Presidente inaugura fábrica da Hemobrás e envia recados a Trump e aos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nesta quinta-feira (14) em Goiana, Zona da Mata de Pernambuco, para inaugurar a nova unidade de hemoderivados da Hemobrás — projeto de R$ 1,9 bilhão que marca um avanço estratégico para a autonomia do Brasil na produção de medicamentos essenciais ao SUS, como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação VIII e IX.

Localizada no Complexo Industrial de Goiana, a planta tem capacidade para processar até 500 mil litros de plasma por ano e, em quatro anos, produzir seis tipos de hemoderivados no país. A implantação de novos blocos permitirá reduzir a dependência de importações e fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).

Durante a cerimônia, Lula destacou que a fábrica é símbolo da política de interiorização do desenvolvimento e lembrou sua trajetória como nordestino:

“Quando você governa, precisa decidir se atende apenas a quem já tem ou se corrige desigualdades históricas. Essa fábrica é uma decisão feita para dar ao Nordeste o lugar que merece.”

Críticas ao “tarifaço” de Trump

No mesmo discurso, o presidente reagiu à decisão de Donald Trump de elevar tarifas sobre produtos brasileiros, classificando a medida como “insensata” e “injustificável”. Ele ressaltou que, em 2023, os EUA tiveram superávit de US$ 7 bilhões no comércio bilateral, e que, nos últimos 15 anos, acumularam saldo positivo de US$ 410 bilhões frente ao Brasil.

Lula afirmou que o país buscará diversificar exportações, ampliando parcerias com mercados como China, Índia, Rússia e Alemanha:

“Não vamos ficar chorando. Se os EUA não quiserem comprar, venderemos para outros países. Não somos subservientes nem arrogantes. Somos da paz, mas não mexam conosco.”

Soberania, Cuba e política externa

O presidente também defendeu o fim do bloqueio norte-americano a Cuba e pediu respeito à autodeterminação do povo cubano. Em tom firme, declarou que “os EUA não são imperadores” e que o Brasil manterá relações internacionais pautadas pelo respeito mútuo:

“Qualquer nordestino é tão importante quanto o povo americano. Se eu respeito o povo americano, ele tem que respeitar o povo brasileiro.”

Mais Médicos e soberania social

Ao falar sobre o programa Mais Médicos, Lula reforçou a necessidade de levar profissionais de saúde às periferias e áreas remotas, ligando saúde, educação e segurança alimentar ao conceito de soberania:

“Um país soberano cuida da educação, garante comida para todos e assegura saúde de qualidade”

Regulação das plataformas e críticas a Bolsonaro

Lula confirmou que enviará ao Congresso um projeto para regular plataformas digitais, com foco no combate à pedofilia, ao discurso de ódio e à desinformação. Também rebateu críticas vindas de Trump sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o ex-mandatário responde por “mazelas” e “tentativa de golpe” no Brasil.

O presidente ainda criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA e sugeriu que o Parlamento discuta sua cassação por “traição à pátria”.

 

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Redacao RNE

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