O desempenho da produção industrial nordestina em abril de 2025 trouxe um alívio momentâneo para a economia da região, com destaque para Pernambuco, que registrou a maior alta mensal do país, e para a Bahia, que mantém trajetória positiva ao longo do ano. No entanto, os dados divulgados pelo IBGE, nesta quarta-feira (11) em sua Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional revelam um panorama ainda marcado por desigualdades entre os estados e sinais de instabilidade estrutural.
Puxada pela retomada de unidades industriais que estavam total ou parcialmente paradas nos primeiros meses do ano, Pernambuco saltou 31,3% em abril, no dado com ajuste sazonal. Trata-se do maior crescimento mensal da série histórica iniciada em 2002.
“Esse resultado vem após um recuo de 10,1% no mês anterior. Esta taxa de abril elimina a perda de dois dígitos observada em março. Fatores como o retorno à produção de algumas unidades produtivas anteriormente paralisadas levaram a este indicador. Setores de derivados de petróleo, de veículos automotores e o de produtos químicos foram os mais influentes neste resultado para a indústria pernambucana”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Almeida.
A recuperação, contudo, tem um peso relativo: o estado ainda acumula queda de 15,9% no ano e retração de 1,6% nos últimos 12 meses, reflexo da crise no setor de derivados de petróleo, especialmente óleo diesel e gás liquefeito de petróleo.
Nordeste
No agregado da Região Nordeste, o crescimento de 7,2% em abril também superou com folga a média nacional de 0,1%, e mostra que a reativação industrial em Pernambuco influenciou positivamente o desempenho regional. Bahia, por sua vez, confirma uma tendência mais sólida, com avanço de 0,5% no mês, 2,7% no acumulado do ano e 3,1% nos últimos 12 meses. A atividade baiana tem sido impulsionada por setores como alimentos, químicos e derivados de petróleo.
Já o Ceará apresenta um quadro de oscilação negativa. A retração de 3,9% em abril eliminou os ganhos de março, e o estado acumula queda de 1,8% no ano e de 5,3% na comparação com abril de 2024. Os dados indicam fragilidade na base industrial cearense, com impactos da desaceleração em segmentos-chave.
“O Ceará obteve a maior queda no mês, após avançar 2,8% em março, o que elimina o avanço no mês anterior. O comportamento da indústria cearense foi impactado em abril pelos setores de produtos químicos, de artefatos do couro, artigos de viagens e calçados, além do setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos”, observa o analista da PIM.
Outro ponto de preocupação é o Rio Grande do Norte, que registrou a maior queda entre todas as unidades da federação na comparação interanual: -12,9%. No acumulado de janeiro a abril, a retração chega a 18,2%, consequência da forte desaceleração na produção de combustíveis. O estado também lidera a piora no indicador de 12 meses (-6,6%).
Assim, mesmo com a reação em abril, o Nordeste ainda acumula retração de 3,1% no ano, segundo o IBGE. O avanço pontual não elimina os gargalos estruturais, como a dependência de poucos segmentos produtivos, os impactos de paralisações técnicas e a falta de investimentos contínuos em modernização industrial.
Brasil
No cenário nacional, a indústria cresceu 0,1% em abril, após ajuste sazonal. Mas os resultados ainda são instáveis: 11 dos 18 locais pesquisados tiveram queda na comparação com abril de 2024, e somente oito registram crescimento no acumulado do ano.
O Pará se destacou com alta de 27,3% no mês, sustentado pelo bom desempenho das indústrias extrativas, e Santa Catarina e Paraná seguem entre os mais consistentes, impulsionados por setores como máquinas, alimentos e automotivo.
***Os resultados da pesquisa também podem ser consultados no Sidra, o banco de dados do IBGE. A próxima divulgação da PIM Regional, relativa a maio de 2025, será em 11 de julho.

