O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica iniciada em 2012: 5,6%. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma o aquecimento do mercado de trabalho no último ano.
O avanço, porém, não se distribui de forma homogênea pelo território nacional. O Nordeste segue concentrando parte relevante das maiores taxas de desocupação do país, além de índices elevados de informalidade e rendimentos médios inferiores à média brasileira.
O retrato nordestino
Entre os nove estados da região, apenas a Paraíba (6%) e o Ceará (6,5%) ficaram relativamente próximos da média nacional, embora ainda acima dos 5,6%.
No outro extremo, o Nordeste lidera o ranking negativo:
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Piauí: 9,3% (maior taxa do país)
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Bahia: 8,7%
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Pernambuco: 8,7%
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Alagoas: 8,3%
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Rio Grande do Norte: 8,1%
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Sergipe: 7,9%
Três estados nordestinos figuram entre os mais elevados índices de desemprego do Brasil, evidenciando que o recorde nacional convive com desigualdades regionais persistentes.
Informalidade
Se a desocupação já indica fragilidade, a informalidade reforça o caráter estrutural do problema. Enquanto o país fechou 2025 com taxa média de 38,1%, o Nordeste reúne alguns dos maiores percentuais:
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Maranhão: 58,7%
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Bahia: 52,8%
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Piauí: 52,6%
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Ceará: 51%
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Paraíba: 49%
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Pernambuco: 47,8%
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Alagoas: 47,5%
O cenário aponta para um mercado de trabalho mais vulnerável, com menor proteção social e maior exposição a oscilações econômicas.
Renda abaixo da média
O rendimento médio mensal no Brasil foi de R$ 3.560 em 2025. Nenhum estado nordestino superou esse valor.Os menores rendimentos do país estão concentrados na região:
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Maranhão: R$ 2.228
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Bahia: R$ 2.284
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Ceará: R$ 2.394
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Piauí: R$ 2.561
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Paraíba: R$ 2.577
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Pernambuco: R$ 2.666
Mesmo o Rio Grande do Norte, com R$ 3.003, permanece abaixo da média nacional.
Crescimento com ritmos distintos
Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, a mínima histórica “decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionado pelo aumento do rendimento real”.
O dado nacional sinaliza fortalecimento da economia. O recorte regional, contudo, mostra que o crescimento ocorre em ritmos distintos e que a redução das desigualdades estruturais entre as regiões segue como desafio central para o país.

