Flávio José: O cantador que reproduz a essência de Luiz Gonzaga no mercado

Saiba quem é o cantor e compositor responsável pela essência da música genuína no Nordeste brasileiro

 

Por Walter Santos

O cenário do São João no Nordeste atrai todas as atenções dos turistas e da sociedade em si, mas há personagens como o cantor e compositor Flávio José revelando seu contentamento com as festas, mas também preocupação com a predomínio absoluto do mercado sobre parte dos artistas de raiz por estarem de fora do evento. Eis a sua avaliação a seguir:

REVISTA NORDESTEComo tem sido a sua realidade mercadológica na estrutura dos festejos juninos a partir dos 9 estados?
FLÁVIO JOSÉ – Eu percebo que todos os estados fazem praticamente o mesmo São João. Aonde a gente sabe que a autêntica música nordestina não é tão valorizada nas programações quanto a outros estilos.

NORDESTE – Onde pode haver diferenciação?
FLÁVIO JOSÉ – De antemão, eu quero dizer e opinar aqui que a programação mais autêntica ligada às tradições e à cultura no Nordeste que eu tenho visto está acontecendo no Forró Cajú, lá em Aracaju.

NORDESTE – Não é difícil identificar que as programações nos vários estados reduzem cada vez mais a presença do forró autêntico diante da imposição do novo mercado distante da raiz. Qual é a realidade dos artistas de origem raiz na atualidade?
FLÁVIO JOSÉ – Isso é verdade. Eu posso dizer que eu sou um artista privilegiado, porque durante a minha história eu construí um repertório de sucesso muito grande. Graças a Deus e graças e aos compositores que também liberaram essas músicas para que eu gravasse. Então, a minha história pesa muito na hora de ser contratado ou não.

NORDESTE – Mas, como avaliar outros artistas importantes do forró autêntico sem mesmo tratamento?
FLÁVIO JOSÉ – A gente sabe que existem muitos valores que tocam muito pouco, são contratados poucas datas e outros também que com muito talento perderam a esperança e até jogaram uma toalha com relação a continuar uma carreira. Essa é a realidade que a gente tem visto acontecer.

NORDESTE – Na sua opinião, como compatibilizar as duas vertentes em pleno São João ?
FLÁVIO JOSÉ – Por mim tudo bem. Quem sou eu para chegar aqui e ditar alguma norma, alguma coisa. Mesmo assim eu acho que tem espaço para todos. Agora, principalmente sem esquecer os artistas do verdadeiro forró, a autêntica música nordestina e música da cultura e das tradições, onde os turistas vêm muitas vezes para ver, dançar e tem acontecido isso é muito pouco. Então, isso é o que a gente tem visto.

NORDESTE – É possível que setores façam negócios com líderes políticos em troca de priorizar artistas ?
FLÁVIO JOSÉ – Eu não tenho a menor noção. Não, nunca ouvi falar. Eu, pelo menos nunca me envolvi com essa questão, de jeito nenhum. E também não sei falar sobre os outros.

NORDESTE – Qual a agenda de Flávio José no decorrer dos próximos dias?
FLÁVIO JOSÉ – São muitas cidades que a gente vai ter que visitar e cantar para o povo. Campina Grande, Barra de Santa Rosa, Natal, União dos Palmares, Afogados da Ingazeira, Arco Verde, Pernambuco, no dia 15. E também as cidades da Bahia que são inúmeras que eu não sei aqui dizer quais são todas.

NORDESTE – Qual o saldo de tudo isso?
FLÁVIO JOSÉ – Graças a Deus, eu não tenho de que reclamar nada, até porque eu tenho uma consciência de que Deus coloca em nossos ombros aquilo que a gente consegue suportar. Então, se minha agenda esta dessa maneira, é porque Deus sabe que eu vou suportar, cumprir todos os compromissos.

NORDESTE – Percebe-se que parte da estratégia do show business é tocar mais nas rádios os artistas da conjuntura comercial. Até quando?
FLÁVIO JOSÉ – Com relação a essa questão de estratégia do show business, eu não sei. Não sei te falar sobre isso, não.

NORDESTE – O que é representar as gerações de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, etc, nesta fase da vida e de muita força do mercado?
FLÁVIO JOSÉ – As pessoas geralmente dizem isso, que eu de qualquer maneira estou representando Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro. Não, eu costumo dizer que eu sou seguidor de todos eles, porque eu tenho consciência de que eu bebi na fonte de todos eles para chegar até aqui. Não é? Então, essa é a minha realidade.

NORDESTE – E sua história diante do mercado?
FLÁVIO JOSÉ – Olha, essa coisa de mercado, eu não tô preocupado com isso não, porque existe um Deus o maior que controla tudo e tudo que tem acontecido na minha vida até hoje foi por determinação e vontade de Deus.

Então, não sei falar essa questão do mercado que até mesmo porque aquilo que a gente não pode mudar, a gente tem que aprender a conviver. É como eu falei, eu sou um artista privilegiado que escolhi corretamente o meu repertório e que graças a ele eu tenho me mantido. Gerações e gerações indo para os shows, cantando todas as músicas, me procurando antes e depois dos shows para chegar perto de mim e me dar um abraço, fazer um registro com uma foto, com o vídeo. Então, essa é a história.

 

 

 

*Entrevista publicada na edição 221 da REVISTA NORDESTE (RNE)
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Redacao RNE

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