Por Luciana Leão
O número de fusões e aquisições realizadas por empresas do Nordeste caiu 26% no primeiro trimestre deste ano, segundo relatório da KPMG, obtido com exclusividade pela reportagem do site da RNE. Entre janeiro e março, foram concretizadas 19 operações, contra 24 registradas no mesmo período do ano passado.
Para o sócio da KPMG para Mercados Regionais, Ray Souza, apesar da retração geral, alguns estados da região apresentaram bom desempenho em setores estratégicos, como tecnologia da informação e energia. “A expectativa é de retomada nos próximos meses”, afirmou à reportagem da revista NORDESTE.
Estados com desempenho positivo
O levantamento da KPMG abrangeu os nove estados da região. Apenas Bahia, Rio Grande do Norte e Alagoas registraram crescimento no número de transações. A Bahia, por exemplo, saltou de 3 para 8 operações entre os dois primeiros trimestres de 2024 e 2025.
O Rio Grande do Norte passou de 1 para 3 operações, e Alagoas, que não teve transações no mesmo período do ano passado, registrou uma em 2025. Já Pernambuco, que havia fechado 9 operações no primeiro trimestre de 2024, teve apenas uma este ano. Sergipe não registrou nenhuma operação em 2025, após duas no ano anterior.
Setores envolvidos nas transações
Na Bahia, os setores com maior presença nas transações foram tecnologia da informação (3), companhia de energia (3) e mineração (1). Alagoas também registrou operação em tecnologia da informação. No Ceará, houve movimentações em tecnologia da informação e alimentos, bebidas e tabaco. Pernambuco teve uma transação no setor de hotelaria e restaurantes.
A Paraíba aparece com operações em setores diversos. O Rio Grande do Norte concentrou suas três operações em tecnologia da informação. Já o Piauí teve atuação na área de saúde, com hospitais e laboratórios, e o Maranhão no setor imobiliário.
Tipos de operações realizadas
Das 19 operações realizadas no Nordeste no primeiro trimestre deste ano, 12 foram de caráter doméstico. Seis envolveram companhias estrangeiras adquirindo empresas brasileiras — classificadas como CB1 — e uma foi de empresa brasileira comprando participação de companhia estrangeira no exterior (tipo CB2).
Cenário nacional também aponta retração
Esse movimento de retração nas fusões e aquisições também foi observado em nível nacional. As empresas brasileiras realizaram 330 operações no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma queda de 6% em relação às 350 registradas no mesmo período de 2024.
O estudo da KPMG, realizado trimestralmente e abrangendo 43 setores da economia, aponta que a desaceleração reflete fatores como o cenário geopolítico internacional e a sazonalidade do mercado, que costuma ter menor dinâmica nos primeiros meses do ano.
“O levantamento da KPMG mostrou que houve uma pequena desaceleração no ritmo de compra e venda das empresas no país, se levarmos em conta os mesmos meses de 2024, mantendo a atividade de fusões e aquisições praticamente estável. Isso se deve a alguns fatores, principalmente, questões geopolíticas internacionais e a dinâmica do mercado, que é mais fraca nos períodos iniciais do ano. A tendência é que esse movimento se recupere nos próximos trimestres”, analisa o sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra.

