A taxa de desocupação no Brasil voltou a crescer em 12 das 27 unidades da federação no primeiro trimestre de 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), divulgados pelo IBGE. Entre os estados onde o desemprego aumentou, cinco são do Nordeste — evidência de que a região continua sendo a mais afetada pela falta de oportunidades formais de trabalho.
Pernambuco registrou a maior taxa de desocupação do país, com 11,6%, mantendo-se na liderança do ranking nacional. Em seguida, aparecem Bahia (10,9%) e Piauí (10,2%), completando a lista das três maiores taxas, todas no Nordeste. O dado reflete um padrão histórico da região, que tradicionalmente apresenta índices de desemprego superiores à média nacional — que ficou em 7% no período, a menor para um primeiro trimestre desde 2012.
O agravamento da desocupação em parte significativa dos estados nordestinos é explicado por fatores estruturais, como a baixa diversificação econômica e o limitado acesso à educação formal e qualificação profissional. No caso do Piauí, o salto de 7,5% para 10,2% foi o maior aumento proporcional entre todos os estados brasileiros.
Além do Piauí, o crescimento da taxa foi expressivo também no Ceará (de 6,5% para 8%), no Maranhão (de 6,9% para 8,1%) e no Rio Grande do Norte (de 8,5% para 9,8%), reforçando o quadro preocupante no mercado de trabalho da região.
Outros estados fora do Nordeste também apresentaram aumento, como Amazonas, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Já nas demais 15 unidades da federação, a taxa de desocupação permaneceu estável.
Na comparação anual, a Bahia teve uma queda expressiva, de 14% para 10,9%, mas ainda figura entre os estados com as maiores taxas de desemprego do Brasil.
Apesar dos desafios, o rendimento médio real mensal cresceu de forma significativa em Pernambuco na comparação com o mesmo período do ano passado: alta de 23,4%. Também houve crescimento em Alagoas (13,4%) e Sergipe (13,2%), indicando uma possível reação do poder de compra, mesmo diante de um mercado de trabalho ainda frágil na região.

