Grupo TUAREGS, de João Pessoa, comemora mais de 55 anos de história singular

Por Walter Santos

 

João Pessoa, Capital da Paraíba, convive com um dos mais importantes grupos de música como poucas capitais dispõem. TUAREGS é o nome da referência nacional. Acompanhemos a entrevista com o líder Roberto Dias:

Revista NORDESTE – Os fatos provam que você lidera com sua filha Janaína um dos grupos de bailes mais antigos a partir do passado da Jovem Guarda até agora convivendo com os novos estilos. Como você define chegar até aqui com identidade singular no País? 

ROBERTO DIAS – Primeiro, ter compromisso com um público que veio de geração em geração desde os anos 70 até aqui nos prestigiando. Segundo, ter a cabeça aberta para ver os jovens que vão aos nossos shows e querem ver novas músicas.

NORDESTE – A dados comprovados, vocês representam o que nos anos 70/80 foram Renato & Seus blues caps, The Fevers, etc, que aparentam não ter mais a mesma dinâmica e reconhecimento contemporâneo. Qual o segredo para chegar até aqui com repercussão?

ROBERTO DIAS – A música é uma frequência que está nas pessoas. Se observarmos, temos sabido escolher as composições certas em cada momento.

NORDESTE – Cá pra nós, como foi o início do grupo TUAREGS a partir do bairro de Jaguaribe, em João Pessoa? Como era a formação e chegar até aqui?

ROBERTO DIAS – No começo, éramos oito jovens que só queríam tocar boas músicas. Tempos depois, já estávamos no caminho de profissionalizar a banda. E do quinto ano em diante, com a banda em crescimento, passamos a dedicação total à música.

NORDESTE – vamos combinar: vocês surgem na Jovem Guarda que há anos não existe mais. Como foi se ressignificar e chega até aqui?

ROBERTO DIAS – Começamos com o coração. Depois, a emoção e chegamos na sequência com a razão. Depois ainda voltamos à emoção de continuar a música de qualidade. Tivemos períodos difíceis, mas lutamos muito principalmente, dos anos 90 até 2005. 

NORDESTE – aliás, qual o segredo para dialogar com as novas gerações? A vocalista singular Janaína, sua filha, é um desses Segredos?

ROBERTO DIAS – Sim. Ela tem facilidade de se comunicar com as pessoas, de sua idade, geração e eu com as de minha idade. 

NORDESTE – quais os projetos musicais de futuro do TUAREGS?

ROBERTO DIAS – Espero poder até 2026, fazer um show, “ Tuareg’s in Consert” e, se Deus me permitir produzir um documentário dirigido por Walter Santos sobre nossa trajetória, o que seria um honra.

NORDESTE – como é avaliar a produção e veiculação de projeto autoral? Como vcs tratam isso?

ROBERTO DIAS – Essa é a parte mais difícil. Fazer música pra mim autoral é fácil, mas veicular é difícil. Tudo é pago e nós como uma banda de baile, nesse momento de que a música tomou as ruas com leis para ser famoso, nosso acesso é muito pouco.

NORDESTE – O que vocês pretendem deixar como legado às novas gerações?

ROBERTO DIAS – Dignidade musical, respeito à quem nos ouve. Obrigado.

 

 

*Entrevista publicada na edição 223 da Revista NORDESTE, Agosto 2025

 

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Ana Júlia Silva

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