NINGUÉM SE PERDE NA VOLTA……
Já dizia o ‘homem de Tambaú’, nosso grande escritor paraibano, José Américo de Almeida, considerado por alguns intelectuais o pai do modernismo literário regional. Pensando assim, volto a ocupar esse espaço na Revista para falar sobre o assunto que mais amo, depois do Patrimônio Histórico e Artístico de nossa terra, o VINHO.
Estive por aqui há uns quinze anos. Há época, o Nordeste ainda era pobrezinho na comercialização de vinhos. Então vocês imaginem a dificuldade que era escrever sobre este tema.
A DICA DA EXPERIÊNCIA

Comecei a escrever em um blog criado por mim, cujo nome era Vinho, Prosa e Repente, por influência do amigo Neno Dias, o pioneiro na importação e distribuição de vinhos aqui na Paraíba, sua empresa, a LD-Importadora, ficava instalada em um galpão na cidade de Cabedelo. Um dia, Neno, como era carinhosamente chamado, chega e diz: “você é jornalista, ama vinhos devia escrever sobre isso”. E eu: não tenho essa expertise Neno. Nunca estudei sobre vinhos, só tenho litragem.
Fiquei matutando por alguns dias e me encantei pela ideia. Fui pesquisar uma boa escola e encontrei a Wine Spirit Education Trust e, só depois de estudar um pouco, criei o blog. Neno Dias foi meu grande incentivador e amigo.
Quem diria que um dia estaríamos escrevendo sobre vinhos produzidos do Brejo ao Sertão, passando pelo Vale do Sabugí. Tá duvidando? Duvide não. Vou usar um termo do meu amigo jornalista Jose Euflávio “quando eu disser que o burro morreu, pode togar fogo na cangalha”.
BANANEIRAS

Bananeiras desponta como um dos lugares mais promissores para a plantação de uvas vitiviníferas de nosso estado, pois reúne condições naturais e paisagísticas que conferem singularidade ao cultivo e, possivelmente, ao produto final. Bananeiras já foi um grande produtor de café e onde dá um bom café dá uma boa uva.
Foi acreditando em tudo isso que os proprietários do Condomínio Alteza foram a luta, reservaram uma parcela de terra e plantaram ali duas cepas: a Sauvignon Blanc (minha branca preferida) e Malbec.
Dia de Natal, aconteceu a primeira colheita no Alteza. Está pensando que vida de vitivinicultores é fácil? Nunca. Quem determina a colheita é a própria uva.
Neste dia foi colhida uma tonelada de Sauvignon Blanc. As uvas foram enviadas a Garanhuns, em transporte refrigerado e lá estão sendo vinificadas na Vinícola Melo, uma das duas vinícolas daquela cidade. Espera-se uma produção de 700 garrafas e, possivelmente, dentro de quatro meses, vamos degustar esse vinho. A expectativa é enorme.
NOVO PASSO
A segunda colheita, aconteceu no final da primeira quinzena de janeiro. Desta feita a colheita foi da cepa Malbec para a vinificação de vinhos Rose. Colhemos uma tonelada de uvas (COLHEMOS. Sentiu o orgulho?) Meninos eu vi e colhi. No mesmo dia seguiram viagem para Garanhuns.
Provavelmente, dentro de poucos dias, acontecerá a colheita da Malbec para tintos.
AMBIENTAÇÃO

Os vinhedos do Alteza são plantados em terraço, o que oferece diversas vantagens ambientais e paisagísticas, e melhor aproveitamento das áreas inclinadas, reduzindo o escoamento das águas da chuva e garantindo maior estabilidade ao terreno.
Vinhedos plantados em terraço, fortalece a beleza natural do ambiente, a identidade do lugar e agrega valores a projetos de enoturismo e experiências com o cultivo das uvas. No Alteza essa experiência está encantando moradores e visitantes. Guardada a proporção, nos sentimos no Douro e as lembranças foram muitas.
Esse pioneirismo da Conserpa/Enger, tenho certeza, será o pontapé inicial do desenvolvimento não só de Bananeiras, mas de toda região, que poderá ter os seus vinhos batizados de “Vinhos de Planalto”, assim como acontece em Santa Catarina, cujos vinhos por lá produzidos são chamados de Vinhos de Altitude.
Parabéns a todos e tamo junto.
Inté.
*Coluna publicada na edição 228 da Revista NORDESTE

