Capitais do Nordeste avançam em índice Firjan, mas desigualdades freiam desenvolvimento alto

Estudo revela crescimento em indicadores socioeconômicos nos últimos dez anos, com destaque para Maceió e Fortaleza entre 2013 e 2023, mas escancara contrastes entre as capitais do Nordeste em áreas como saúde, educação,  emprego e renda no ano de 2023

Análise publicada na edição 220 da Revista NORDESTE. Leia abaixo ou se preferir acesse à leitura diretamente de seu smartphone clicando aqui

 

Por Paulo Galvão Júnior*

Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que todas as nove capitais nordestinas evoluíram na última década, mas ainda operam em patamares considerados de “desenvolvimento moderado”. Os dados de 2023 integram o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), com base em indicadores de emprego & renda, educação e saúde. O levantamento divulgado em maio de 2025 avalia a situação de 5.500 dos 5.570 municípios brasileiros.

Com base nos resultados consolidados de 2023 (ano mais recente com dados oficiais disponíveis), o estudo da Firjan evidencia progressos socioeconômicos importantes em áreas como educação, saúde e emprego & renda, ainda que com grandes diferenças entre os municípios brasileiros.

As notas variam de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento socioeconômico do município. E o IFDM considera os seguintes conceitos: desenvolvimento crítico (entre 0,0 e 0,4), desenvolvimento baixo (entre 0,4 e 0,6), desenvolvimento moderado (entre 0,6 e 0,8) e desenvolvimento alto (entre 0,8 e 1,0).

O que é o IFDM?

O IFDM é um índice criado pela Firjan em 2008 para avaliar o nível de desenvolvimento socioeconômico dos municípios nas cinco regiões do Brasil. Ele é baseado em três áreas fundamentais: IFDM Emprego & Renda; IFDM Educação; e IFDM Saúde.

Vale destacar que o IFDM Emprego & Renda avalia a absorção de mão de obra formal, proporção de desligamentos voluntários, Produto Interno Bruto (PIB) per capita, participação nos salários no PIB, população pobre ou de baixa renda, e diversidade econômica.

Já o IFDM Educação mensura a taxa de matrículas em creches, adequação da formação docente no Ensino Fundamental e Médio, distorção idade-série no Ensino Fundamental e Médio, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, taxa de abandono no Ensino Fundamental e Médio, e educação integral no Ensino Fundamental e Médio.

O IFDM Saúde mede as internações por condições sensíveis à atenção básica, óbitos infantis evitáveis, proporção de sete mais consultas pré-natal, médicos a cada mil habitantes, cobertura vacinal, gravidez na adolescência, e internações relacionadas ao saneamento inadequado.

Fortaleza lidera; Salvador ocupa a última posição entre as capitais do NE

Entre as capitais do Nordeste (NE), Fortaleza obteve a melhor colocação, com IFDM de 0,7389 em 2023, o que a coloca em desenvolvimento moderado e está na 13ª posição no ranking nacional. Já Teresina aparece em segundo lugar na região e na 14ª colocação no país, enquanto o Recife figura na terceira posição entre as capitais mais desenvolvidas do NE, alcançando a 15ª colocação no Brasil.

Os níveis de desenvolvimento socioeconômico das capitais nordestinas apresentam extremos opostos. De um lado, Fortaleza, com um IFDM moderado de 0,7389 pontos em 2023, destacando-se pelos avanços consistentes, embora ainda enfrente desafios no IFDM Saúde. Do outro lado, Salvador, a capital da Bahia, também classificada como de desenvolvimento moderado, com 0,6442 pontos, mas com dificuldades mais acentuadas no IFDM Educação.

Entre as capitais nordestinas com melhores desempenhos no IFDM 2023 estão Fortaleza (0,7389), Teresina (0,7242) e Recife (0,7088). Salvador (0,6442), Maceió (0,6600) e Natal (0,6686) apresentam os piores desempenhos na região no ano de 2023.

Constata-se também que três capitais nordestinas encontram-se no nível intermediário de classificação na região NE, como Aracaju (0,6906), São Luís (0,6826) e João Pessoa (0,6765). A capital paraibana encontra-se em sexto lugar no ranking nordestino, com questões sérias a resolver no IFDM Educação.

No IFDM Geral 2023, Fortaleza lidera com 0,7389, seguida por Teresina (0,7242) e Recife (0,7088). Aracaju (0,6906), São Luís (0,6826) e João Pessoa (0,6765) figuram em um patamar semelhante. Natal (0,6686) e Maceió (0,6600) apresentam notas mais baixas em 2023, enquanto Salvador, na última posição, registrou um IFDM de 0,6442.

Desempenho das Capitais do Nordeste no IFDM 2023

 

Avanços por área: Recife em emprego & renda, Natal em saúde, Fortaleza em educação

No IFDM Emprego & Renda, Recife lidera essa área, com 0,8104 em 2023, indicando uma capital com uma economia bastante diversa e tem gerado empregos formais, enquanto, Salvador apresenta a menor pontuação, com 0,7722.

No IFDM Educação, Fortaleza, a capital do estado do Ceará, lidera com 0,7288 no ano de 2023, enquanto Salvador enfrenta maiores dificuldades no sistema educacional, com 0,5123. Já no IFDM Saúde, Natal lidera essa área, com 0,6942 em 2023, demonstrando avanços nos serviços públicos essenciais de saúde, enquanto São Luís, a capital do estado do Maranhão, sofre nessa área, com 0,5980.

As diferenças entre as nove capitais nordestinas podem estar relacionadas a diversos fatores, como investimentos em infraestrutura urbana e acesso a serviços básicos de saúde, além de avanços na educação, incluindo redução da taxa de abandono escolar e melhoria na formação docente.

Progresso socioeconômico desigual: Maceió e Fortaleza crescem mais; Recife tem avanço modesto

Recife obteve o menor desempenho no IFDM entre 2013 e 2023, segundo estudo Firjan. Foto: Vecteezty/Cristiano Balbini

Vários fatores podem estar relacionados à evolução no desempenho das capitais do NE entre 2013 e 2023, como a maior inserção de mão de obra no mercado de trabalho formal e crescimento do PIB per capita, além da melhoria no IFDM Saúde, como aumento da cobertura vacinal e redução de internações por condições sensíveis à atenção básica.

Os dados do Quadro 2 mostram uma tendência de crescimento no desenvolvimento socioeconômico das nove capitais nordestinas ao longo dos últimos dez anos. Apesar da evolução positiva, há diferenças entre os ritmos de crescimento de cada capital, refletindo os impactos de geração de emprego e renda, investimentos em educação e saúde, além de infraestrutura urbana.

IFDM Geral Firjan 2023

Entre as capitais nordestinas que mais evoluíram no período analisado, destacam-se, Maceió (+32,7%), maior crescimento da região, e Fortaleza (+30,2%), segunda maior alta do Nordeste. O alto crescimento percentual da capital alagoana e capital cearense pode estar relacionado a políticas municipais mais eficazes, avanços em empregabilidade, infraestrutura urbana e melhorias nos serviços básicos de educação.

Teresina: destaque nos últimos 10 anos

Teresina (PI) ao lado de Salvador (BA) obtiveram melhorias entre 2013 e 2023. Foto: Prefeitura de Teresina

A análise dos últimos dez anos mostra evolução de Teresina e Salvador (+23,5%), ambas estão empatadas no crescimento sustentável, mas ainda abaixo das duas líderes da região. A capital do estado do Piauí necessita melhorar significativamente o IFDM Saúde nos próximos dez anos.

As três capitais nordestinas que apresentaram crescimento mais discreto no período de 2013 a 2023 foram Recife (+10,2%), com a menor evolução, Natal (+12,6%) e João Pessoa (+13,3%), todas indicando desafios no IFDM Educação, com acesso limitado a serviços de educação de qualidade.

Vale salientar que João Pessoa foi a terceira menor taxa de crescimento do NE entre 2013 e 2023. Esse resultado pode estar relacionado também a desafios no IFDM Emprego & Renda, como dificuldades na expansão do mercado de trabalho formal e obstáculos para diversificar mais sua economia.

Desafios persistem e contrastes internos no IFDM 2023

O IFDM 2023 confirma que todas as capitais do Nordeste estão na faixa de desenvolvimento moderado, embora com grande variação entre os indicadores. Fortaleza, com IFDM geral de 0,7389, lidera a região e se destaca principalmente em Educação, enquanto Salvador, com 0,6442, ocupa a última posição entre as capitais nordestinas. Logo, existe uma heterogeneidade no desenvolvimento socioeconômico, com algumas capitais demonstrando crescimento mais expressivo do que outras.

Recife, a capital do estado de Pernambuco, apresenta o melhor desempenho em Emprego & Renda, ao passo que Natal, a capital do estado do Rio Grande do Norte, lidera em Saúde, revelando uma distribuição desigual de avanços na região Nordeste.

No recorte histórico de 2013 a 2023, Maceió (+32,7%) e Fortaleza (+30,2%) foram as capitais nordestinas com maior evolução, em contraste com Recife (+10,2%), que apresentou crescimento mais modesto.

Pontos a refletir

Investimentos em saúde e educação de qualidade e na diversidade econômica continuarão sendo essenciais para garantir uma melhoria sustentável nas nove capitais da região, pois nenhuma capital nordestina encontra-se na categoria de desenvolvimento alto, liderado entre os 5.550 municípios analisados no Brasil, como os de Águas de São Pedro (SP), com IFDM de 0,8932 em 2023, e já entre as 27 capitais brasileiras, Curitiba (PR), com IFDM de 0,8855 no ano de 2023.

O resultado do IFDM 2023 reafirma a necessidade de políticas públicas voltadas para a redução das disparidades entre as capitais nordestinas. Embora demonstre progresso socioeconômico, ainda apresenta pontos críticos que requerem atenção para alcançar um desenvolvimento alto. Além disso, maiores investimentos em infraestrutura urbana, educação e saúde são fundamentais para promover o desenvolvimento socioeconômico das nove capitais da região Nordeste.

É preciso observar que a soma da população das nove capitais nordestinas ultrapassa 12 milhões de habitantes, segundo estimativas do ano de 2023 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, é importante destacar que para alcançar o desenvolvimento alto nos próximos dez anos, é urgente, que tratemos a educação como prioridade, com mais seriedade e agilidade nas reais necessidades da população, pois o ouro do século XXI é o conhecimento.

 

 

 

*Paulo Galvão Júnior é economista paraibano, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, apresentador do Programa Economia em Alta na Rádio Alta Potência e coordenador do Curso Superior de Tecnólogo em Gestão Financeira – EAD – na UNICORP Faculdades, em Mangabeira, na capital paraibana.
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Luciana Leão

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