Metrô do Recife entra em consulta pública, mas crise histórica exige soluções imediatas

Após décadas de subfinanciamento, falhas estruturais e perda progressiva de qualidade do serviço, o metrô do Recife entra em mais uma etapa decisiva de planejamento. O Governo de Pernambuco, a União e o BNDES abriram nesta sexta-feira (6) a consulta pública do projeto de concessão do sistema, que prevê R$ 4 bilhões em investimentos para requalificação da operação. O prazo segue até 23 de março, com audiência pública marcada para 5 de março, no Centro de Convenções, em Olinda.

A abertura do processo de escuta da sociedade é um avanço institucional relevante, sobretudo para um sistema que atende diariamente milhares de trabalhadores e estudantes da Região Metropolitana.

Ainda assim, o histórico de colapso operacional, com trens obsoletos, estações degradadas, atrasos frequentes e riscos à segurança, impõe um desafio que vai além do desenho contratual: a necessidade de soluções emergenciais em curto prazo.

O projeto foi estruturado pelo governo federal em parceria com o Governo de Pernambuco, com coordenação técnica do BNDES, responsável por receber as contribuições da população e esclarecer dúvidas sobre o modelo proposto. A expectativa oficial é que a concessão permita reorganizar a operação e recuperar a capacidade do metrô como eixo estruturante da mobilidade urbana.

“A transformação do metrô do Recife passa pela participação da população e pelo compromisso do Estado em ser parte da solução”, afirmou a governadora Raquel Lyra, em declaração sobre a abertura da consulta pública.

A concessão prevê a renovação completa do sistema, com compra de novos trens, substituição da via permanente e reforma de todas as estações. O contrato terá duração de 30 anos, com aportes federais concentrados nos cinco primeiros anos, período considerado crítico para a recuperação mínima da operação.

Atualmente sob gestão da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o metrô só terá seus ativos transferidos ao Estado após a assinatura do contrato e um período de transição operacional. Até lá, usuários seguem enfrentando um serviço que opera no limite técnico, o que reforça a avaliação de especialistas de que, sem intervenções imediatas, o risco de paralisações e agravamento do quadro permanece.

Nesse contexto, a consulta pública representa um passo necessário, mas insuficiente por si só. O desafio central para os próximos meses será conciliar a construção de uma solução estrutural de longo prazo com medidas rápidas que garantam a continuidade e a segurança do serviço no presente.

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Luciana Leão

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