Papo de Economia: Reflexões e perspectivas sobre o futuro da região Nordeste

Por Paulo Galvão Júnior (*)

O Nordeste é uma região de grande relevância histórica e econômica para o Brasil desde 22 de abril de 1500, sendo fundamental para o crescimento do país ao longo de mais de cinco séculos. Composto por nove estados — Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe — destaca-se pela diversidade geográfica, pela riqueza cultural e pelas relevantes contribuições para a economia brasileira, especialmente nos setores agropecuário, industrial e turístico.

Recentemente, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI-BA) divulgou um estudo intitulado Info Nordeste 2025, composto por oito slides de excelente qualidade. Diante desse material, podemos ler e contribuir para ampliar sua divulgação e, sobretudo, fomentar reflexões e perspectivas sobre o futuro da região Nordeste.

Segundo a SEI-BA, o Nordeste possui um território de cerca de 1,6 milhão de quilômetros quadrados (km²), abrangendo 18,3% do território do Brasil, o quinto maior país em extensão territorial do mundo. Os estados mais extensos são Bahia (564,7 mil km²), Maranhão (329,6 mil km²), Piauí (251,7 mil km²) e Ceará (148,9 mil km²). Já os estados menos extensos são Sergipe (21,9 mil km²), Alagoas (27,8 mil km²), Rio Grande do Norte (52,8 mil km²), Paraíba (56,5 mil km²) e Pernambuco (98,1 mil km²).

População

A população nordestina alcançou 57,1 milhões de habitantes em 2024, representando 26,9% da população do Brasil, o sétimo país mais populoso do planeta. Destes, 52,71% são mulheres (30,1 milhões) e 47,29% são homens (27,0 milhões).

Os estados mais populosos são Bahia (14,8 milhões de hab.), Pernambuco (9,5 milhões de hab.), Ceará (9,2 milhões de hab.) e Maranhão (7,0 milhões de hab.). Por outro lado, os menos populosos são Sergipe (2,3 milhões de hab.), Alagoas (3,2 milhões de hab.), Rio Grande do Norte (3,4 milhões de hab.), Piauí (3,4 milhões de hab.) e Paraíba (4,1 milhões de hab).

Municípios

O Nordeste abriga 1.794 municípios, dos quais 1.212 estão localizados no Semiárido (uma classificação climática, definida pela baixa precipitação pluviométrica anual e alta evaporação, englobando a maior parte da Caatinga), representando 67,56% da região.

Esse dado é crucial para compreender os desafios climáticos, como a seca prolongada, que afeta diretamente a produção agropecuária e a qualidade de vida das populações residentes no bioma da Caatinga. A necessidade de políticas públicas voltadas para a sustentabilidade hídrica e melhorias na infraestrutura torna-se evidente a cada ano.

Distribuição etária

A população nordestina está distribuída em diferentes faixas etárias. A maior parcela encontra-se entre 30 e 59 anos, representando 40,6% do total. Em seguida, a faixa de 15 a 29 anos corresponde a 24,8% da população nordestina, enquanto 0 a 14 anos compreende 20,4%. Já os 60 anos ou mais de idade representam 14,2% do total de habitantes da região no ano de 2023.

É preciso revelar também que o município nordestino mais populoso é Fortaleza, com 2,7 milhões de habitantes, enquanto o maior município do interior da região é Feira de Santana, com 616,2 mil habitantes, e localizado no estado da Bahia.

As riquezas do Nordeste

O Produto Interno Bruto (PIB) nominal do Nordeste foi de R$ 1,388 trilhão em 2022 e representando 13,8% do PIB do Brasil, atualmente, a décima maior economia do mundo.

A região tem um PIB per capita de R$ 25.401,43. No entanto, a participação da região no PIB brasileiro regrediu de 14,1% em 1985 para 13,8% em 2022. Ainda assim, a taxa de crescimento do PIB regional aumentou de 1,6% em 2003 para 3,6% em 2022.

A distribuição da atividade econômica por setor em 2022 foi: Agropecuária: 8,8%; Indústria: 20,8%; e Serviços: 70,4%. Entre os segmentos econômicos que compõem o setor de serviços, destacam-se a administração pública e o comércio.

Estados

Os quatro estados mais ricos da região são Bahia (29,0% do PIB nordestino), Pernambuco (17,7%), Ceará (15,4%) e Maranhão (10,1%), eles respondem juntos por 72,2% do PIB regional.

Enquanto os cinco estados de menor participação no PIB do Nordeste são Sergipe (4,1%), Piauí (5,2%), Alagoas (5,5%), Paraíba (6,2%) e Rio Grande do Norte (6,8%).

Em 2022, os quatros estados nordestinos que mais cresceram economicamente foram Piauí (6,2%), Paraíba (5,6%), Bahia (4,2%) e Rio Grande do Norte (4,1%), enquanto os cinco que menos cresceram foram Sergipe (1,3%), Pernambuco (2,0%), Ceará (3,1%), Alagoas (3,2%) e Maranhão (3,4%).

Produtos agrícolas

Os principais produtos agrícolas do Nordeste em 2023 foram: Soja, com o valor de produção de R$ 33,1 bilhões (3º maior produtor do Brasil); Milho, com R$ 10,2 bilhões (4º maior produtor do País); Cana-de-açúcar, com R$ 8,7 bilhões (3º maior produtor do Brasil); e Algodão, com R$ 7,7 bilhões (2º maior produtor do País).

Além disso, o Nordeste lidera a produção brasileira de coco-da-baía, goiaba, mamão, manga, maracujá, melancia, melão, banana e abacaxi. A região também concentra os maiores rebanhos de caprinos (96,0%) e ovinos (71,2%) do país.

No setor secundário da economia nordestina, o crescimento da indústria de produtos alimentícios entre 2012 e 2022 apresentou variações entre os estados da região. Nesse período, Alagoas registrou o maior avanço, com um crescimento de 50,0% na fabricação de produtos alimentícios, seguido pelo Piauí, que cresceu 47,6%.

Outros estados também apresentaram expansão na produção industrial de alimentos: Sergipe (24,6%); Pernambuco (18,1%); Paraíba (16,6%); Ceará (15,3%); e Bahia (12,7%). Esses dados revelam o dinamismo da indústria alimentícia no Nordeste, demonstrando o potencial do setor para impulsionar o crescimento econômico da região.

No setor terciário da economia nordestina, a estrutura do setor encontra-se em primeiro lugar na administração pública, com 24,2% em 2022, outras atividades e serviços (16,1%), comércio (13,0%), atividades imobiliárias (9,0%), atividades financeiras (3,5%), transporte, armazenagem e correios (2,7%) e informação e comunicação (1,9%).

Comércio Exterior

No comércio exterior, os nove estados nordestinos juntos realizaram US$ 24,8 bilhões em exportações e US$ 26,8 bilhões em importações em 2024, resultando em um déficit comercial de US$ 2,0 bilhões.

Os principais produtos exportados são soja e derivados, petróleo e derivados, produtos químicos e petroquímicos, papel e celulose e frutas e os cinco principais destinos dos produtos nordestinos foram China, Estados Unidos, Canadá, Singapura e Argentina, refletindo a diversificação das relações comerciais da região e sua relevância no mercado internacional.

Emprego

Em 2023, o Nordeste registrou um total de 10,3 milhões de empregos formais, distribuídos entre 5,8 milhões de trabalhadores (56,31%) e 4,5 milhões de trabalhadoras (43,69%).

Esses postos de trabalho com carteira assinada estavam alocados em diversos segmentos econômicos, com a seguinte distribuição: Serviços (3,7 milhões de empregos formais), Administração Pública (2,7 milhões de empregos), Comércio (1,8 milhão de empregos), Indústria da Transformação (1,1 milhão de empregos), Construção Civil (513.387 empregos), Agropecuária (315.039 empregos), Serviços Industriais de Utilidade Pública (107.001 empregos) e Extrativa Mineral (45.579 empregos).

Esses dados refletem a diversidade da estrutura produtiva da região e sua capacidade de absorção de mão de obra em diferentes setores da economia nordestina.

Dados finais

Concluindo, o estudo Info Nordeste 2025 da SEI-BA oferece um panorama detalhado da região, possibilitando análises profundas sobre seus desafios e oportunidades. O Nordeste possui um imenso potencial econômico e social, mas enfrenta dificuldades estruturais que demandam políticas estratégicas para garantir um desenvolvimento sustentável em longo prazo.

Por fim, a economia do futuro será cada vez mais verde, logo, são fundamentais os elevados investimentos em educação de qualidade; a expansão do agronegócio, da infraestrutura logística e das energias renováveis; e o crescimento do turismo internacional (Bahia, Ceará e Pernambuco lideram o fluxo de turistas estrangeiros no Nordeste) e das exportações dos produtos verdes, que são pilares essenciais para converter esses desafios em oportunidades.

Refletir sobre esses dados apresentados pela SEI-BA é um passo importante para construir um Nordeste mais próspero, mais justo e mais sustentável para as atuais e futuras gerações.

 

Referência

SEI-BA. Info Nordeste 2025. Disponível em: https://sei.ba.gov.br/images/resumo/info_nordeste.pdf. Acesso em: 9 mai. 2025.

(*) Paulo Galvão Júnior é economista paraibano, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, apresentador do Programa Economia em Alta na Rádio Alta Potência, coordenador do Curso Superior de Tecnólogo em Gestão Financeira – EAD – na UNICORP Faculdades, em João Pessoa, e autor de 20 e-books, entre eles, O CANADA! (2022) e A IMPORTÂNCIA DO CANADÁ NO G7 E G20 (2024). Acesso para comprar o e-book de 2024: https://paulogalvaojunior.com.br/canada/. WhatsApp para entrevistas e palestras sobre o G7, G20 e BRICS: (83) 98122-7221.

(**) Os conteúdos dos colunistas e articulistas publicados no site da Revista Nordeste (RNE) são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da RNE.

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