Fortaleza e seus 300 anos de inovação, por Francisco Moretto

Por: Francisco Moretto* 

Fortaleza, a capital do Ceará, completa 300 anos neste 13 de abril, marcando três séculos de uma trajetória que vai de porto colonial a polo de inovação tecnológica no Nordeste brasileiro. Fundada em 1726 como entreposto comercial, a cidade enfrentou secas e migrações, mas reinventou-se nas últimas décadas como centro de tecnologia, atraindo investimentos e talentos para além de suas lindíssimas e famosas praias.

Impulsionada por Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), como o Atlântico, Nutec, Centec e instituições ligadas às universidades locais, Fortaleza construiu um ecossistema de startups, pesquisas aplicadas e parcerias internacionais. Segundo dados do Banco do Nordeste de 2025, o estado do Ceará atraiu R$ 2,1 bilhões em investimentos em tecnologia nos últimos dois anos, com Fortaleza respondendo por 65% desse montante, graças a editais públicos e privados que superam R$ 100 milhões anuais.

Nas últimas duas décadas, Fortaleza consolidou-se como um ponto estratégico de conectividade internacional, apoiado pela presença de cabos submarinos e infraestrutura digital relevante. Esse fator, combinado com a atuação de universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia, criou condições para o desenvolvimento de soluções aplicadas em setores como indústria, energia, saúde e serviços públicos. Não se trata apenas de um protagonismo isolado em tecnologias específicas, mas de uma capacidade crescente de integrar conhecimento tecnológico de ponta e aplicá-lo a problemas concretos, beneficiando empresas e instigando a geração de startups e spin-offs em diversos setores da economia.

Nesse contexto, as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) desempenham um papel central. Instituições como o Instituto Atlântico e tantas outras funcionam como ponte entre conhecimento científico, demanda empresarial e políticas públicas. Mais do que produzir pesquisa, ajudam a traduzir conhecimento em soluções aplicáveis, formando talentos e estruturando projetos que dialogam com os desafios reais da sociedade e das organizações.

Ao mesmo tempo, os desafios permanecem. A retenção de talentos, a ampliação do financiamento para inovação, a atração de empresas que permita a criação de valor local, a retenção de pessoas altamente qualificadas e, necessariamente, uma maior articulação entre os diferentes atores do ecossistema são temas que ainda nos desafiam. Avançar nessas agendas será fundamental para consolidar os ganhos obtidos até aqui e ampliar o impacto da cidade no cenário nacional.

Aos 300 anos, Fortaleza não é só um paraíso turístico: é um exemplo vivo de como tecnologia e visão estratégica transformam realidades nordestinas, inspirando o Brasil inteiro.

*Superintendente do Instituto Atlântico.
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Ana Júlia Silva

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