Solo e clima permitem a produção de café já em retomada na região
*Entrevista publicada na Edição 225 da Revista NORDESTE, leia abaixo ou acesse aqui.
Por Walter Santos
A cultura de manejo e produção de uvas definitivamente entrou na pauta de regiões de clima diferenciado no interior da Paraíba, em especial de Bananeiras – brejo paraibano. Quem explica e expõe detalhes desta nova realidade impactante é o engenheiro Walter Leal, responsável pela introdução da vinícola Alteza. Leia:
Revista NORDESTE – Como se encontra o plantio de uvas Malbec no vinhedo Alteza e quando o Sr imagina as primeiras colheitas?
Walter Leal – As plantas tem respondido muito bem ao manejo que temos adotado e vamos colher uma primeira safra no próximo mês de janeiro.

NORDESTE – Como especialista, qual o nível e padrão das uvas nesse novo plantio em Bananeiras, brejo da Paraíba?
Walter Leal – É importante destacar que as uvas que estamos produzindo tem como finalidade a produção vinhos finos. E não para consumo in natura. Não que não seja saborosa, elas até são, mas uvas viníferas geralmente tem bagas menores, tem semente e sabor mais delicado. O aspecto mais relevante a se considerar quando queremos uma uva para vinhos de qualidade elevada, é a maturação. Ela quem vai ditar como vai ficar o vinho. Com uma uva saudável, com uma maturação completa e uniforme, bons níveis de pH, acidez, açúcar, podemos dar origem a vinhos que não devem em nada para regiões mais tradicionais.
NORDESTE – Como assegurar sucesso na produção?
Walter Leal – Já provamos que conseguimos, a exemplo de duas vinícolas que tem sido premiadas em concursos às cegas no Brasil e no exterior localizadas em Garanhuns, também no Planalto da Borborema e com grande similaridade edafoclimática (solo e clima). A Vale das Colinas e a Mello Vinicola.
NORDESTE – tomando por base a área plantada, que detalhes o Sr oferece sobre o tamanho de todo terreno e se há interesse de plantio de outras espécies de uva…
Walter Leal – A área plantada ainda é pequena, aproximadamente 4 hectares ao todo na região. O objetivo não é produção em larga escala. Quando falamos em vinícolas “boutique” estamos nos referindo a áreas pequenas, 1 a 4 hectares por cada projeto. Que já permite produzir entre 5 a 20 mil garrafas por safra. Um volume que pode ser comercializado, unindo o trabalho de visitas guiadas aos vinhedos, degustação com especialista, harmonizações e toda a experiência de uma imersão enogastronômica que se expresse fazendo referência a rica cultura local, com o estímulo ao consumo de produtos da terra.

cultura de produção de uvas
NORDESTE – essa região do Brejo é apropriada para plantio de outros tipos de plantas, a exemplo do café, já que no passado havia muitas plantações de café?
Walter Leal – Sim, exatamente, assim como a uva, o café é uma planta que se adapta muito bem a regiões tropicais de altitude, com temperaturas mais amenas. Já tenho notícia que tem produtor plantando café na região e assim como a uva é o vinho, o café pode vir também para diversificar e incrementar o turismo de experiência e o surgimento de produtos de qualidade superior, com alto valor agregado.

NORDESTE – Bananeiras pode se transformar em área reconhecida de plantio e exploração de uvas podendo ser polo enquanto vinícola?
Walter Leal – Sim, a produção e o consumo de vinho tem crescido no Brasil, e novas regiões se destacado. Bananeiras tem potencial para ser referência em produção de vinhos de qualidade superior no Nordeste Brasileiro, pois tem clima e solos favoráveis, é destino turístico já conhecido, polo gastronômico e está em uma localidade estratégica, próxima de três grandes capitais. Ainda estamos no início de um trabalho que leva anos de avaliações, testes, adequações, até de fato começarmos a entregar os resultados que buscamos.

NORDESTE – qual a logo e/ou selo do novo vinho a ser comercializado em Bananeiras? Quando começa?
Walter Leal – Os primeiros rótulos ainda estão em fase de desenvolvimento, mas já temos os primeiros vinhos, ainda de primeira safra, e logo estará disponível para compra.

