Francisco José: O repórter de padrão internacional

Francisco José iniciou como primeiro profissional da Rede Globo nos 60 anos e na Série “TRIBUTO” coroando sua condição de referência global a partir do Nordeste

 

Por Walter Santos

 

Nos 60 anos de História da Rede Globo em 2025, marco da televisão brasileira de padrão internacional, não há como deixar de se referir ao repórter Francisco José como principal referência de jornalismo dinâmico e de padrão global a partir do Nordeste brasileiro, de onde ele fez base para conquistar os demais Continentes. Ele narra a seguir, em entrevista, o resumo de sua trajetória e apela para que a sociedade cuide mais do meio ambiente. Eis a seguir:

 

REVISTA NORDESTEA Rede Globo, principal veículo de comunicação do Brasil, comemora 60 anos de história na qual, por questão de reconhecimento conjuntural, sua participação como repórter especial a partir do Nordeste também está na história. Quando sua performance merecerá exposição à altura de seu desempenho?

FRANCISCO JOSÉ – A Globo está gravando comigo o Programa TRIBUTO, a maior homenagem que um profissional de televisão pode receber. Até agora, só participaram do TRIBUTO, as celebridades da dramaturgia, das novelas. Eu serei o primeiro jornalista. Acho até que não mereço tamanho honoraria.

NORDESTE – Sua performance tem carimbo a partir de Pernambuco, mas poucos sabem que você é do Crato, no Ceará. Como foi essa inserção de vínculo com Recife, por exemplo?

FRANCISCO JOSÉ – Nasci no Crato, no pé da Serra do Araripe. Meu pai morreu quando eu tinha sete anos. Minha mãe casou com um pequeno empresário de Pernambuco. Aos onze anos, ganhei um novo pai, que praticamente encaminhou-me na vida e desde então passei a morar no Recife. Nunca aceitei transferência para outro lugar. Nem mesmo para ser correspondente da Globo no exterior.

NORDESTE – Muitos não sabem, mas seus primeiros passos foi no jornalismo esportivo em 1970 durante a Copa do Mundo no México com o Brasil conquistando o campeonato. O que isto serviu de base para seu ingresso no jornalismo investigativo?

FRANCISCO JOSÉ – Minha origem foi no jornalismo esportivo. Em 70, cobri a Copa do México, como único enviado do Jornal do Commercio. Quando a Globo foi inaugurada no Recife, o diretor Armando Nogueira, que me viu trabalhando na cobertura do tri mundial, mandou me contratarem.

NORDESTE – Como foi a transição na prática para jornalismo?

FRANCISCO JOSÉ – A Globo precisava de um repórter no Nordeste – inclusive a Paraíba e Rio Grande do Norte ainda nem tinham afiliadas – e passei das matérias esportivas para a reportagem geral. Mesmo assim, ainda participei de 4 Copas do Mundo e 2 Olimpíadas, pela Globo.

NORDESTERecordo de ter estado com você na condição de atleta da ABRACE em congressos sobre jornalismo esportivo. Como seu network com o esporte completou sua formação profissional?

FRANCISCO JOSÉ – Eu fui 4 anos presidente da Associação dos Cronistas Esportivos de Pernambuco e mais 4 anos, presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos – ABRACE, quando realizávamos um congresso nacional a cada ano. Foi aí que nos conhecemos, jogando pelo time da entidade.

NORDESTE – Como funciona a produção em torno de sua pessoa para apresentar conteúdos extraordinários no campo do jornalismo a partir do Nordeste, somente visto com Gloria Maria, sem igual? Como era sua relação com ela?

FRANCISCO JOSÉ – Fiquei 46 anos na Globo realizando reportagens nos 5 continentes, mergulhando nos 7 mares, no Ártico e na Antártida, cruzando as savanas africanas em 13 países. Fiquei mais de 20 anos trabalhando na Amazônia e percorrendo todos os biomas do planeta. Realizei 103 programas Globo Repórter, um recorde absoluto.

Fui finalista do Prêmio EMMY, que é o Oscar da televisão mundial. Escrevi o livro 40 Anos no Ar. Viajei o mundo todo, mas sempre voltando para o meu Nordeste. O relacionamento com Glória Maria era de muito amor. Quem tiver dúvidas, acesse minha página no Instagram: @chicojosedebrito, que tem a Glória ameaçando-me de morte.

NORDESTE – A Globo constituiu modelo de contrato profissional em que muitos profissionais tinham direitos, mas como CNPJ. Qual sua opinião?

FRANCISCO JOSÉ – Fui pessoa jurídica durante 30 anos. Todos almejavam ser PJ, porque recebiam os melhores salários. Tudo dentro da lei. Foi o melhor período da minha profissão, proporcionando um patrimônio, que não preciso mais trabalhar, mantendo o mesmo nível de vida.

NORDESTE – Qual é a rotina atual de Francisco José, mito do jornalismo nordestino  decente , de uns tempos para cá na direção do futuro. Se aposentou?

FRANCISCO JOSÉ – No ano passado, gravei 9 documentários para a Petrobras, na série Um Brasil de Energia, com duração de 30 minutos cada programa. Viajei o Brasil inteiro nas gravações. Quem quiser ver, está no site da Petrobras. Além de documentários para empresas, estou fazendo palestras pelo Brasil a fora, contando minhas histórias de vivência pelo mundo.

Meu tema predileto é SUPERAÇÃO, contando como um repórter do sertão, sem precisar viver fora do Nordeste, desbravou o planeta fazendo reportagens de grande destaque na maior emissora de televisão do país.

NORDESTE – Como você encara os 9 estados nordestinos na atualidade no âmbito sócio – econômico? O que falta fazermos?

FRANCISCO JOSEO que deveríamos fazer é cuidar na natureza, proteger as espécies, contribuir para encontrar o equilíbrio ecológico. Não aos desmatamentos. Não à poluição. Não às queimadas. Não ao assoreamento dos rios, que provoca as enchentes. Não à caça e à pesca ilegal.

NORDESTE – E o que fazer na prática?

FRANCISCO JOSÉ – Precisamos de cada um fazendo a sua parte, cuidando desde o lixo caseiro, até as grandes empresas reduzindo a poluição. Isso serve para o Nordeste e pra todos os Estados brasileiros. Para termos um futuro seguro, precisamos principalmente de políticos sérios, que não pensem apenas em seus interesses pessoais, e passem a agir e legislar pelo progresso da nação.

 

 

 

*Entrevista publicada na edição 221 da revista Nordeste
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Redacao RNE

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