A Paraíba foi o estado nordestino com a menor taxa de desemprego em 2025, por Paulo Galvão Júnior

Por Paulo Galvão Júnior (*)

Com base nos dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2025, é possível realizar uma breve e comparativa análise do desempenho dos estados nordestinos no mercado de trabalho brasileiro.

A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica em 2012, mas existem diferenças significativas entre os nove estados da Região Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Os dados mais recentes do IBGE revelam uma realidade heterogênea no mercado de trabalho brasileiro. Apesar de a taxa média nacional situar-se em patamar relativamente moderado, observa-se forte disparidade regional, sobretudo quando se compara o Nordeste com regiões mais industrializadas do país, as regiões Sudeste e Sul.

O Nordeste apresentou a maior taxa de desemprego no Brasil, com 7,9% no quatro trimestre de 2025, enquanto, o Sul registrou o menor índice de desemprego do país, com 3,4%, de acordo com o IBGE.

Nesse contexto, a Região ainda apresenta os três maiores índices de desemprego do Brasil, refletindo desafios estruturais históricos relacionados à menor renda per capita, ao processo de industrialização tardia e à limitada diversificação produtiva. Entretanto, existem diferenças relevantes dentro da própria Região.

Um dado que merece destaque é o desempenho da Paraíba, que aparece como o estado nordestino com a menor taxa de desemprego em 2025, alcançando 6,0%, segundo o IBGE. Esse resultado coloca o estado em posição relativamente favorável no contexto regional e em posição intermediária no ranking nacional.

O desemprego nos estados nordestinos oscilou entre 6,0% e 9,3% em 2025, evidenciando diferenças relevantes na dinâmica econômica e na capacidade de geração de empregos com carteira de trabalho assinada entre as nove economias da Região.

Todos os estados nordestinos apresentam taxas superiores à média nacional (5,3%), refletindo menor dinamismo econômico em determinados setores produtivos, conforme a Tabela 1:

Tabela 1: Taxa de desemprego dos estados do Nordeste (2025)
Estado Taxa de desemprego Ranking nordestino Ranking brasileiro
Paraíba 6,0% 13º
Ceará 6,5% 14º
Maranhão 6,8% 16º
Sergipe 7,9% 20º
Rio Grande do Norte 8,1% 22º
Alagoas 8,3% 23º
Pernambuco 8,7% 25º
Bahia 8,7% 26º
Piauí 9,3% 27º
Fonte: IBGE (2025).

A leitura dos dados do IBGE permite identificar três grandes grupos de desempenho no mercado de trabalho nordestino, refletindo diferentes níveis de dinamismo econômico, estrutura produtiva e capacidade de geração de empregos formais.

Essa análise contribui para compreender como fatores estruturais, como urbanização, diversificação econômica, investimentos e dinamismo do setor de serviços, influenciam o comportamento do mercado de trabalho regional.

A Paraíba, seguida por Ceará e Maranhão, compõe o grupo dos estados com menores taxas de desemprego da Região, entre 6,0% e 6,8%, apresentando níveis mais próximos da média nacional (5,6%).

No caso da Paraíba, alguns fatores ajudam a explicar esse desempenho: i) crescimento do setor de serviços urbanos, especialmente em João Pessoa; ii) expansão da construção civil; iii) dinamismo do turismo no litoral paraibano; iv) fortalecimento do comércio; e v) crescimento dos serviços associados à administração pública, educação e saúde em território paraibano.

Esse conjunto de fatores contribuiu para uma maior capacidade de absorção da mão de obra urbana, sobretudo nas atividades de serviços, comércio, construção civil e turismo na Paraíba. O crescimento do fluxo de turistas nacionais é um dos responsáveis por a Paraíba apresentar a menor taxa de desemprego no Nordeste.

É preciso revelar que estados como Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas apresentam taxas entre 7,9% e 8,3%, indicando um grupo de uma situação intermediária no contexto do desemprego regional.

Essas três economias nordestinas possuem características estruturais como: i) menor diversificação industrial; ii) forte dependência do setor público e das transferências governamentais; iii) maior sensibilidade aos ciclos econômicos nacionais; iv) elevada participação de empregos informais; e v) menor densidade de investimentos privados.

Esses cinco fatores reduzem a capacidade dessas economias de gerar empregos formais de forma mais consistente ao longo do tempo, limitando o dinamismo do mercado de trabalho.

O grupo dos estados nordestinos com maiores índices de desemprego inclui Piauí, Bahia e Pernambuco, todos com índices superiores a 8%, figurando também entre os piores desempenhos do Nordeste e do país.

No caso do Piauí, que apresenta a maior taxa da Região (9,3%) e do Brasil, observam-se fatores estruturais relevantes: i) menor densidade industrial; ii) elevado peso do setor informal na economia; iii) baixa diversificação produtiva; iv) menor dinamismo do setor de serviços urbanos; e v) limitações estruturais em infraestrutura logística.

Esses cinco elementos contribuem para a menor capacidade de atração de investimentos no estado do Piauí. Os principais fatores relacionados ao alto desemprego no estado estão associados à estrutura econômica pouco diversificada e à forte presença da informalidade no mercado de trabalho. Além disso, o Piauí apresenta um baixo percentual de trabalhadores empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada.

É preciso destacar também que o Brasil registrou 6,2 milhões de pessoas desocupadas em 2025, segundo dados do IBGE. Nesse contexto, a Paraíba destaca-se por apresentar a menor taxa de desemprego da Região Nordeste, com 6,0%, percentual significativamente inferior à média regional (7,9%). Ainda assim, o estado da Paraíba mantém índice ligeiramente acima da média nacional (5,6%), ocupando a 13ª posição no ranking brasileiro de desemprego.

Esse cenário da posição da Paraíba no contexto brasileiro evidencia que o desemprego possui caráter estrutural nos 223 municípios paraibanos, ao mesmo tempo em que a Paraíba ainda enfrenta desigualdades históricas de crescimento econômico em relação aos estados do Centro-Sul do país.

Mesmo assim, o desempenho paraibano é relevante e histórico, pois sinaliza melhoria relativa na dinâmica do mercado de trabalho, impulsionada pela expansão de setores urbanos e pelo crescimento de atividades econômicas ligadas ao comércio e turismo.

Concluindo, os dados divulgados pelo IBGE mostram que, em 2025, o mercado de trabalho brasileiro continua marcado por profundas desigualdades regionais. Nesse contexto, a Paraíba destaca-se como o estado nordestino com a menor taxa de desemprego, evidenciando avanços importantes na dinâmica econômica regional.

Apesar disso, o Nordeste ainda enfrenta desafios estruturais relevantes para reduzir o desemprego e aproximar-se dos níveis observados nas regiões mais industrializadas do país. Os estados brasileiros com menores taxas de desemprego são Mato Grosso (2,2%) e Santa Catarina (2,3%) no ano de 2025.

Dessa forma, necessitamos de políticas públicas eficazes e estratégias produtivas eficientes, sempre voltadas para: i) qualificação da força de trabalho; ii) diversificação da estrutura produtiva; iii) ampliação dos investimentos em infraestrutura logística; iv) estímulo o empreendedorismo e o cooperativismo; e v) fortalecimento da indústria.

Por fim, essas políticas públicas combinadas com estratégias produtivas configuram-se como elementos essenciais para promover crescimento econômico sustentável e geração de empregos de maior qualidade na Região Nordeste, especialmente no horizonte de 2026 a 2030.

 

 

 

(*) Paulo Galvão Júnior é economista paraibano, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor-secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, membro do Instituto de Inteligência Econômica em São Paulo e apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência na capital paraibana. É também colunista do site da Revista Nordeste, escritor e palestrante. WhatsApp para entrevistas e palestras: +55 (83) 98122-7221.
(**) O conteúdo publicado é de inteira responsabilidade do seu autor.
Curta e compartilhe:

Luciana Leão

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *