O Rumo da Humanidade, por Hely Ferreira

Hely Ferreira*

Ditadura, totalitarismo e autoritarismo são termos que com frequência aparecem em arrazoados do dia dia da política e agora entre os “analistas” das redes sociais, como se eles fossem sinônimos ou que de maneira distinta expusessem algum fenômeno inerente à força social de governar sem ter legitimidade. Talvez, o que consegue unir esses conceitos é a limitação que eles causam à cidadania.

Quando se fala em autoritarismo, deve se ter em mente que o próprio nome já apresenta sua origem, ou seja, a expressão é oriunda da palavra autoridade. Entende-se como autoridade o poder legítimo, isto é, permitido. O sufixo “ismo” nos ensina que, no autoritarismo, a legitimidade da autoridade encontra-se de alguma maneira, corrompida ou prejudicada.

Com efeito, nos regimes políticos, o autoritarismo é revelado no crescimento da força governamental em detrimento de outros setores da sociedade, onde a predominância da violência é vista sempre que alguém discorda da concentração do poder em uma única pessoa ou em um único partido. Em resumo, comporta-se de maneira autoritária, alguém que, suas ações, despreza e trata de maneira depreciativa todos aqueles que estão abaixo hierarquicamente.

Quando se fala em ditadura, devemos lembrar que a palavra tem origem latina, entretanto, no mundo moderno tem sido utilizada bem diferente do período da república romana.

Na Antiga Roma, o “ditador” era aquele que assumia a liderança da República em caráter extraordinário, principalmente em períodos de guerra e por tempo determinado. A ditadura poderia ser sancionada pelo próprio Senado e embora o poder do ditador fosse aumentado, o mesmo não era absoluto.

Com efeito, é difícil identificar em qual momento ocorreu à mudança do sentido da palavra, entretanto, na era contemporânea, considera-se, em geral, que foi na chamada “ditadura revolucionária”, aplicou-se para denominar o governo instituído pela Convenção Nacional, em 1793, no período da Revolução Francesa.

No governo jacobino, os poderes eram ilimitados amparados pela lei que fora promulgada pela Assembleia. Daí entender-se, que na ditadura, as leis não conseguem estancar suas decisões. Pelo contrário, se porta acima delas.

Falando de totalitarismo, o mesmo é entendido como algo mais específico. Na opinião de Hannah Arendt, em seu livro “As Origens do Totalitarismo”, publicado no ano de 1951, segundo ela, é um tipo de domínio político surgido na modernidade, tendo o nazismo e “mouscouvismo” como os maiores exemplos. Arendt diz que o totalitarismo apresenta uma ideologia que busca se impor como algo definitivo ao rumo da história da humanidade.

Embora algumas palavras sofram modificações ao longo dos anos, torna-se necessário utilizá-las no seu devido lugar.

 

Hely Ferreira é cientista político.

Coluna publicada na edição 220, da revista NORDESTE

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Redacao RNE

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