A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) anunciou a realização de dois estudos voltados à implantação ou requalificação de trechos ferroviários no estado, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Se os estudos em andamento forem viabilizados, Pernambuco poderá dar um salto estratégico na mobilidade de passageiros e na logística de cargas. A iniciativa tem potencial para fortalecer o turismo regional, melhorar a mobilidade entre cidades e ampliar o escoamento de produtos para os principais portos do Nordeste.
O primeiro estudo analisa a viabilidade de um novo trecho ferroviário de transporte de passageiros entre o Recife e Caruaru, com cerca de 120 km de extensão. A proposta prevê o aproveitamento de estruturas existentes ou, se necessário, a construção de uma nova ferrovia. A etapa seguinte será a avaliação técnica e ambiental do projeto.
Para o superintendente da Sudene, Danilo Cabral, a proposta resgata uma vocação histórica e atende a desafios atuais de mobilidade e desenvolvimento.
“Essa ligação ferroviária já era pensada desde o final do século 19. A iniciativa tem impacto no turismo, na mobilidade da BR-232 e no polo têxtil e de confecções do Agreste”, destacou.
Petrolina- Salgueiro
O segundo estudo tem foco no transporte de cargas e prevê a implantação ou requalificação de um trecho de aproximadamente 250 km entre Petrolina e Salgueiro, no Sertão. A proposta visa integrar a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco à malha da Transnordestina, com acesso aos portos de Suape (PE) e Pecém (CE), aumentando a competitividade da produção local.
Petrolina, localizada às margens do Rio São Francisco, reúne condições para se consolidar como um hub hidroferroviário. Já Salgueiro é um ponto estratégico por estar no cruzamento das BRs 232 e 116 e integrar a malha da Transnordestina. A conexão entre modais – rodoviário, ferroviário e hidroviário – deve gerar ganhos de eficiência à economia da região.
“Esse movimento da Sudene está alinhado à política do presidente Lula de revitalizar a malha ferroviária brasileira, especialmente no Nordeste. Estima-se que o transporte ferroviário de cargas reduza em até 40% os custos logísticos em relação ao modal rodoviário”, afirmou Cabral.
“Ao conectar Petrolina a Salgueiro, ampliamos a integração dos arranjos produtivos e criamos oportunidades de acesso a mercados internacionais.”
A formalização da parceria com a UFPE deve ocorrer nas próximas semanas, e a previsão é de que os estudos sejam apresentados no primeiro trimestre de 2026.
*Com informações da Sudene

