O FOCO NO NORDESTE
Por Walter Santos
Há em curso uma nova realidade econômica no Brasil, em particular no Nordeste, a gerar forte expectativa positiva em favor dos 9 estados. Esta é a opinião do empresário e consultor RICARDO DI CAVALCANTI – responsável por 33 anos de um escritório de Consultoria a partir do Recife como referência e padrão de qualidade.
Revista NORDESTE – O fato é que em 2026, o Escritório Di Cavalcanti chega à marca de 33 anos ininterruptos a partir de Pernambuco. Na sua opinião, qual o saldo maior dessa história?
Dr. Ricardo Di Cavalcanti – Indubitavelmente, tem sido muito gratificante, em todos os sentidos, colaborar com os programas de investimentos das Empresas, através de obtenção de financiamentos com taxas e prazos adequados e no aumento significativo de sua competitividade através de incentivos fiscais, tanto em nível federal quanto estaduais, nesse manicômio tributário, em todo o nordeste.
NORDESTE – Entre os serviços reconhecidos de seu Escritório estão as articulações e captação de investimentos para o mercado privado. Que avaliação o Sr faz do nível de investimentos bancários nos 9 estados?
Ricardo Di Cavalcanti – O Banco do Nordeste através do FNE tem efetivamente apoiado as Empresas da região. O BNDES que poderia colaborar muito mais com os financiamentos aos investimentos, não tem participado ativamente em tentar corrigir o sério desequilíbrio regional. Os financiamentos diretos e através dos bancos repassadores do BNDES não tem sido nem em montante do que a região participa da economia do país, apesar da região da Sudene ter cerca de 1/3 da população brasileira.
NORDESTE – Antes de chegar às abordagens regionais, o mundo convive com fato comercial extraordinário que é o acordo da União Europeia com Mercosul. Como isso impactara os 9 estados?
Ricardo Di Cavalcanti – Enfim, o acordo da União Europeia com o Mercosul fortalecerá os Estados Nordestinos, visto que atrairá grandes investimentos em diversas áreas como: Agronegócio, Infraestrutura Portuária, Logística e Centrais de Distribuições.
O alto poder de aquisição da União Europeia, além da sua grande dimensão territorial e a demanda por determinados produtos, abrirá as portas para um maior nível de exportação do Nordeste, através dos seus atuais estruturados complexos portuários.
NORDESTE – Quais as bases?
Ricardo Di Cavalcanti – Os investimentos realizados ao longos dos últimos anos nas estruturas aeroportuárias favorecerão o aproveitamento das vantagens comparativas.
NORDESTE – Em sua carteira de clientes, como identificar o maior nível de empresas entre os estados e, particularmente, o saldo a partir de Pernambuco?
Ricardo Di Cavalcanti – Devido a proximidade física, 67% dos clientes da Di Cavalcanti Consultoria são de PE, PB e AL. Ao longo dos 33 anos de atividade foram 268 atendimentos a clientes. Há 33 anos atua na prestação de serviços técnico-profissionais obtendo incentivos fiscais e financiamentos junto ao Banco do Nordeste e BNDES para seus Clientes, entre outras atividades. Eficácia na aprovação de crédito e de incentivos fiscais, tem sido o efetivo diferencial da Di Cavalcanti Consultoria Empresarial.
NORDESTE – Qual a expectativa de novos negócios da DI Cavalcanti para 2026 e da própria economia?
Ricardo Di Cavalcanti – O atual Governo de Pernambuco tem propiciado um excelente ambiente de negócio e realizado um amplo programa de investimentos em infraestrutura que tem gerado um grande efeito multiplicador nos negócios em todo o setor privado. O cenário é altamente positivo e atraente se houver continuidade de Gestão. O modelo de Administração Pública atual de Pernambuco deveria ser perseguido pelos demais Estados.
NORDESTE – Na condição de analista de mercado, qual o resultado prático do ano de 2025 dentro de uma visão macro dos negócios nordestinos?
Ricardo Di Cavalcanti – Os resultados são muitos diferentes entre os Estados. Os que de fato se preparam para ter boas perspectivas para o próximo ano, considerando o Nordeste, toda a região da Sudene, foram Pernambuco, Ceará e Minas Gerais.
NORDESTE – Para o Sr, o que a economia dos 9 estados tem gerado de novos negócios e em que Ramos de atividades com maior escala?
Ricardo Di Cavalcanti – Tradicionalmente, o turismo é uma vocação natural da região, além da logística, fruticultura irrigada, educação, saúde e indústria alimentícia.
NORDESTE – O Sr está em Recife desde os idos 70/80 quando ainda havia BANORTE. Que imagens e fatos o Sr se baseia para construir um reconhecido escritório de captação de recursos?
Ricardo Di Cavalcanti – Acredito ter tido decorrente de capacitação técnica-profissional e credibilidade, de toda a equipe.
NORDESTE – Por fim, qual o papel efetivo da SUDENE e BNB na construção do desenvolvimento regional?
Ricardo Di Cavalcanti – A Sudene tem um papel estratégico e institucional no Nordeste, apesar do montante do Fundo de Desenvolvimento Nordeste – FDNE ser ridiculamente reduzido, que ultimamentetem sido aplicado quase que exclusivamente na Transnordestina. Tem fomentado e administrado, com muita competência os incentivos fiscais de redução e reinvestimento IRPJ. O grande destaque positivo, sem dúvida nenhuma tem sido o Banco do Nordeste na Gestão do FNE – Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. O orçamento para 2026 é superior a R$ 52 bi. O BNDES é o que tem na última década deixado muito a desejar quanto a minimizar desequilíbrio regional no nosso país. Após o Programa Nordeste Competitivo, que impulsionou muito a região, só tem se destacado favoravelmente na região no apoio as concessões públicas no setor de saneamento.

