João Pessoa 440 anos: cidade histórica se consolida como motor da economia paraibana

Paulo Galvão Júnior (*)

O presente artigo apresenta uma breve análise dos principais indicadores demográficos e socioeconômicos de João Pessoa na atualidade. Como parte da edição especial da Revista NORDESTE, em celebração aos 440 anos de João Pessoa, o estudo tem como propósito destacar a relevância estratégica de capital paraibana nos contextos estadual, regional, nacional e internacional.

 

Breve histórico da cidade

Fundada em 5 de agosto de 1585, às margens do Rio Sanhauá, sob o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, em homenagem à Santa do dia, visto que os colonizadores portugueses eram católicos. A cidade colonial portuguesa foi renomeada em 28 de dezembro de 1585 para Filipéia de Nossa Senhora das Neves, em homenagem ao rei Felipe II, da União Ibérica, permanecendo assim até 24 de dezembro de 1634.

Durante o período da ocupação holandesa, adotou o nome Frederikstadt, em homenagem ao Príncipe de Orange, Frederico Henrique, e durou até 1 de fevereiro de 1654. Com a restauração do domínio português, passou a se chamar Parahyba do Norte, denominação mantida até 4 de setembro de 1930, quando foi oficialmente rebatizada como João Pessoa, em tributo póstumo ao então presidente do estado da Paraíba, o advogado e político paraibano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assinado em 26 de julho de 1930 na Confeitaria Glória, na cidade de Recife, pelo advogado paraibano João Dantas, sendo o estopim da Revolução de 1930.

Indicadores demográficos e econômicos

Este artigo aborda os principais indicadores demográficos e socioeconômicos de João Pessoa, como a população estimada, o PIB nominal, o PIB per capita, o IPS, o Índice de Gini, o IDHM, o número de estudantes do ensino superior, a frota de veículos, o número de leitos hospitalares, o número de leitos em MHs, o número de pessoas em situação de pobreza, o número de desempregados, o número de famílias beneficiadas com o PBF e o número de domicílios particulares.

Segundo o IBGE, João Pessoa é a cidade mais populosa da Paraíba e concentra 21,8% da população estimada do estado. É a sétima capital mais populosa do Nordeste e a que mais cresceu populacionalmente na região entre 2010 (595.429 hab.) e 2024 (888.679 hab.), impulsionada por migração interna e pelos aposentados oriundos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Natal.

João Pessoa tem um PIB nominal de R$ 22,2 bilhões e representa 28,71% do PIB paraibano em 2021, conforme o IBGE. Como município com o maior PIB da Paraíba, João Pessoa concentra a maioria das atividades industriais, serviços públicos e privados no estado. O PIB per capita de R$ 26.936,78 reflete uma economia urbana em expansão e encontra-se na oitava posição no ranking estadual.

Qualidade de vida e desigualdade

O IPS de 67,00 posiciona João Pessoa como líder entre as capitais nordestinas e na 9ª colocação nacional no ano de 2025. O IPS 2025 avalia 57 indicadores em três dimensões, como necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades, evidenciando a qualidade de vida na capital paraibana.

Em 2023, João Pessoa registrou um Índice de Gini de 0,629, o mais elevado entre as capitais brasileiras, segundo o IBGE. Esse alto coeficiente de Gini revela uma acentuada concentração de renda, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à inclusão social, estímulos à empregabilidade e acesso à moradia popular.

O IDHM de João Pessoa é de 0,763 em 2010, o que o classifica como IDHM alto e o posiciona como o mais elevado da Paraíba, conforme o PNUD, em parceria com o IPEA e a FJP. Torna-se essencial refletir sobre os avanços nos IDHMs Educação (0,693), Renda (0,770) e Longevidade (0,832) em João Pessoa. A análise integrada desses três IDHMs é fundamental para subsidiar políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população pessoense e à elevação do IDHM para o patamar de muito alto no próximo ranking estadual, regional e nacional.

Educação superior e inovação tecnológica

A educação superior é um dos pilares do desenvolvimento sustentável e do desenvolvimento humano muito elevado. Com mais de 90 mil estudantes universitários no ano de 2024, de acordo com o MEC, a cidade nordestina abriga instituições de ensino superior, como UFPB, UNIPÊ, UNINASSAU e UNICORP Faculdades, que impulsionam inovação tecnológica e o surgimento de novas empresas e startups.

Mobilidade urbana

Segundo o DETRAN-PB, em 2023, a frota de veículos em João Pessoa era de 456.732 veículos e representava 28,6% da frota estadual, logo, demandando planejamento de mobilidade urbana eficiente, especialmente nas avenidas Hilton Souto Maior, Ruy Carneiro, Dom Pedro II, Epitácio Pessoa, Cruz das Armas e Argemiro de Figueiredo. A PMJP investe em transporte público com corredores exclusivos e renovação da frota de ônibus.

Saúde pública e novos leitos hospitalares

Os serviços públicos de saúde de João Pessoa contam com aproximadamente 3.800 leitos hospitalares em 2023, distribuídos entre unidades municipais, estaduais e universitárias. Esse número reflete as aplicações em serviços públicos de saúde de João Pessoa, na ordem de R$ 1,121 bilhão em 2023, conforme o TCE-PB.

O Hospital da Mulher Dona Creuza Pires, localizado na Avenida Cruz das Armas, no bairro de Cruz das Armas, foi inaugurado no aniversário de João Pessoa. A nova unidade hospitalar estadual representa um marco na assistência à saúde feminina, oferecendo 203 leitos hospitalares, incluindo UTI adulto e neonatal, centro cirúrgico obstétrico, centro de parto normal, banco de leite humano, ambulatório especializado e centro de imagem de alta resolução.

Turismo em expansão

Em 2024, o setor de hospedagem registra mais de 12 mil leitos em MHs, e concentra 39,1% do total dos leitos em MHs da Paraíba, de acordo com a PBTur. Em 2025, João Pessoa foi reconhecida pela Booking.com como o terceiro destino turístico mais procurado do mundo, atrás de Sanya (China) e Trieste (Itália), destacando-se por suas praias limpas, infraestrutura verde e hospitalidade acolhedora.

A capital paraibana sempre atrai turistas nacionais e internacionais para o Réveillon com shows gratuitos em frente ao letreiro de João Pessoa, localizado no Busto de Tamandaré, um dos pontos turísticos mais icônicos da cidade, oferecendo o privilégio de assistir aos primeiros raios de sol do Brasil nas areias brancas das praias de Tambaú e Cabo Branco.

Desigualdade social e programas sociais

É preciso revelar que 140 mil pessoas vivem em situação de pobreza absoluta em João Pessoa, segundo o IBGE. Além disso, 89.215 pessoas estavam desempregadas no ano de 2024, conforme o Novo CAGED. Diante desse contexto desafiador, a PMJP tem intensificado os investimentos em capacitação profissional, inclusão produtiva e programas sociais estruturantes, com o objetivo de ampliar as oportunidades de geração de emprego e renda.

Vale ressaltar que João Pessoa concentra o maior número de famílias atendidas pelo PBF na Paraíba desde outubro de 2003. São 80,3 mil famílias beneficiadas em julho de 2025, a partir de um investimento mensal de R$ 53,7 milhões e valor médio de benefício de R$ 669,01 por mês. Esses dados do MDS revelam a expressiva abrangência do PBF para garantir condições mínimas de subsistência, evidenciando sua relevância no combate à pobreza.

Habitação e urbanização

João Pessoa contabilizou 296.249 domicílios particulares em 2022, consolidando-se como um dos principais polos urbanos em expansão no Nordeste. O mercado imobiliário vive um boom, conforme o SINDUSCON/JP. Os bairros de Altiplano, Cabo Branco, Tambaú, Manaíra, Bessa e Jardim Oceania lideram o processo de verticalização de empreendimentos imobiliários.

O município de João Pessoa é a capital do estado da Paraíba, possui área territorial de 210,04 km² e está dividido em 65 bairros, sendo o Varadouro o bairro mais antigo. A então cidade colonial lusitana evoluiu das margens do Rio Sanhauá no séc. XVI até o Oceano Atlântico, consolidando-se como cidade brasileira de referência em qualidade de vida em pleno séc. XXI.

Sustentabilidade e meio ambiente

Diante dos impactos das mudanças climáticas e das tensões comerciais entre EUA e Brasil, torna-se essencial refletir sobre os principais caminhos para a promoção da prosperidade econômica da capital paraibana em plena Quarta Revolução Industrial.

A educação pública tem se destacado como vetor da transformação socioeconômica. A rede municipal foi premiada na Expotec 2025, a maior feira de tecnologia do Nordeste, com projeto do “Detector de Gás GLP”, um protótipo capaz de identificar vazamentos de gás de forma precoce e emitir alertas. No entanto, é necessário ampliar o número de CMEIs e melhorar o atendimento às crianças de 0 a 5 anos, além de reduzir o número de jovens “nem-nem”.

Patrimônio histórico-cultural e economia criativa

João Pessoa é a terceira capital mais antiga do Brasil e encanta turistas nacionais e internacionais com suas belezas naturais. O Centro Histórico tem casarões coloniais e igrejas centenárias, o Parque da Lagoa tem uma ampla área de lazer integrada à natureza, enquanto o Espaço Cultural José Lins do Rego oferece biblioteca, teatro, cinema, museu e planetário.

Na orla de 24 km, prédios modernos contrastam harmoniosamente com praias de águas mornas e tranquilas. O Farol do Cabo Branco é um dos principais pontos turísticos da cidade. A Estação Cabo Branco Ciência, Cultura e Artes é uma obra arquitetônica de extraordinária beleza, idealizada pelo renomado arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. A gastronomia regional é rica em sabores e proporciona uma experiência única aos turistas brasileiros e estrangeiros.

Polo Turístico Cabo Branco

Localizado na Praia de Jacarapé, o Polo Turístico Cabo Branco é o maior complexo turístico planejado do Nordeste, com 654 hectares entre o Oceano Atlântico e a Mata Atlântica. A iniciativa privada investirá mais de R$ 2,3 bilhões no Polo, com 9 resorts de alto padrão, como o Tauá Resort & Convention João Pessoa; 1 parque aquático, como o Acquaí Park; 2 parques temáticos, como o Parque Terra dos Dinos. Serão mais de 13 mil leitos em MHs na capital.

Além dos empreendimentos privados, o Polo Turístico Cabo Branco incluirá também equipamentos públicos, como o Boulevard dos Ipês (a ser inaugurado no Réveillon), a Escola de Gastronomia, Hotelaria e Idiomas, e a Vila dos Pescadores, próximos ao Centro de Convenção de João Pessoa inaugurado em 26 de agosto de 2012. As projeções indicam que serão gerados cerca de 20 mil empregos formais.

Retomada do Hotel Tambaú e setor de alimentação fora do lar

Um caminho estratégico para a prosperidade econômica de João Pessoa é a reinauguração do Hotel Tambaú, visando transformar o nosso maior cartão postal desde 1971, em um hotel moderno de nome Ocean Palace Tambaú, preservando sua arquitetura circular e impulsionando à criação de vagas de trabalho com carteira de trabalho assinada.

A maior cidade litorânea da Paraíba apresenta forte potencial de crescimento no segmento de alimentação fora do lar, que abrange bares, restaurantes, lanchonetes e similares. Impulsionado pelo turismo doméstico, pela expansão urbana e pelas mudanças nos hábitos de consumo da população, esse segmento econômico tende a se consolidar na oferta de empregos formais.

Desafios e perspectivas em mobilidade urbana e saúde

A mobilidade urbana passa por transformação com a renovação da frota de ônibus, incluindo veículos elétricos. O projeto BRS, com investimento de R$ 240 milhões, prevê corredores exclusivos e terminais modernos para melhorar a fluidez do trânsito, por isso a importância de maiores investimentos públicos em ciclovias e ciclofaixas e a ampliação do VLT na cidade envolvendo a expansão da malha ferroviária.

A saúde pública demanda consistentes investimentos públicos. São necessários mais USFs e melhorias na regulação de atendimentos e na oferta de pré-natal adequado. A população idosa enfrenta riscos frequentes de quedas em várias calçadas e ruas esburacadas e dificuldades de acesso a serviços especializados, exigindo maior atenção da gestão municipal e das famílias.

Construção civil e saneamento básico

A construção civil será um fator decisivo para a expansão do mercado de trabalho, diante da valorização expressiva do mercado imobiliário das áreas litorâneas e nobres da cidade. Segundo o Índice FipeZAP, João Pessoa acumula uma alta de 9,20% no valor dos imóveis residenciais em 2025, a 3ª capital brasileira com maior valorização no ranking nacional.

A Cidade das Acácias possui a maior reserva urbana de Mata Atlântica do país, com 343 hectares, mas apenas 69,19% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado, segundo dados de 2023 do IBGE. Esse dado reforça a necessidade de maiores investimentos públicos em saneamento básico.

A futura inauguração do Parque da Cidade, no antigo Aeroclube, representa um investimento de R$ 123 milhões e promete elevar os indicadores de qualidade de vida em João Pessoa, consolidando o desenvolvimento urbano sustentável de uma cidade secular e verde.

Conquistas ambientais e problemas urbanos

Em setembro de 2024, João Pessoa destacou-se nacionalmente ao registrar a melhor qualidade do ar entre as capitais brasileiras, empatando com Natal. Ambas apresentaram um AQI igual a 10, de acordo com a empresa suíça IQAir em sua plataforma gratuita de monitoramento das condições do ar no mundo. Esse excelente resultado evidencia o compromisso da nossa linda terra natal com a sustentabilidade urbana e a preservação ambiental.

É essencial resolver também os sérios problemas da cidade, como a taxa de mortalidade infantil de 12,58 por mil nascidos vivos, a taxa de homicídios de 23,5 a cada 100 mil hab., a poluição causada por esgoto clandestino, o número crescente de imóveis fechados, abandonados, depredados e pichados no Centro Histórico, o trânsito caótico em certos horários, a falta de sinalização turística, o precário atendimento na rodoviária e aproximadamente 788 pessoas em situação de rua.

Jampa é uma Cidade Criativa da UNESCO, desde 31 de outubro de 2017, na categoria Artesanato e Arte Popular, e com potencial para mais investimentos em patrimônio cultural, artes, mídias e criações funcionais. Jampa tem programas audaciosos na economia verde, como o Programa João Pessoa Sustentável, com investimento de US$ 159,4 milhões, sendo US$ 100 milhões do BID mais contrapartida da PMJP desde 20 de dezembro de 2018.

João Pessoa, a cidade onde o sol nasce primeiro nas Américas

Concluindo, João Pessoa é o motor da economia paraibana. Possui o melhor IPS entre as capitais nordestinas. Apresenta o ar mais puro entre as capitais brasileiras. Destaca-se também por um dos menores custos de vida e pela terceira cesta básica mais barata das capitais do Brasil, com valor de R$ 636,16 em junho de 2025, conforme o DIEESE.

Em seus 440 anos de rica História, a cidade teve cinco nomes e mais de 40 prefeitos desde 15 de março de 1895. Em 24 de dezembro de 1859 a cidade possuía cerca de 25 mil hab. e recebeu o imperador Dom Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina e membros da comitiva imperial. É um dos destinos turísticos mais procurados para hospedagem, recebendo 1.440.334 turistas em 2024, conforme a PBTur, com suas encantadoras piscinas naturais de Picãozinho, do Seixas e do Caribessa.

Com a orla urbana mais bonita do Nordeste, um clima tropical, um povo hospitaleiro e trabalhador, a cidade se destaca com o maior PIB estadual nas categorias Total, Industrial, Serviços Gerais e Serviços Públicos e que alcançará 1 milhão de hab. nos próximos anos.

No ponto mais oriental das Américas, na emblemática Ponta do Seixas, ergue-se a linda João Pessoa, a cidade onde o sol nasce primeiro. A Porta do Sol é mais do que um destino turístico em ascensão, é uma cidade que pulsa fé, como evidencia a tradicional Festa das Neves, celebrada desde 1586 em homenagem à padroeira, Nossa Senhora das Neves. Milhares de fiéis católicos partindo da Catedral de Nossa Senhora das Neves Fiéis acompanharam a imagem da padroeira da cidade pelas ruas do Centro Histórico, e retornaram à Basílica.

Parabéns, João Pessoa, pelos seus 440 anos! Que o belíssimo nascer do sol na Ponta do Seixas continue sendo símbolo de esperança por dias melhores e que o lindíssimo pôr do sol no Hotel Globo siga como retrato da paz no mundo.

 

 

(*) É economista pessoense, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, autor de 18 e-books de Economia, apresentador do Programa Economia em Alta na Rádio Alta Potência, na Torre, e eleito Economista do Ano 2019 e Professor de Economia do Ano 2023 pelo CORECON-PB.
**Artigo publicado na edição 223 da revista NORDESTE
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Redacao RNE

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