BB define estratégias e desafios para disputar liderança atraindo mais negócios e clientes. Leia a entrevista publicada na edição 225 da revista NORDESTE ou acesse pelo app clicando aqui
Por Walter Santos
A conjuntura global do mercado financeiro impõe aos principais players, a exemplo do Banco do Brasil, planejamento continuado a exigir medidas atualizadas e, assim manter, o BB na linha frente. Em síntese é o que detalha minuciosamente a presidenta Tarciana Medeiros em entrevista exclusiva. Ela que está entre as executivas mais influentes do planeta, segundo a Forbes. Leia:
Revista NORDESTE – A dados da atual conjuntura, como poderíamos definir e retratar a realidade de estrutura e metas do BB no disputado mercado financeiro brasileiro?
Tarciana Medeiros – O Banco do Brasil se posiciona como uma instituição sólida e estratégica no mercado financeiro nacional. Nossa estrutura organizacional é robusta, com governança integrada e foco em especialização, o que nos permite atuar com agilidade e responsabilidade em diferentes frentes. As metas para os próximos ciclos combinam indicadores de rentabilidade, eficiência, experiência do cliente, além de impacto social e ambiental positivos.
Destacamos a ampliação do crédito com inteligência analítica, dentro das nossas projeções corporativas que anunciamos anualmente, e que incluem também linhas de resultado como lucro, receita com serviços, despesas e margem financeira bruta.
Além disso, temos compromissos claros com a agenda ASG, com metas ambiciosas até 2030, como crescimento da carteira de crédito sustentável e para energia renovável, ampliação de lideranças pretas, pardas, indígenas e outras etnias subrepresentadas, conservação florestal e investimento social privado, entre outros, que reforçam nosso papel como agente de transformação e que estão disponíveis na sua integralidade em bb.com.br/sustentabilidade.
Tudo isso contribui para que o Banco do Brasil continue exercendo um papel relevante na economia nacional e apoiando caminhos sustentáveis para o desenvolvimento do país.
NORDESTE – Que programas o Banco define como linha de frente na atual conjuntura visando diferenciar o BB das demais estruturas do mercado?
Tarciana Medeiros – O Banco do Brasil é uma empresa de capital aberto, e que com resultados consistentes, gera impacto junto à sociedade. A gente mostra todos os dias que é possível entregar lucro e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento do país.
Nosso foco é o resultado com propósito, porque o lucro que faz sentido é aquele que transforma a vida das pessoas e devolve valor à sociedade. Quando o BB apoia quem produz, quem empreende, quem estuda ou quem sonha, está fazendo o que sempre soube fazer melhor: impulsionar o país.
É assim que eu vejo o papel do Banco do Brasil, um banco moderno, competitivo e que cuida das pessoas, se mostrando próximo e relevante na vida dos clientes em todos os momentos. É isso que garante a nossa força e a nossa relevância.
NORDESTE – Cá para nós, como é conviver com a constatação de ser reconhecida pela Forbes como uma das 100 mais influentes mulheres do Mundo, universal, sem ignorar a raiz em Campina Grande, Paraíba?

Tarciana Medeiros – Olha, foi uma emoção muito grande. Eu recebi essa notícia com o coração em Campina Grande, lembrando das minhas origens e da minha família. Eu sempre tive inspirações dentro de casa. Minha mãe, minhas avós e tias, todas de nome Maria, as Marias da minha vida, me ensinaram que eu poderia ser o que eu quisesse ser. Com elas, aprendi a não desistir dos meus sonhos. Aprendi que sem educação não somos nada e que estudar tem poder libertador. Aprendi a não ter vergonha de trabalhar, desde que eu era feirante, porque qualquer trabalho é nobre.
Os desafios sempre foram grandes. Esse reconhecimento da Forbes não é só meu. Ele pertence a todas as mulheres brasileiras que sonham, trabalham e fazem o impossível caber no possível. Representar o Banco do Brasil e o Nordeste em um ranking mundial é uma alegria, um orgulho imenso, mas também uma responsabilidade: a de mostrar que o talento e a competência das mulheres podem, e devem, ocupar todos os espaços.
NORDESTE – Objetivamente enquanto instituição financeira de valor histórico dentro e fora do País, na sua opinião qual a fórmula para focar em resultados financeiros ainda abrigando ações e/ou políticas contemplando questões sociais?
Tarciana Medeiros – Eu costumo dizer que o Banco do Brasil é uma empresa de resultados, mas não só financeiros. A gente mede o sucesso também pelo impacto que gera. O resultado vem porque é fruto de um Banco que faz bem o seu papel social: é o principal banco do agronegócio, líder do crédito consignado, fortalece toda cadeia de valor com clientes do setor público e privado, além de financiar a casa própria, a cultura e o esporte do Brasil.
No final, apoiamos brasileiros a realizarem os seus sonhos. Nossos desafios são também nossas fontes de motivação, para levar desenvolvimento econômico e social para as diferentes regiões do país, apoiando negócios em diferentes segmentos e setores da economia. Temos uma atuação muito tecnológica, tirando o melhor da inteligência analítica e agora, com muita energia e força, da inteligência artificial, para que possamos ajudar nossos clientes e a sociedade a maximizarem suas conquistas.
Quando apoiamos pequenos municípios com crédito para infraestrutura, estamos apoiando o desenvolvimento local, gerando condições para instalação de empresas ou apoio ao escoamento de produtos, contribuindo diretamente com o desenvolvimento socioeconômico local. Quando atuamos na execução a políticas públicas como o PAA – Programa de Aquisição de Alimentos, por exemplo, apoiamos a geração de renda para pequenos agricultores familiares, fortalecendo diretamente comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas. Isso se soma à nossa atuação no nosso hub de bioeconomia.
O Hub de Ilhéus, por exemplo, funciona como base para agentes de crédito e correspondentes bancários especializados. O atendimento é “figital” — combinação entre o físico e o digital — e centraliza todas as iniciativas relacionadas à bioeconomia na região. O Hub oferece produtos financeiros adequados aos públicos de relacionamento do BB e viabiliza assistência técnica para produtores locais. Esses são apenas exemplos de como nosso espírito público pode apoiar o desenvolvimento do país, gerando resultados sustentáveis em toda a cadeia de valor.
NORDESTE – O banco integralmente tem histórico de referencial no país como um todo, mesmo assim como tratar o desempenho financeiro dos 9 estados e da influência digital no cenário em voga no trato de resultados do BB?
Tarciana Medeiros – O Nordeste é uma região estratégica para o Banco do Brasil e onde temos muito orgulho de atuar. Temos a maior rede de agências da região e vamos inaugurar o primeiro Centro Cultural Banco do Brasil no Nordeste, em Salvador. Será a quinta unidade do CCBB e que já oferece programação à população mesmo antes de o prédio ficar pronto, por meio de parcerias com outros aparelhos culturais da cidade.
Em 2024, inauguramos o Ponto BB Recife, onde os clientes podem desfrutar de um espaço para integração com a comunidade, com um rol de soluções digitais, e uma celebração da cultura local, de forma multissensorial. É um novo significado ao conceito de agência bancária e iniciamos o piloto pela capital pernambucana. O digital tem transformado a forma como nos relacionamos com os clientes.
O Movimento Aceleração Digital é um dos principais vetores da estratégia digital do BB para promover uma transformação na forma como operamos, inovamos e entregamos valor aos nossos clientes. Desde sua implementação, em 2023, o Movimento Aceleração Digital já envolveu mais de 2 mil funcionários do BB em 19 diretorias, com a criação de múltiplas Linhas, plataformas e centros de excelência (CoEs), que operam em modelos de times multidisciplinares.
A previsão é que até o final de 2026, mais de 10 mil funcionários do Banco estejam atuando no modelo. O Banco do Brasil avança ainda em soluções com uso de inteligência artificial, com impacto direto na melhoria da experiência do cliente. O atendimento do Banco no WhatsApp, por exemplo, atingiu 20 milhões de usuários no segundo trimestre de 2025, uma ampliação de 22,61% em comparação ao trimestre anterior.
Desde 2023, investimos R$ 18 bilhões em tecnologia, para proporcionar uma experiência digital de alta qualidade onde, quando e como o cliente quiser, e garantir aos clientes e funcionários soluções inovadoras, ágeis, flexíveis e confiáveis, sem abrir mão das pessoas e da governança. Hoje, 94% das operações do Banco já acontecem pelos canais digitais, mas isso não substitui o atendimento humano: ele complementa. O BB se orgulha de estar onde o cliente precisa, seja presencialmente, seja pelo aplicativo. É o que eu chamo de “um Banco do Brasil para cada cliente”.
NORDESTE – Na sua opinião, como o BB se posiciona na atualidade em termos de estrutura e transição para o mundo e negócios digitais?
Tarciana Medeiros – O BB é reconhecido internacionalmente como um dos bancos mais tecnológicos do mundo. Isso é fruto de uma cultura de inovação muito forte e de um corpo técnico altamente qualificado. Estamos investindo no Modelo de Aceleração Digital, conforme já falei, em inteligência analítica, segurança cibernética, inteligência artificial e automação de processos, sempre com o foco em melhorar a experiência do cliente. O digital não é um fim em si mesmo. Ele é uma ferramenta para aproximar o Banco das pessoas e democratizar o acesso aos serviços financeiros.
NORDESTE – Vivemos uma fase no País em que uma das principais pautas da atualidade é a inserção da COP 30. Qual o papel e participação do BB nesse grande evento?
Tarciana Medeiros – O Banco do Brasil terá um papel ativo e protagonista na COP30, contribuindo com a agenda de soluções sustentáveis que conectam desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Reconhecido pela sexta vez como o banco mais sustentável do mundo pelo ranking Global 100, o BB apresentará em Belém sua trajetória e os resultados concretos da Agenda 30 BB, que impulsiona negócios e ações sustentáveis e apoia iniciativas que fortalecem a transição justa e a economia de baixo carbono.
Entre os destaques das soluções climáticas que o Banco do Brasil apresentará na COP30, o projeto Hub de Sociobioeconomia que valoriza as cadeias produtivas da floresta em pé, com unidades nas capitais do Amazonas, do Pará e em Ilhéus, na Bahia. O hub pretende alcançar R$5 bilhões em financiamentos até 2030; as soluções de blended finance através do Ecoinvest para canalizar recursos privados e públicos em projetos de impacto, a exemplo do anúncio realizado durante a Climate Week, em Nova York, em setembro, com a captação de US$ 100 milhões para projetos do Eco Invest Brasil; e as ações do Programa Agricultura de Baixo Carbono, que fazem do BB o maior financiador da agropecuária sustentável do planeta.
Fomos ainda o primeiro banco do Brasil a declarar uma projeção financeira específica de sustentabilidade ao mercado e temos o compromisso de financiar R$ 500 bilhões em crédito sustentável até 2030. Estamos trabalhando para transformar o BB em um ator chave para o financiamento dos projetos de carbono, oferecendo soluções integradas que vão desde a identificação e conexão de projetos sustentáveis até a facilitação da negociação de créditos de carbono.
Nosso compromisso é preservar ou reflorestar ao menos 2 milhões de hectares e recuperar 1,5 milhão de hectares de áreas degradadas. Para isso, devemos anunciar durante a COP parcerias e assinaturas de contratos visando atingir essas metas. O Banco do Brasil participará de painéis e diálogos de alto nível, contribuindo para a discussão climática e social global com ações de impacto efetivo e mensurável.
O BB acredita no poder transformador das parcerias e na responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade para viabilizar uma economia de baixo carbono. Durante a COP30, o Banco anunciará novas parcerias estratégicas, a exemplo da recém firmada com o Governo do Pará durante a Climate Week NY, e dará ênfase às suas captações internacionais, fundamentais para ampliar o acesso a recursos verdes e financiar projetos sustentáveis em todo o país. Nossa presença na COP30 reafirma o papel do Banco do Brasil como parceiro do país na construção de um futuro mais verde, inclusivo e próspero.
NORDESTE – Dentro de uma temática de responsabilidade fiscal, qual é a participação do banco em relação ao incentivo e/ou patrocínio de auto sustentação de Biomas como da Caatinga nordestina?
Tarciana Medeiros – A Caatinga é um patrimônio do Nordeste. O Banco do Brasil, por meio da Fundação BB, apoia projetos de convivência com o semiárido, de preservação ambiental e de geração de renda para comunidades locais. Financiamos iniciativas de agroecologia, reflorestamento e energia renovável que ajudam o sertanejo a permanecer na sua terra com dignidade. Preservar a Caatinga é cuidar da nossa identidade e garantir sustentabilidade para as próximas gerações.
NORDESTE – Estamos em pleno último trimestre do ano. Quais as metas e principais desafios do BB no País?
Tarciana Medeiros – Nossas metas seguem firmes: crescer a carteira de crédito de forma responsável, ampliando o crédito produtivo – especialmente no agro, junto às pessoas físicas, com especial foco no crédito consignado do trabalhador, nas micro e pequenas empresas e na infraestrutura – e seguir avançando na agenda ASG. Temos o desafio permanente de entregar resultados do tamanho do Banco do Brasil, com eficiência, inovação e propósito. E, claro, continuar sendo um banco próximo das pessoas, que fala a linguagem do Brasil real.
NORDESTE – Como é comandar tamanha instituição financeira da dimensão do BB encarando e superando tantos preconceitos em nível geral?
Tarciana Medeiros – É uma missão e um privilégio. Eu sou a primeira presidenta mulher do Banco do Brasil e tenho certeza de que não serei a única. Estar à frente de uma empresa desta traz desafios enormes, do tamanho do BB mesmo, e é uma forma de mostrar que representatividade importa e transforma. Ainda existem preconceitos, mas eu aprendi desde cedo a não reduzir meu espaço para caber no de ninguém. Eu acredito no trabalho, na ética e na força das pessoas. E sigo com a convicção de que o exemplo é o caminho: cada mulher que chega ao topo abre a porta para muitas outras.

