Entrevista exclusiva com o empresário João Carlos Paes Mendonça publicada na edição 220; Leia abaixo ou se preferir clique aqui e acesse o conteúdo completo na versão flip
João Carlos Paes Mendonça envolve sucessão com netos, mesmo longe do operacional, exalta pai por montar grupo de sucesso no Nordeste; JCPM simboliza “Orgulho de ser Nordestino”
Por Walter Santos
Empresário vitorioso e reconhecido avalia cenários naciona e internacional questionando o modelo do varejo diante do digital
O universo empresarial brasileiro, do Nordeste em particular, está impactado com os desdobramentos dos festejos e comemorações dos 90 anos do JCPM – um dos mais consagrados sistemas empresariais com referência reconhecida.
Nesta página estamos apresentando um resumo da entrevista EXCLUSIVA do empresário João Carlos Paes Mendonça à nossa reportagem. Acesse e confirme:

REVISTA NORDESTE – Como é atestar a consolidação por 90 anos do GRUPO JCPM saindo de Sergipe e conquistando Pernambuco, Ceará e Bahia, além de dialogar economicamente com Portugal?
JCPM – É algo que nos enche de orgulho, sobretudo, porque não foi fácil. Passamos por momentos complexos, perdemos quase tudo em um incêndio em Aracaju, recomeçamos, vivenciamos mudanças econômicas, crescemos no setor de supermercados, passamos a investir em shoppings e estamos seguindo olhando para as oportunidades do mercado. Mas sempre tendo os pés fincados nas nossas raízes onde aprendemos o quanto é importante valorizar as pessoas onde quer que estejamos investindo.
NORDESTE – O Sr carimbou o slogan “Orgulho de Ser Nordestino” há anos atrás. A dados de hoje que mantém o mesmo conceito singular?
JCPM – Esse, na verdade, não era exatamente um slogan, era um estado de espírito. Surgiu muito por acaso, durante uma conversa com o publicitário Jairo Lima. Eu comentava que nunca tinha me sentido discriminado durante da presidência da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados. E que tinha orgulho de ser nordestino. Ele pegou na hora e adotamos como frase de posicionamento das nossas marcas. Nunca foi usado para vender mais, e sim para marcar nossa origem. E, por isso, nunca perdeu o sentido para nós.
NORDESTE – Aos 90 anos de atividade ininterrupta, como o Sr avalia o nível dos 9 estados nordestinos e, na sua opinião, o que falta fazer para melhor o nível social da população?
JCPM – Os Estados têm pontos similares e, ao mesmo tempo, são diferentes, tanto economicamente quanto nos hábitos de consumo, por exemplo. Mas, fazendo uma análise mais geral sobre os desafios, acredito que os nove Estados ainda são penalizados pela falta de infraestrutura e de uma visão mais madura e aberta dos governos para receber investimentos.
A burocracia e as medidas popularescas em busca única e exclusivamente de votos para a próxima eleição tornam a região dependente do Poder Público, gerando um ciclo vicioso penoso para a população de falta de emprego e oportunidades. Por outro lado, falta ao empresariado maior consciência social para fazer também sua parte no desenvolvimento social.

NORDESTE – O que esperar do JCPM de agora em diante? O que o futuro reserva ao grupo?
JCPM – Vamos continuar focando nossos investimentos no Nordeste, buscando crescer e oferecer oportunidades de desenvolvimento para as pessoas próximas dos empreendimentos. Vamos seguir consolidando nossos shoppings mais novos e atualizando os mais antigos para acompanharem as transformações do mercado.
O RioMar Recife, por exemplo, que já tem uma posição bem marcada na concentração de eventos e cultura, com teatro e restaurantes, terá um espaço voltado para eventos, em linha com a tendência do mercado de unir espaços de convivência com lojas. Estamos com um investimento no Litoral Sul do Estado de Pernambuco, um empreendimento imobiliário, o Praia de Guadalupe.
NORDESTE – Para concluir: o Sr é um investidor humanista reconhecido e que já ocupou as maiores representações sociais. O que falta de agora em diante a um homem de sua dimensão nacional e internacional com o umbigo fincado em Sergipe?
JCPM – Quero ainda ver muitas transformações na Serra do Machado, lugar de nossa origem, povoado simples e que tem a Fundação Pedro Paes Mendonça. Quero ver meus netos, que já atuam comigo no Grupo, dando andamento ao processo de sucessão e desejo continuar apoiando o crescimento do Grupo. Quero, hoje, discutir o estratégico. Já saí do operacional, do dia a dia, quero olhar para frente e ajudar a encontrar os caminhos viáveis.
REVISTA – Para onde o mundo caminha com o enfrentamento de tarifas entre grandes nações e como o Sr analisa a postura do presidente Trump nesse contexto?
JCPM – Acredito que até a própria equipe dele tenha dificuldade em analisar. Foram muitas as ameaças e os recuos também. É muito difícil depois da globalização alguém supor que pode se isolar através de barreiras tarifárias.
NORDESTE – Na sua opinião, como o governo brasileiro deve se posicionar diante da nova conjuntura geopolítica?
JCPM – Tendo a maturidade para entender que tudo ter efeito colateral na geopolítica global.
NORDESTE – Qual o futuro do varejo a partir do Brasil diante dos negócios via on-line sufocando o presencial?
JCPM – É uma incógnita. Sabemos que a posição do varejo físico é desafiadora frente ao crescimento das vendas online. Mas, por outro lado, as pessoas vão seguir tendo desejo de conviver, de sair de casa, tocar nos produtos.
Esse domínio de compras majoritariamente pelo e-commerce ainda deve demorar e deve ser mais forte de alguns setores do que em outros. Mas, em todos eles, a fidelização dos clientes continua sendo um dos caminhos para se manter no mercado.

