Governador Fábio Mitidieri revela à Revista Nordeste como a licitação do Seap, a reativação da Fafen, a chegada da ZPE e um bilionário data center moldam um novo futuro para o estado
Matéria publicada na edição 220 da Revista NORDESTE. Leia abaixo ou se preferir direto de seu smartphone clicando aqui
Por Luciana Leão
Sergipe vive um novo ciclo de desenvolvimento com foco em energia, indústria, tecnologia e infraestrutura. O estado, que avança na atração de investimentos estratégicos, aposta na interiorização do desenvolvimento e na sustentabilidade para reposicionar sua economia no cenário nacional.

A confirmação pela Petrobras para agosto deste ano da licitação de dois navios FPSO para exploração de gás natural em águas profundas em Sergipe, dentro do projeto do SEAP (Sergipe Águas Profundas), representa o início de um novo ciclo econômico, “uma virada de página” para o estado nordestino. Essa é a visão do governador Fábio Mitidieri em entrevista exclusiva à Revista Nordeste.

Mitidieri, que retornou de uma viagem internacional aos Estados Unidos, onde participou da Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, maior feira do setor de petróleo e gás no mundo, confirma que o estado vive um momento de colheita, com perspectivas reais de crescimento em diversos setores. O governador acrescenta que há registros de 4 mil consultas na página da Petrobras de empresas internacionais e nacionais para participar da licitação do SEAP, na operação dos dois navios de exploração de gás natural.
“O interesse na licitação a partir das mudanças realizadas pela Petrobras, que acatou sugestões do mercado, faz com que nossa expectativa cresça. É um termômetro positivo e insere Sergipe como vitrine neste setor. É uma virada para o nosso Estado e para o Brasil”, relata Mitidieri. Sergipe possui as maiores reservas de gás natural da América Latina, com 18 milhões de m3 por dia, sendo também um dos maiores produtores de petróleo do País.

Quando estiver em pico de produção, o projeto SEAP terá a capacidade de disponibilizar ao mercado 240 mil barris de petróleo por dia, além de 18 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O projeto terá dois módulos (Seaap I e Seap II), cada um com uma plataforma FPSO, e também contará com um gasoduto de escoamento com 128 km de extensão, sendo 100 km no mar e 28 km em terra. Em seu plano estratégico, a Petrobras informou um investimento de US$ 5 bilhões na iniciativa.
Divisor de Águas
Para o governador, no momento em que o Estado se insere neste mercado, inicia-se uma sinergia de outros setores para novos investimentos de indústrias. A previsão é que a exploração se inicie a partir de 2028-2029.
“Será um divisor de águas para a economia. Só para se ter ideia, são 18 milhões de metros cúbicos por dia. Esse volume é maior do que o importado da Bolívia pela Petrobras, na atualidade. Só para apresentar propostas, as empresas investem cerca de 20 milhões de dólares. Só vai participar quem realmente tem interesse e capacidade de investir”, reforça.
“O potencial de geração de emprego e renda, de qualificação da mão-de-obra é fantástico para nossa economia. Por isso, digo, que é um divisor de águas, porque tem esse alcance em outras áreas. Estamos muito otimistas para que a “novela” da licitação seja um sucesso e se torne uma realidade”, acrescenta Mitidieri.
Fertilizantes no radar


O acordo firmado pela Petrobras com a Unigel para a retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) em Sergipe e também na unidade baiana, paralisadas desde 2023, marca o reingresso da estatal ao setor e representa 1.000 empregos diretos a serem gerados, diz o governador sergipano.
A Unigel arrendou as duas fábricas de fertilizantes da Petrobras em 2019, mas deixou de produzir em 2023, sob o argumento de que a estatal fornecia o gás natural, matéria prima do produto final, a preços que inviabilizavam a operação. Desde então, a Petrobras buscava retomar as unidades para recolocá-las em operação, conforme o plano estratégico da companhia e diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME).
“Foi muito importante essa solução dada pela Petrobras e a empresa. A política de fertilizantes deve ser encarada como uma política de segurança nacional, visto que o País é essencialmente agrícola e precisa dos fertilizantes para manter a sua pujança e hoje somos reféns de fertilizantes de outros países, quando podemos ter uma produção interna, firme, por meio das Fafens”.
A Petrobras prevê iniciar a operação em outubro e anunciar, nos próximos meses, a operadora responsável pelas unidades, em um processo que promete gerar novos investimentos industriais.
Data Center da Optimus

No momento em que o Brasil dá início à regulação do mercado de Data Centers numa perspectiva futura de movimentar R$ 1 trilhão o Governo de Sergipe teve a confirmação do investimento da norte-americana Optimus Technology Group ao assinar Termo de Compromisso com o governador Fábio Mitidieri durante sua viagem a Houston e Austin, nos EUA, com previsão de início em 2026. O data center será instalado no município de Nossa Senhora do Socorro.
“É um mercado gigantesco, que está em desenvolvimento, e no caso de Sergipe o projeto está atrelado a um centro de pesquisas e de qualificação de mão-de-obra em parceria com a Universidade. Vamos qualificar sergipanos para essa nova janela que se abre para a economia do estado”. O investimento previsto é de US$ 1 bilhão, ou cerca de R$ 5,64 bilhões (câmbio de 15/05).
ZPE Sergipe a caminho

Outro grande projeto sendo costurado pelo governo sergipano por meio da Agência de Desenvolvimento do Estado e Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia é a consolidação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) Sergipe, já em fase final de estruturação do projeto para o Governo Federal, com previsão ainda para 2025.
A ZPE permitirá uma reindustrialização da economia local, segundo o governador Fábio Mitidieri. “Temos muitos investidores que já demonstraram interesse de estarem embarcados na ZPE. Estamos otimistas, nesse sentido, e esperamos concluir esse ano. Nove municípios serão contemplados e será fundamental para atender todos esses investimentos”.
Localizada próxima ao Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), a área destinada à ZPE substitui o terreno anteriormente planejado na Barra dos Coqueiros, hoje ocupado pela Usina Termoelétrica Porto de Sergipe I.
Adutora do Leite

Também em 2025 com investimentos de R$ 240 milhões, o governo deve finalizar a Adutora do Leite. O estado tem a segunda maior bacia leiteira do Nordeste. A adutora vai captar a água bruta no Rio São Francisco em Canindé do São Francisco até Nossa Senhora da Glória. “É uma obra transformadora pois ela capta água bruta e a transforma em água potável, por meio de suas unidades ”.
Com 108,6 quilômetros de extensão, a adutora beneficiará aproximadamente 265 mil animais, dos quais 180 mil são bovinos. A água será captada do Rio São Francisco pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e distribuída. A produção leiteira é uma das principais atividades econômicas da região do alto sertão de Sergipe, e a Adutora do Leite promete trazer benefícios diretos a cerca de 23 mil famílias que dependem dessa atividade para subsistência.
Efeito se traduz no social

Além dos investimentos, Mitidieri reforça a importância desse novo ciclo do Estado ao traduzir o alcance para as políticas públicas de desenvolvimento na educação, saúde, segurança pública e combate às desigualdades sociais.
Sergipe está inserido entre as unidades federativas com mais crescimento percentual no combate às desigualdades, sendo referência também na segurança pública, considerado um dos estados mais seguros do País, segundo o Atlas da Violência 2025.


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