Localizada entre Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI), a Reserva Natural Serra das Almas (RNSA) enfrenta ameaças crescentes que comprometem sua biodiversidade. A caça ilegal e os incêndios florestais são desafios recorrentes para a conservação deste santuário ecológico, mesmo com os esforços da Associação Caatinga, instituição que atua na proteção do bioma Caatinga.
Com 6.285 hectares, a RNSA é a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Ceará e foi reconhecida pela Unesco como Posto Avançado da Reserva da Biosfera. Apesar dessa relevância, a presença de caçadores é uma realidade constante na região.
Durante monitoramentos de rotina, equipes de guarda-parques encontram armadilhas, fogueiras, acampamentos temporários e resquícios de presença humana, como embalagens de alimentos e garrafas vazias, informa a Associação Caatinga ao site da RNE. A pressão da caça tem impactado diretamente a população de espécies como onças, veados e caititus, ameaçando o equilíbrio ecológico da região.
Outro fator crítico são os incêndios florestais, que frequentemente atingem a reserva. A propagação do fogo coloca em risco a fauna e a flora locais, além de impactar os recursos hídricos. A RNSA abriga quatro nascentes que evitam o escoamento de cerca de 4,7 bilhões de litros d’água por ano, desempenhando um papel fundamental na conservação dos recursos naturais. O desmatamento e os focos de incêndio reduzem essa capacidade e intensificam a degradação ambiental.
Iniciativas no combate às ameaças
Para combater essas ameaças, a Associação Caatinga investe no monitoramento da fauna por meio de armadilhas fotográficas (câmeras traps). Essas câmeras, instaladas em pontos estratégicos, registram imagens e vídeos de espécies ameaçadas, fornecendo dados para pesquisas científicas e ajudando a compreender os impactos da pressão da caça.
Projetos como o estudo de felinos de grande porte, coordenado pelo pesquisador Hugo Fernandes, e o monitoramento das guaribas-da-caatinga, conduzido pelo professor Robério Freire, são exemplos de iniciativas que buscam ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local.
A equipe de guarda-parques também desempenha um papel essencial na fiscalização da RNSA. Monitoramentos periódicos são realizados em trilhas e pontos críticos para identificar vestígios de atividades ilegais, que são reportadas às autoridades competentes. A atualização constante do mapeamento dessas áreas auxilia na intensificação das ações de proteção.
“Embora todos os nossos esforços de monitoramento sejam contínuos, ameaças como a caça e os incêndios persistem e colocam em risco a biodiversidade da Serra das Almas. Seguimos comprometidos com a proteção da Caatinga e trabalhamos para garantir a preservação desse bioma único para as presentes e futuras gerações”, afirma Gilson Miranda, gestor da Reserva Natural Serra das Almas.
Diversidade


A reserva abriga uma grande diversidade de espécies, incluindo 49 mamíferos, 238 aves, 793 plantas, 33 anfíbios e 52 répteis.
Entre as espécies ameaçadas encontradas na área, estão o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), a guariba-da-caatinga (Alouatta ululata), a onça-parda (Puma concolor) e o periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus).
O ecossistema também desempenha um papel vital na mitigação das mudanças climáticas, estocando mais de 1,6 milhão de toneladas de CO2 equivalente.
“A proteção da Reserva Natural Serra das Almas é essencial para a conservação da Caatinga e para a manutenção do equilíbrio ecológico da região. Para fortalecer essas iniciativas, é fundamental ampliar os esforços de fiscalização, incentivar a educação ambiental e contar com o apoio da sociedade na luta contra as ameaças que colocam em risco esse bioma exclusivamente brasileiro”, conclui Gilson Miranda.
Lucia, bom dia.
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