Por Luciana Leão
Em 2025, os estados nordestinos serão protagonistas em uma nova rodada de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) no setor de saneamento básico. Com estruturação liderada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio de agências estaduais, os leilões na bolsa de valores B3 preveem investimentos bilionários para ampliar os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, beneficiando centenas de municípios e milhões de pessoas. A expectativa é de melhoria significativa nos índices de saúde pública, geração de empregos e modernização da infraestrutura regional.
Para a diretora-Executiva da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon) Christianne Dias, o Marco Legal do Saneamento representou uma virada histórica no setor. “Antes os investimentos estavam abaixo do necessário e a universalização distante. Agora, os Estados e municípios que passaram os serviços para a iniciativa privada têm garantias contratuais em relação às metas de universalização”, pontua.
O impacto previsto é amplo. Além de melhorar os indicadores de saúde pública, a ampliação da infraestrutura de saneamento pode gerar milhares de empregos diretos e indiretos, contribuir para a valorização imobiliária e reduzir doenças associadas à falta de acesso a água tratada e esgoto.
“Esses estados do Nordeste precisam ampliar urgentemente seus investimentos em saneamento se quiserem universalizar a oferta de serviços de água e esgoto até 2033”, afirma Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.
Nordeste e Norte: as regiões com menor cobertura de saneamento básico no país
Embora o Nordeste não seja a região com a menor cobertura de esgotamento sanitário no Brasil — posição ocupada pelo Norte, com apenas 31,1% da população atendida — seus índices permanecem significativamente baixos.
A região Nordeste atende, em média, 50,1% dos seus habitantes com redes de coleta de esgoto, valor que fica muito abaixo da média nacional, de 56%.
Dentro do Nordeste, estados como Maranhão (26,8%) e Piauí (18,1%) figuram entre os com menores índices do país, evidenciando desafios estruturais que impactam diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população.
Esse cenário reforça a urgência dos investimentos previstos para 2025, que envolvem concessões e parcerias público-privadas lideradas pelo BNDES e agências estaduais, com aporte estimado em mais de R$ 56 bilhões apenas para o Norte e Nordeste. As ações visam ampliar a oferta de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, promovendo melhorias na infraestrutura regional e beneficiando milhões de pessoas.
Panorama Regional
Segundo a Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon), estão programados 29 processos licitatórios no setor de água e esgoto em 2025, abrangendo 857 municípios em todas as regiões do país. Os investimentos previstos somam R$ 72,8 bilhões, dos quais cerca de R$ 56 bilhões — aproximadamente 77% do total — serão destinados às regiões Norte e Nordeste. Entre os principais projetos estão os leilões previstos para os estados de Pernambuco, Paraíba e Rondônia.
Pernambuco terá concessão em dois blocos e investimentos de R$ 18,9 bilhões
O estado realizará uma concessão parcial dos serviços de água e esgoto, com leilão previsto para o segundo semestre de 2025. O projeto será dividido em dois blocos: o primeiro, com 24 cidades dos sertões Central, do Araripe e do São Francisco; e o segundo, com 160 municípios, da Região Metropolitana do Recife até o Sertão do Pajeú, incluindo Fernando de Noronha.
A previsão é de investimentos da ordem de R$ 18,9 bilhões, sendo R$ 2,8 bilhões no primeiro bloco e R$ 16,1 bilhões no segundo. Atualmente, os índices em Pernambuco são de 87% para acesso à água tratada e 34% para esgotamento sanitário, este ainda distante da meta nacional. O estado também apresenta perdas de água de 48%, quase o dobro do limite de 25% estipulado pelo marco do setor.
Paraíba investirá em PPP de esgoto com foco na capital e interior
O estado prevê uma Parceria Público-Privada (PPP) para os serviços de esgotamento sanitário, com leilão estimado para o terceiro trimestre de 2025. O projeto pode atrair R$ 5,7 bilhões em aportes.
Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), plataforma oficial do governo brasileiro que reúne dados e informações sobre os serviços públicos de saneamento básico (abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana) em todo o país, 93,2% da população paraibana tem acesso à água tratada, mas apenas 38,9% conta com coleta de esgoto — muito abaixo da meta de 90% até 2033. As perdas de água são elevadas: 45,5%, segundo os dados mais recentes.
Rio Grande do Norte estrutura PPP para ampliar cobertura de esgoto
Uma PPP para os serviços de esgotamento sanitário está em fase de estruturação, com previsão de leilão em 2026. O projeto visa beneficiar a Região Metropolitana de Natal e municípios do interior.
Atualmente, o estado tem 88,4% da população atendida com água tratada, mas apenas 32,3% dispõe de coleta de esgoto. O índice de perdas de água é de 45,4%, também acima do tolerado pelo novo marco.
Maranhão prepara concessão com um dos menores índices de cobertura do país
Em 2026, Maranhão terá um dos principais leilões de saneamento. O estado apresenta um dos menores investimentos per capita do país, com apenas R$ 23,94 por habitante ao ano. Os índices de cobertura também são baixos: 56,6% da população tem acesso à água tratada e somente 12,7% está conectada à rede de esgoto. As perdas de água chegam a 50,7%. O leilão tem potencial de atrair R$ 18,7 bilhões em investimentos, segundo projeções do BNDES.

