Desmoralização constante, por Hely Ferreira

*Por Hely Ferreira

Na concepção kantiana, o Estado deve preservar direitos do indivíduo. Para tanto, a garantia da liberdade é algo inquestionável e, ao mesmo tempo promover relações com outros Estados, criando um tipo de federação, onde a guerra se tornaria algo inexistente, já que a paz deve ser entendida como a finalidade da história da humanidade. Foi justamente, influenciada pelas ideias de Kant, que surgiu a ONU. Entretanto, há algum tempo que se percebe a impotência dela para dirimir ou impedir conflitos internacionais.

Quando o país de Tio Sam, resolveu invadir o Iraque pela segunda vez, a ONU externou ser contrária à medida e, mesmo assim, não foi levada em consideração sua posição. À época, utilizou-se como justificativa, o argumento que o Iraque possuía armas de destruição em massa, algo que jamais foi encontrado.

Também se afirmava que seria implantada uma democracia naquele país. Ora, democracia não tem como nascedouro imposição de quem quer que seja, mas emerge de um processo natural de uma sociedade. Na verdade, como legado da ação desastrosa, assistiu-se a um verdadeiro desmonte arquitetônico e histórico de um povo.

O resultado das eleições presidenciais venezuelanas em 2022, acendeu o sinal de alerta, quando vários países (inclusive o Brasil), não reconheceram a legitimidade do pleito, que concedeu mais um mandato ao Senhor Nicolás  Maduro.

Apesar do apelo internacional, Maduro foi reempossado presidente da Venezuela. O retorno de Donald Trump à Casa Branca redirecionou os olhares internacionais com relação ao Estado venezuelano. A postura que vem sendo adotada pelo governante republicano remete-nos ao que podemos denominar do retorno de maneira distorcida, da doutrina de Monroe, em que defende uma América para os americanos.

Bem se sabe da maneira draconiana como estava vivendo o povo da Venezuela. Porém, não concede direito e, consequentemente, não credencia o governo dos USA, desrespeitar a soberania do Estado venezuelano. A não ser que seja correto combater crime, cometendo crime.

Assim como há quem acredite que a sociedade passa por um processo evolutivo, existem os que acreditam que a prioridade do governo da terra de Tio Sam é tirar a população que reside na Venezuela e os que estão na diáspora, sonhem e acreditem que vem aí bom tempo.

 

*Hely Ferreira é cientista político e colunista da revista NORDESTE

 

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Redacao RNE

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