Por Luciana Leão
Com mais de 70 mil condomínios residenciais e empresariais distribuídos pelos estados do Nordeste — sendo cerca de 50 mil apenas nas capitais Salvador, Recife e Fortaleza — o mercado condominial da região movimenta uma cadeia produtiva ampla e em expansão. Além de gerar milhares de empregos diretos e indiretos, o setor apresenta uma crescente demanda por profissionais especializados na gestão de condomínios, os chamados síndicos profissionais.
Essa realidade será destaque na FESÍNDICO – Feira de Condomínios do Nordeste, que chega à 15ª edição nos dias 10 e 11 de outubro de 2025, no Expo Center Recife. O evento, idealizado por Inaldo Dantas, empresário com mais de 40 anos de atuação no setor, prevê mais de 140 estandes e oito palestras técnicas com foco nos desafios atuais da gestão condominial.
Um mercado em constante crescimento
Segundo Dantas, o setor condominial emprega diretamente milhares de trabalhadores em funções como porteiros, faxineiros, zeladores, seguranças, camareiras e mensageiros. Além disso, envolve contratos com empresas de manutenção de elevadores, limpeza de fachadas, piscinas, jardins e prestadores de serviços como administradoras, assessorias contábeis e jurídicas.
“Estamos falando de uma cadeia produtiva, que envolve fornecedores, empregados. O condomínio é uma empresa, tem obrigações fiscais, pagamento de impostos, folha de pagamento, receitas e despesas. Ele arrecada e também gera impostos. Isso demanda gestão profissionalizada”, explica Inaldo.
A ascensão do síndico profissional
O destaque da feira este ano será o debate sobre a figura do síndico profissional, uma função que ganha espaço frente à crescente recusa dos próprios moradores em assumir a gestão dos edifícios.
“Na minha carteira de clientes, 95% dos moradores não querem ser síndicos. Isso abre espaço para um mercado em ascensão no Brasil, com forte presença no Nordeste. Estimo uma demanda potencial para um mercado de 70 mil condomínios na região Nordeste, que atuam diretamente na administração de condomínios”, afirma.
Para Inaldo, o síndico profissional ideal deve ter, no mínimo, ensino médio completo, habilidades de liderança, conhecimentos em direito, gestão financeira, psicologia e educação financeira. “Os bancos, inclusive, já oferecem produtos específicos para condomínios porque sabem que o condomínio não quebra. Ele sempre arrecada”, ressalta.
Tecnologia, segurança e novos desafios
A FESÍNDICO também vai debater temas emergentes, como o impacto da portaria virtual e o uso crescente de tecnologia na segurança. Inaldo afirma que, embora a substituição de porteiros por sistemas virtuais ocorra em condomínios de classe média e baixa renda, os grandes empreendimentos seguem priorizando o fator humano.
“A inteligência artificial pode ser uma ameaça no futuro, mas hoje o mercado ainda cresce. O que reduz postos de trabalho é a incapacidade dos condomínios de pagar salários, não a tecnologia em si”, pontua. Então, quem pode tirar a vaga, por exemplo, de um porteiro presencial para a tecnologia virtual é a incapacidade do condomínio de pagar o salário”, reforça.

Dantas acrescenta que o condomínio sempre quer arrecadar mais e o condômino quer pagar menos. “Então, digo, o maior desafio dos síndicos é equilibrar arrecadação e despesas, pois o síndico precisa manter a qualidade dos serviços. E como o condomínio é uma empresa, ele paga impostos como INSS, FGTS, ISS e, em alguns casos, até Imposto de Renda.”
A inadimplência, segundo ele, é mais comum em condomínios de menor poder aquisitivo e, muitas vezes, têm causas comportamentais. “Muitos não entendem que a dívida pode levar o imóvel à perda do imóvel”, alerta.
Carro elétrico: ameaça invisível e sobrecarga de energia
Entre os destaques das palestras deste ano, está o debate sobre carros elétricos em condomínios, uma demanda crescente que esbarra na falta de infraestrutura elétrica nas edificações.
“Poucos prédios estão preparados para o aumento da carga elétrica exigida por carros elétricos. Um veículo pode demandar de quatro a cinco horas de carga. Será que o transformador aguenta dez carros ligados simultaneamente durante a madrugada? É isso que vamos discutir com técnicos, CREA, Corpo de Bombeiros.”
Energia renovável ainda não é prioridade
Apesar dos avanços, o uso de energia solar ou outras fontes renováveis ainda não é prioridade na maioria dos condomínios. A explicação, segundo Dantas, é simples: a energia elétrica representa apenas 5% dos custos de um condomínio. Os maiores gastos estão com mão de obra (até 70%), água e manutenção predial.
“O condomínio não visa lucro, ele precisa gastar com eficiência. Por isso, ainda é raro vermos iniciativas com placas solares ou sistemas fotovoltaicos. Quando há, normalmente é porque houve algum tipo de apoio técnico ou financeiro.”
Expectativas para 2025
A feira deste ano deve reunir cerca de 2.400 visitantes, entre gestores, administradoras, empresas e síndicos profissionais. Serão oito palestras divididas em dois dias de evento, com temas voltados para as novas tecnologias, segurança, responsabilidades legais e soluções para gestão condominial.
“O mercado é promissor, está em constante crescimento. Queremos, com a FESÍNDICO, fortalecer a profissionalização do setor, apresentar soluções e conectar quem busca e quem oferece serviços qualificados”, finaliza Inaldo Dantas.
*Matéria publicada na edição 221 da revista NORDESTE, já circulando

