uma ligação, não como a de Lula com Eduardo Campos e Miguel Arraes, mas já houve uma sintonia entre esses grupos políticos no passado.
NORDESTE – Mas, enfim, como tratar dessa disputa?
Maurício Garcia – A disputa em si dos dois é outro jogo aberto. João, hoje é favorito, lidera todas as intenções de voto, mas Raquel vem diminuindo a diferença, isso é um fato. Seu governo está se mostrando mais, ela própria tem aparecido mais, mas ainda há uma boa diferença a se tirar, mas ela tem o poder a força do Governo de Pernambuco na mão para se posicionar melhor.
De certa forma, o jogo está nas suas mãos, a bola é dela de agora até a campanha, caberá a ela jogar no ataque ou na retranca (vejo que o melhor pra ela seria o ataque).
NORDESTE – Há uma cena diferente na Paraíba depois que o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, foi para o MDB e se afastou de seu aliado, João Azevedo, agora apoiando o vice-governador Lucas Ribeiro. Como o Sr avalia essa separação ainda diante do senador Efraim Filho, bolsonarista, querendo entrar na disputa?
Maurício Garcia – A Paraíba nos mostra um cenário um pouco diferente dos dois que comentamos até aqui. Diferente de Pernambuco, Bahia e Alagoas, onde a disputa está mais polarizada, hoje em dois candidatos, oposição X situação, na Paraíba temos claramente postas até agora três forças: a situação, com Lucas Ribeiro de um lado, uma candidatura que não pode ser considerada classicamente de oposição, pois até pouco tempo Cícero e João Azevedo estavam juntos (vale lembrar da disputa municipal de 2024), mas não é mais uma candidatura governista de outro, e de outro canto uma candidatura mais fortemente colocada à direita, mais bolsonarista, de Efraim Filho.
Jogo pesado, três nomes com potenciais de crescimento e consolidação. Cícero lidera hoje todas as simulações, Lucas (agora claramente com o apoio de João Azevêdo), e mais, como Governador (ao que tudo indica) já em abril do próximo ano, e Efraim Filho correndo por fora, com um discurso mais claro à direita.
NORDESTE – E daí?
Maurício Garcia – Assim, Cícero Lucena e Lucas Ribeiro são, naturalmente, fortes nomes. Efraim Filho entrará ou não na disputa de verdade se souber se posicionar entre o bolsonarismo, o conservadorismo e a direita. Há espaço para ele. Ele é jovem, dinâmico, mas terá que estar antenado para se posicionar corretamente, caso contrário, deixará o jogo somente para Lucas e Cícero. Mas o jogo está só começando na Paraíba.
NORDESTE – No Rio Grande do Norte, a performance da governadora Fátima Bezerra se impõe como fator decisivo na direção de 2026. Quem é quem como chances de disputa levando em conta Lula e o saldo de Bolsonaro?
Maurício Garcia – O Rio Grande do Norte promete uma eleição especial, também diferente do que olhamos até aqui. Há uma indefinição da direita: Alysson Bezerra (que não é parente da Governadora Fátima Bezerra), Rogério Marinho e Álvaro Dias disputam o voto de oposição ao Governo Fátima Bezerra.
O PT deve ir com Cadu, um nome intimamente ligado a Fátima. Cadu é um nome desconhecido e será abençoado pela Governadora e pela esquerda toda, isso por si o faz um nome forte para a disputa, mesmo não estando em destaque nas pesquisas no momento, mas ele tem potencial de crescimento.
NORDESTE – E o futuro da governadora?
Maurício Garcia – A Governadora Fátima deve sair candidata ao Senado para dar mais força ao PT e às esquerdas nessa missão de não deixar a direita dominar essa outra Casa Legislativa. O direitista Styvenson Valentim deve ser seu mais duro opositor ao senado. Vale lembrar que ao deixar o Governo do RN para disputar o Senado, Fátima entregará o governo a emedebista Walter Alves (filho do ex-Governador Garibaldi Alves), que garante que não será candidato a reeleição, isso é uma mensagem importante de alinhamento e compromisso do MDB potiguar com o PT e as esquerdas no estado.
Outra curiosidade é que Alysson Bezerra tem um perfil muito parecido com duas outras figuras políticas da região: João Campos e JHC, os três jovens prefeitos reeleitos com enormes votações em 2024 e que usam as redes sociais com uma propriedade enorme. Em suma, a disputa no RN está totalmente aberta, principalmente pelo “racha” da direita, que pode viabilizar Cadu Xavier, mesmo, hoje, desconhecido.
NORDESTE – Se reparar direito, no Ceará o futuro político passa pela pré-candidatura de Ciro Gomes rompendo com o campo progressista a envolver o irmão Cid e o governador. Faz tempo, ele age assim tipo Carlos Lacerda. O que esperar dessa pendenga na perspectiva de manutenção do poder pelo PT?
Maurício Garcia – O Ceará é outro estado com cenário especial. De fato, a possível entrada de Ciro Gomes na disputa deixa a disputa com um tempero a mais. As pesquisas divulgadas até agora mostram que Ciro Gomes tem chance de atrapalhar a reeleição de Elmano de Freitas, ele, nas pesquisas divulgadas até aqui, está empatado com o atual Governador.
Com a entrada de Ciro Gomes, o ex-Prefeito Roberto Cláudio não deve ser candidato. Caso Ciro não saia ao governo, Roberto Cláudio é a esperança da oposição ao Governador petista. O atual Senador Eduardo Girão, se for candidato, irá dar espaço ao eleitor bolsonarista mais radical, mais raiz, mas deve ter dificuldades de chegar a um segundo turno. É outro estado polarizado entre esquerda (Elmano) e direita (Ciro, Roberto Cláudio ou Girão).
NORDESTE – E o ex-governador e senador Cid Gomes?
Maurício Garcia – Cid Gomes já demonstrou que não pretende renovar seu mandato de Senador. É uma porta que se abre na disputa. José Guimarães deve ser um dos nomes com o apoio da esquerda. Pela direita, no Senado, o eterno candidato Capitão Wagner deve tentar mais uma vez, dessa vez o Senado, acompanhado do pai do Deputado bolsonarista André Fernandes, o Pastor Alcides Fernandes. Por enquanto é uma eleição em aberto, tanto para o Governo, quanto para o Senado.
NORDESTE – No Piauí, a projeção de reeleição do governador Rafael Fonteles abriga construção de apoio com senador Castro e do deputado federal Júlio Cesar, alinhados do PT e Lula, contra a reeleição de Ciro Nogueira, da direita e bolsonarismo. O que esperar na atualidade desse cenário?
Maurício Garcia – O cenário da disputa pelo Palácio Karnak é uma das mais “tranquilas” até o momento. O governador petista Rafael Fonteles parece ter a reeleição bem encaminhada. Sua aprovação é muito alta e não deve encontrar solavancos na disputa, até porque, o Piauí é o estado que tem entregado, percentualmente, os maiores índices a Lula e ao PT nas últimas disputas.
A briga mais intensa parece que será pelas vagas ao Senado, onde a grande questão é se o líder do Centrão e ex-Ministro de Bolsonaro (e ex lulista) Ciro Nogueirao consegue se reeleger. Em suma, a reeleição de Rafael Fonteles parece garantida (só é preciso tomar cuidado com o “modo salto alto”), parece ser a eleição mais “sem emoção” do Nordeste, mas a disputa às duas vagas ao Senado prometem.
NORDESTE – Em Sergipe, ao que se insinua, a perspectiva do apoio do PT com senador Rogério Carvalho e a inserção do ex-ministro Márcio Macedo e do ex-prefeito de Aracaju, Edivaldo, tumultua o processo. O que espera desse contexto?
Maurício Garcia – O cenário eleitoral de Sergipe para 2026 está formado, basicamente, com três eixos principais: o do Governador Fábio Mitidieri, que busca sua reeleição, a disputa interna do bloco oposicionista liderado pelo PT, e uma outra de direita explícita, encampada por Valmir de Francisquinho.
O grande embate é saber como a esquerda irá se articular entre os possíveis nomes, ou se preferirá se articular com o PSD, partido do Centrão do atual governador que tem boas relações com a esquerda.
NORDESTE – Qual a dimensão do governador no processo de reeleição?
Maurício Garcia – Fábio Mitidieri, até pela força do cargo, além do apoio de parte significativa do empresariado local e sua boa relação com Brasília, lidera a grande maioria das pesquisas, mas a presença de Valmir de Francisquinho é incômoda ao governo.
O PT, diferente de outros estados do Nordeste, enfrenta dificuldades para manter força eleitoral para o governo. O nome tradicional do partido, Rogério Carvalho, aparece muito fragilizado, e há uma clara divisão interna entre alas ligadas a Rogério, Márcio Macedo e Edivaldo Nogueira. Nesse jogo, Rogério Carvalho deve ser o grande articulador político do PT em Sergipe, mas não necessariamente candidato. Ele é a ponte com o presidente Lula, tentando recompor a base do partido no estado, já que sua votação minguada nas pesquisas o empurra para fora da cabeça de chapa.
Já Márcio Macedo, ex-ministro e homem de confiança direta de Lula, vem sendo citado nos bastidores como o grande pivô das negociações dentro do PT e entre PT–PSD, e deve ser candidato a deputado federal com apoio maciço de Lula (ou se Lula preferir, como candidato ao Senado ou vice do do atual Governador).
Já o ex-prefeito de Aracaju, Edivaldo Nogueira, tem visibilidade, mas não tem “pico de empolgação” nas redes. Deve esperar 2028 para tentar voltar à Prefeitura de Aracaju. Mas também é visto como possível vice numa chapa majoritária petista se precisarem de alguém com imagem de gestor. Internamente, o PT o vê mais como “coadjuvante estratégico” do que como protagonista estadual.
NORDESTE – Enfim, qual o futuro do PT em Sergipe?
Maurício Garcia – Ao que tudo indica, portanto, é que o PT não terá cabeça de chapa ao governo em 2026. As pesquisas inviabilizam Rogério como candidato ao governo, e nem Márcio nem Edivaldo têm números para competir. Assim, cresce a possibilidade de reaproximação PT–PSD em Sergipe, até porque Lula prefere palanques amplos e Mitidieri tem bom trânsito em Brasília. A união poderia garantir apoio petista nacional ao governo de Sergipe, todos ganham.
NORDESTE – Como refletir a projeção futura no estado do Maranhão ?
Maurício Garcia – Se reparar direito, vamos aguardar os movimentos do governador Carlos Brandão. Mesmo assim, o prefeito de São Luiz, Braide, se apresenta na linha de frente contra Roberto Rocha, que se apresenta em segunda posição. Agora é aguardar o futuro.
Outro estado com três forças muito claras pra 2026. No Maranhão, o desenho apontado pelas pesquisas mostra uma tendência do candidato ligado ao Governador Carlos Brandão, seu sobrinho Orleans Brandão, do MDB, como um nome forte.
Tem, além do apoio do Governo do Maranhão e a proximidade com o Governo Lula (vale lembrar que o Maranhão é um dos estados que mais vota em Lula para Presidente). Eduardo Braide, prefeito de São Luís, nesse momento, começa a assumir um protagonismo estadual, maior do que seu mundo na capital. Tem um forte recall após disputar 2024, pouco desgaste como prefeito e se apresenta como alternativa competitiva e independente.
Além disso, Braide aparece com forte engajamento e narrativa antipolítica tradicional do Maranhão (o que é importante num estado que saiu da “era Sarney” e entrou na “era Dino”), e tem a força do PSD, que teve um excelente desempenho no estado em 2024. Lahésio Bonfim é o candidato da direita, do Novo, e desponta como a outra força política na disputa. A disputa pelo Senado tem Weverton Rocha como um nome favorito natural, após o recall da disputa de 2022. Roberto Rocha é o nome da oposição e deve se colocar à direita nessa disputa, caso entre nela.
NORDESTE – Com a inelegibilidade de Bolsonaro quem pode se apresentar na Oposição contra Lula?

Maurício Garcia – Apesar de termos os nomes de Caiado, Ratinho Jr, Zema e até Cláudio Castro (por incrível que pareça), não vejo outro nome mais forte do que o Governador Tarcísio para assumir o voto da direita nacional. Ele tem as bençãos da maioria dos bolsonaristas-raiz, do Centrão, e da Faria Lima. É o nome perfeito para esse segmento, além de ser sudestino (isso pesa muito dentro desses grupos). Há que se levar em conta o ensaio de pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro dizendo-se escolhido pelo pai e assim implodindo a hipótese de Michele. Depois de rusgas, o senador e o governador se realinharam.
NORDESTE – Mas e a expectativa sobre o projeto Tarcísio?
Maurício Garcia – Elencam algumas escorregadas dele, mas está cada dia mais forte. Para esse grupo de eleitores, ele ter vestido o boné de Trump, não ter se posicionado contra Trump na questão do tarifaço (pelo contrário), ser pessoalmente contra o uso de câmeras pela sua polícia, nada disso o afasta do seu eleitorado de direita. Pelo contrário.
Tarcísio é um nome consistente e está pronto para o desafio. Fora isso, saindo para a disputa presidencial, abre o caminho para várias pessoas que estão de olho na cadeira de Governador do estado mais rico do país e que não estão dispostas a esperar mais 4 anos para suceder Tarcísio, num cenário hoje ainda muito nebuloso (já que ninguém sabe como estarão dispostas a peças políticas em 2030). Fora tudo disso, desses nomes todos que a direita pode oferecer, ele, eleitoralmente, é o melhor, o mais maleável em termos de construção de comunicação.
NORDESTE – Conceitualmente e culturalmente como os efeitos das sensações das redes sociais podem e devem mexer no tabuleiro político?
Maurício Garcia – As redes sociais, hoje são tudo. Não há como vencer sem ela. Mas é preciso ter cuidado, ela não ganha sozinha, e é preciso fazer política e cumprir acordos políticos, seja à direita, seja à esquerda. Quem é do jogo político, que atua dentro dele sabe que os compromissos são fundamentais, assim, mesmo com essa nova ferramenta intermediando as ações, é preciso se adequar à linguagem da política, ela é superior à linguagem das redes. Caso contrário ganham apenas uma eleição e somem. Outra coisa: elas são dinâmicas, por isso é preciso saber usar todas (e bem, cada uma delas). Não há espaço para aventureiros e amadores.

