Iberia aposta no Nordeste e transforma Recife em nova porta de entrada do turismo europeu

Por Luciana Leão

O Brasil já ocupa a posição de principal destino turístico da América Latina e do Caribe para a companhia aérea espanhola Iberia. A inauguração da nova rota Recife–Madri, no último dia 13 de dezembro, reforça essa liderança e amplia as expectativas de crescimento do mercado, ao valorizar atributos estratégicos do Nordeste, como a riqueza cultural, as praias, o clima, a gastronomia e o potencial de Pernambuco como porta de entrada para turistas espanhóis interessados em conhecer outros estados da região. Além do Recife, a Iberia vai operar voos a partir de Fortaleza, em janeiro de 2026, inicialmente com três frequências semanais.

Em encontro com jornalistas, no Recife, executivos do International Airlines Group (IAG), holding que controla a Iberia desde 2011, apresentaram o chamado “Plano de Voo 2030”, estratégia para moldar os investimentos do grupo não somente na América Latina e Caribe, mas em novas rotas pelo mundo. De acordo com Antonio Linares, diretor de Vendas da Iberia na Espanha, Portugal e Norte da África, a estratégia é considerada ambiciosa.

Executivos da Iberia estiveram no Recife para expor o “Plano Voo 2030”, estratégia de crescimento da companhia aérea espanhola no país, a partir do Nordeste

Atualmente, o grupo atua em 145 destinos, distribuídos por 49 países, e pretende expandir sua presença para novos mercados na Ásia, como o Japão, e no Oriente Médio, com destaque para Doha, no Catar, além de outros destinos nos Estados Unidos e América Latina, por meio de acordos e parcerias.

O plano prevê investimentos da ordem de 6 bilhões de euros, concentrados principalmente na ampliação da frota aérea, das atuais 48 para 70 para servir o país. São aeronaves de longo alcance como o Airbus A350; Airbus A330 e Airbus A321-XLR.

No Brasil, a presença da Iberia remonta a julho de 1950, quando a companhia pousou pela primeira vez no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Em 2025, a Iberia fechou com 591 mil assentos disponíveis em voos que conectam o país à Espanha, um aumento de 27% em relação a 2024, além da projeção de crescimento de 25% no mercado brasileiro já no primeiro semestre do próximo ano, com as novas rotas do Recife e Fortaleza.

Linares lembrou, durante sua apresentação, a importância do apoio do Governo de Pernambuco, por meio da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), e do grupo Aena Brasil, também espanhol, concessionária do Aeroporto Internacional dos Guararapes para o retorno da companhia às terras pernambucanas, após 15 anos suspensos.

Novas rotas: a expansão futura

À Revista NORDESTE, o diretor Comercial da Iberia para o Brasil, Raphael De Lucca, afirmou que o grupo avalia, em um primeiro momento, a maturação das novas operações antes de avançar com outras rotas regionais, como Salvador.

“Precisamos identificar a maturação dos tráfegos, para então ampliar para outras capitais”, explicou, citando além de Salvador(BA), Maceió(AL) e João Pessoa(PB).

Inicialmente, a rota Recife–Madri conta com três frequências semanais, às segundas, quartas e sábados, operadas com a aeronave A321XLR, da Airbus, com capacidade para 182 passageiros.

O modelo, de corredor único, tem autonomia de até 4.700 milhas náuticas, pouco mais de 8.700 quilômetros. Há planos de ampliar para cinco frequências semanais, no entanto, tudo vai depender da demanda de passageiros brasileiros e espanhóis. A empresa deve lançar em março uma campanha publicitária para consolidar a nova rota.

Outra novidade anunciada é a possibilidade de stopover em Madri, dentro do programa “Hola Madrid” para passageiros brasileiros, permitindo uma permanência de uma a nove noites sem acréscimo no valor da passagem.

A iniciativa tende a estimular a demanda e ampliar o tempo de permanência dos turistas. “O Brasil é o primeiro destino a utilizar o stopover de uma a nove noites”, destacou De Lucca.

Também presente ao encontro, o vice-conselheiro de Turismo para a Comunidade de Madrid, Luis Martín Izquierdo reforçou a conexão entre as duas cidades, dois hubs de turismo cultural e gastronomia.

“A Espanha é um dos principais hubs na Europa e Recife na região Nordeste. São polos que se alinham na cultura, no esporte e na gastronomia. A Espanha hoje tem um crescimento expressivo em seu turismo e essa nova rota vai intensificar ainda mais essa conexão com o Brasil”.

Recife-Dubai via Emirates

Tim Clark, presidente da Emirates, e o ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho. Foto: Divulgação

A ampliação do turismo e das rotas comerciais para o exterior também pode ter novidades em 2026, caso se concretize as tratativas do Governo Federal, por meio do Ministério dos Portos e Aeroportos com a Emirates Airlines.
Em missão brasileira, no mês de novembro passado, o ministro Sílvio Costa Filho iniciou novas negociações para levar a Emirates Airlines ao Nordeste, e dessa forma, criar um voo direto entre a região e Dubai.

Costa Filho se reuniu com o presidente da Emirates Airlines, Tim Clark, e disse estar otimista, o que permitirá descentralizar a entrada de turistas estrangeiros no Brasil, maior parte concentrada em São Paulo e Rio de Janeiro.
Embora as tratativas ainda estejam no começo, o diálogo reforça o interesse do Brasil em ampliar a conectividade internacional.

A Emirates opera, hoje, voos diários em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas o Nordeste ainda não tem ligação direta com o Oriente Médio.

Além de rotas

A agenda de sustentabilidade também foi pauta da missão brasileira com representantes árabes, como a Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita. Foram discutidos investimentos na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil e cooperação técnica para o desenvolvimento de eVTOLs (os “carros voadores”), posicionando o Brasil na vanguarda da descarbonização do setor.

A missão brasileira também reforçou laços institucionais voltados à segurança. O ministro Sílvio Costa Filho se reuniu com o presidente da Interpol, major-general Ahmed Naser Al-Raisi, para debater a proteção do espaço aéreo e de rotas logísticas, uma pauta prioritária para garantir a integridade das operações de comércio exterior brasileiras. A continuidade das negociações dependerá de estudos de viabilidade da Emirates, segundo informações do Governo Federal.

 

 

*Matéria Publicada na Edição 227 da revista NORDESTE. Leia a edição completa aqui
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