O Brasil voltou a ganhar espaço entre os principais destinos globais de investimento estrangeiro direto (IED). Na edição 2026 do Índice de Confiança para Investimento Direto Estrangeiro (FDICI), elaborado pela consultoria internacional Kearney, o país subiu três posições, passando do 21º para o 18º lugar no ranking global que reúne as 25 economias mais atrativas para investidores.
Quando considerados apenas os mercados emergentes, o desempenho brasileiro é ainda mais expressivo: o país aparece na 4ª colocação, consolidando sua relevância estratégica em um cenário internacional marcado pela reorganização das cadeias produtivas e pela busca por novos polos de crescimento.
O levantamento mantém os Estados Unidos na liderança global pelo 14º ano consecutivo, seguidos por Canadá e Japão, que avançou uma posição em relação a 2025.
Recursos naturais
O movimento de ascensão do Brasil no ranking reflete fatores estruturais e conjunturais que têm reforçado a confiança dos investidores internacionais. Entre eles, destacam-se a expansão da produção de minerais críticos, o crescimento do setor de óleo e gás e a resiliência da economia.
Segundo Mark Essle, sócio da Kearney no Brasil, o país reúne ativos estratégicos que ganham ainda mais relevância em um contexto de transição energética e segurança de suprimentos.
“Este avanço reflete o forte interesse dos investidores estrangeiros nos recursos naturais do país, com destaque para a expansão em minerais críticos e o setor de óleo e gás, que atingiu níveis históricos de produção, além do sólido desempenho econômico geral que impulsionou a confiança no mercado brasileiro”, afirmou o executivo.
A presença simultânea do Brasil no ranking global e entre os líderes dos mercados emergentes reforça sua posição como destino relevante para investimentos de longo prazo, especialmente em setores ligados à energia, infraestrutura e transformação industrial.
Confiança
Apesar das incertezas geopolíticas e das mudanças nas políticas industriais ao redor do mundo, a confiança dos investidores permanece elevada. A pesquisa da Kearney, realizada em janeiro de 2026 com mais de 500 executivos seniores, mostra que 88% dos entrevistados globais pretendem ampliar seus investimentos estrangeiros diretos nos próximos três anos.
Na avaliação dos executivos, o fluxo de capital internacional continua ativo, mas as decisões de investimento tornaram-se mais seletivas e estratégicas.
“Os investidores ainda acreditam no valor do investimento internacional, mas estão recalibrando a forma como tomam suas decisões em um ambiente operacional mais turbulento”, observou Essle.
De acordo com ele, fatores como riscos geopolíticos, política industrial e capacidade tecnológica passaram a ter peso crescente na definição dos destinos de capital.
Inovação e tecnologia
O estudo revela uma mudança relevante nas prioridades globais de investimento. As capacidades de inovação e tecnologia passaram a ocupar o primeiro lugar entre os critérios de decisão, superando fatores tradicionais como ambiente regulatório e desempenho econômico.
O avanço dos investimentos em inteligência artificial, digitalização e infraestrutura tecnológica tem favorecido economias com ecossistemas de inovação consolidados. Esse movimento ajuda a explicar a permanência dos Estados Unidos na liderança do ranking, impulsionados por sua base tecnológica e capacidade de adaptação econômica.
Ainda assim, o levantamento aponta uma redução no nível de otimismo em relação à economia norte-americana, indicando um ambiente global mais competitivo e diversificado.
Ásia amplia protagonismo
Pela primeira vez em mais de uma década, a Ásia passou a concentrar a maior parcela de países no ranking principal, refletindo o fortalecimento de sua base industrial e tecnológica.
O Japão avançou para a terceira posição e a China subiu para o quarto lugar, enquanto economias consideradas “médias potências”, como Cingapura e Coreia do Sul, registraram ganhos expressivos, impulsionadas por inovação, estabilidade institucional e integração às cadeias globais de suprimentos.
O levantamento também evidencia o papel crescente da política industrial na atração de investimentos. Entre os executivos consultados, 84% afirmaram que esse fator é extremamente ou muito importante em suas decisões estratégicas, enquanto 57% consideram que ele contribui positivamente para o desempenho dos negócios.
Infraestrutura moderna, incentivos fiscais e previsibilidade regulatória aparecem entre os instrumentos mais eficazes para atrair capital estrangeiro, reforçando a importância de estratégias nacionais voltadas à competitividade e à segurança econômica.
Nesse cenário, o avanço do Brasil no ranking sinaliza uma percepção internacional de estabilidade relativa e potencial de crescimento, elementos que tendem a manter o país no radar dos investidores globais nos próximos anos.

