A adoção do trabalho remoto caiu no país após a pandemia, mas ainda mantém força em setores como serviços e atendimento ao cliente. Segundo nota técnica da Fundação Getulio Vargas (FGV), 32,7% das empresas no Brasil mantinham o modelo home office em outubro de 2022, contra 57,5% em 2021. Apesar da queda, empresas como a AeC têm ampliado as oportunidades 100% remotas em cidades de médio porte, com destaque para o Nordeste.
Com sede em Belo Horizonte (MG) e unidades em 14 estados, a AeC tem apostado na interiorização do home office como estratégia de expansão, geração de empregos e fomento à economia local. Somente nas operações de Mossoró (RN) e Arapiraca (AL), a empresa mantém cerca de 6,4 mil colaboradores trabalhando de forma remota. Até o fim do ano, a expectativa é abrir mil novas vagas 100% remotas na região do Vale do Jaguaribe, com a instalação de uma nova base em Aracati (CE).
Segundo a diretora jurídica e de compliance da AeC, Flávia Tomagnini, o modelo remoto amplia o acesso ao mercado formal em áreas antes pouco contempladas pelas grandes corporações. “Com essa mobilidade, conseguimos chegar em cidades como Aracati, Patos e Palmeira dos Índios, promovendo qualificação, geração de renda e conectividade com o núcleo familiar”, afirma.
Expansão regional
A AeC está presente em municípios estratégicos do Nordeste, como Juazeiro do Norte (CE), Campina Grande (PB), Mossoró (RN) e Arapiraca (AL). A lógica da empresa é crescer fora dos grandes centros urbanos, aproveitando a disponibilidade de mão de obra e o potencial de impacto social e econômico nas regiões onde atua.
Atualmente, a AeC emprega mais de 17 mil colaboradores em home office em todo o país. A empresa afirma que 70% do seu faturamento retorna aos municípios em forma de salários, dinamizando o comércio local. “Esse salário periódico cria um ciclo virtuoso nessas cidades. Supermercados, salões de beleza, lojas e cinemas começam a se beneficiar desse movimento”, explica Tomagnini.
Benefícios ambientais
A modalidade também contribui com metas ambientais ao reduzir a necessidade de deslocamento diário, o que diminui as emissões de gases de efeito estufa. “Há uma redução de mais de 40% nas emissões em comparação com o modelo presencial”, destaca a diretora.
Home office no Brasil
Dados da PNAD Contínua, do IBGE, indicam que cerca de 9,5 milhões de brasileiros trabalharam remotamente em 2022. A tendência, apesar de menos acentuada do que no auge da pandemia, permanece relevante para empresas que buscam diversificar territórios e perfis profissionais.
A nota da FGV destaca que a retração do home office ocorreu sobretudo na indústria e nos serviços – setores que, ainda assim, mantêm níveis expressivos de adesão, com 49% e 40,3%, respectivamente. Para empresas como a AeC, no entanto, o modelo se tornou ferramenta de gestão, sustentabilidade e expansão regional.

