Por Walter Santos
João Pessoa, Capital da Paraíba, convive com um dos mais importantes grupos de música como poucas capitais dispõem. TUAREGS é o nome da referência nacional. Acompanhemos a entrevista com o líder Roberto Dias:
Revista NORDESTE – Os fatos provam que você lidera com sua filha Janaína um dos grupos de bailes mais antigos a partir do passado da Jovem Guarda até agora convivendo com os novos estilos. Como você define chegar até aqui com identidade singular no País?
ROBERTO DIAS – Primeiro, ter compromisso com um público que veio de geração em geração desde os anos 70 até aqui nos prestigiando. Segundo, ter a cabeça aberta para ver os jovens que vão aos nossos shows e querem ver novas músicas.
NORDESTE – A dados comprovados, vocês representam o que nos anos 70/80 foram Renato & Seus blues caps, The Fevers, etc, que aparentam não ter mais a mesma dinâmica e reconhecimento contemporâneo. Qual o segredo para chegar até aqui com repercussão?
ROBERTO DIAS – A música é uma frequência que está nas pessoas. Se observarmos, temos sabido escolher as composições certas em cada momento.
NORDESTE – Cá pra nós, como foi o início do grupo TUAREGS a partir do bairro de Jaguaribe, em João Pessoa? Como era a formação e chegar até aqui?
ROBERTO DIAS – No começo, éramos oito jovens que só queríam tocar boas músicas. Tempos depois, já estávamos no caminho de profissionalizar a banda. E do quinto ano em diante, com a banda em crescimento, passamos a dedicação total à música.
NORDESTE – vamos combinar: vocês surgem na Jovem Guarda que há anos não existe mais. Como foi se ressignificar e chega até aqui?
ROBERTO DIAS – Começamos com o coração. Depois, a emoção e chegamos na sequência com a razão. Depois ainda voltamos à emoção de continuar a música de qualidade. Tivemos períodos difíceis, mas lutamos muito principalmente, dos anos 90 até 2005.

NORDESTE – aliás, qual o segredo para dialogar com as novas gerações? A vocalista singular Janaína, sua filha, é um desses Segredos?
ROBERTO DIAS – Sim. Ela tem facilidade de se comunicar com as pessoas, de sua idade, geração e eu com as de minha idade.
NORDESTE – quais os projetos musicais de futuro do TUAREGS?
ROBERTO DIAS – Espero poder até 2026, fazer um show, “ Tuareg’s in Consert” e, se Deus me permitir produzir um documentário dirigido por Walter Santos sobre nossa trajetória, o que seria um honra.
NORDESTE – como é avaliar a produção e veiculação de projeto autoral? Como vcs tratam isso?
ROBERTO DIAS – Essa é a parte mais difícil. Fazer música pra mim autoral é fácil, mas veicular é difícil. Tudo é pago e nós como uma banda de baile, nesse momento de que a música tomou as ruas com leis para ser famoso, nosso acesso é muito pouco.
NORDESTE – O que vocês pretendem deixar como legado às novas gerações?
ROBERTO DIAS – Dignidade musical, respeito à quem nos ouve. Obrigado.
*Entrevista publicada na edição 223 da Revista NORDESTE, Agosto 2025

