Um recorte da história da então jovem Brasília, por Adeildo Máximo Bezerra

Por Adeildo Máximo Bezerra*

(artigo publicado na edição 219 da revista NORDESTE, em referência aos 65 anos de Brasília, celebrados em abril)

 

Adeildo Bezerra: leitura histórica

A jovem à época tinha apenas 24 anos. Era um momento importante do seu processo de amadurecimento.  A fase adolescente transcorreu com muito cerceamento e repressão, mas a rebeldia e criatividade inerente à juventude impulsionou essa jovem a embarcar na onda libertária que movia corações e mentes de outros jovens e, também, de outros nem tão jovens.

A referência aqui se trata da cidade de Brasília do ano de 1984, quando nela desembarquei procedente da pacata João Pessoa. Trocar a editoria de cidades do Correio da Paraíba por um espaço semelhante em um jornal da capital da República me permitiu testemunhar um dos momentos mais marcantes da história do nosso Brasil.

A jovem Brasília experimentava então dois grandes processos transformadores. O da sua estrutura urbanística, com repercussão local, e o da estrutura política, com repercussão na configuração do estado e da sociedade brasileira.

O que estava programado por Lúcio Costa e Niemayer para ser um núcleo administrativo com uma pequena população em volta (o Plano Piloto), cercado por cidades auxiliares (as cidades satélites), não suportou a pressão migratória. Os espaços vazios foram ocupados de forma desordenada e a cidade bucólica de 1.280.000 moradores de 84 cedeu espaço para a gigante de hoje, com quase 3milhões de habitantes.

Na política não havia a polarização que hoje afasta até mesmo irmãos de sangue. Todos, ou quase todos, se irmanavam sob uma única bandeira. A luta por eleições diretas. A pressão e passeatas em pró da emenda constitucional do deputado Dante de Oliveira não foi aprovada, mas a reunião do Colégio Eleitoral de certa forma foi um marco, ao romper com o poder dos militares que estavam no poder e escolher Tancredo Neves como presidente.

E era bonito ver e estar ao lado dessa multidão que caminhava junto, em defesa de um país justo e com mais democracia. Ora nos sindicatos, ora na Ordem dos Advogados e, ao fim do dia, o encontro fraterno em pontos históricos da cidade, tal como o Bar Beirute, onde a utopia era revista e a agenda futura era combinada e relembrada.

 

 

 

*Adeildo Máximo Bezerra é jornalista e empresário

 

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Redacao RNE

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