Fatos do PLANALTO: As dificuldades de Flávio em explorar o lado oculto da rua, por José Natal

Dias atrás, o brilhante jornalista Josias de Souza, (Portal UOL), citou a frase “Os bolsonaristas se amam com todo ódio”. Jair Bolsonaro, logo que eleito e assumiu o cargo de Presidente, com uma espingarda na mão, e legalizando o uso de armas de fogo, sinalizou como seria sua gestão.

O filho Flávio mal se viu candidato e já admite que do próprio grupo de aliados espera mais tiroteios do que mensagens, tipo “só o amor constrói”. O que se viu até agora, na anunciada largada de campanha, oscila entre o chamado tiro no pé e a precipitação eleitoreira, doa a quem doer.

Com cenas explícitas de amadorismo político, e achando que o eleitor é tolo, o candidato faz dancinha de saltimbancos em palcos no interior, e depois discursa para americano ver, como se Tio Sam algum dia na vida sorrisse de graça junto a bandeira do Brasil.

As duas atitudes, juntas ou separadas, vão do mau gosto ao ridículo em um só movimento. Uma vez mais, justificando a máxima de que “quem sai aos seus não degenera”, o candidato a cada dia que passa, mais insiste em mostrar aos seus que a única razão para a sua escolha para ser candidato foi o sobrenome do pai na carteira de identidade.

Antes que a ira se apodere de vez daqueles que discordam, uma boa dose de autocrítica talvez amenize um pouco mais uma revolta precipitada, questão de bom senso. Temos já confirmados na disputa candidatos, que gostem ou não, pelos menos trazem na bagagem um passado político, cargos que exerceram ganhando eleições, ocuparam tribunas e palanques sob aplausos do povo e outros méritos que a vida política exige. Um dia desses, na tela da TV, o analista político Octavio Guedes (Globonews), com sabedoria, citou esses exemplos, questionando o eleitor e o próprio Flávio.

Afinal, qual legado que Flávio Bolsonaro pode ostentar para fazer frente a Lula, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Aldo Rebelo e outros também cascudos, que aprenderam nas ruas e becos, comendo pastéis de feira e visitando favelas buscando votos nas estradas acidentadas da vida.

Sem a vontade da rua, sem o cheiro do povo, e discursando em inglês para quem curte cachorro quente com Guaraná Jesus, o enviado do Messias pode se ver em apuros caso se prenda apenas aos aconchegos da corte.

Visíveis também são os sinais trocados emitidos pela própria família do candidato, onde a palavra de ordem ainda parece ser aquela nada otimista com o slogan “desunidos perderemos”, contrariando a ordem natural das coisas. Justo agora, no limiar do processo que almeja vitória.

Claro que eleição surpreende, campanhas mudam de rumos e eleitores mudam de opinião a cada instante. Mas cabe a quem trabalha por isso buscar o melhor e o mais confortável possível, para que haja paz e traga resultados positivos ao candidato. Com uma briga a cada semana, envolvendo irmãos, cunhados, lideranças partidárias e quem sabe até a vizinhança, o herdeiro político de Bolsonaro novamente atiça a velha chama, que até pouco tempo atrás ardia pela indicação de Tarcísio de Freitas como timoneiro do barco do PL (Partido Liberal).

Com o silêncio barulhento que sempre faz, Michelle Bolsonaro caminha sem esbarrar em nada, numa sala cheia de obstáculos que incomodam e convidam a tropeções a cada hora. Tem seu nome bem avaliado pela pesquisas rumo ao Senado Federal por Brasília, e em silêncio finge que apoia um candidato que nunca esteve em seu painel de preferências.

Dos Estados Unidos, o filho mimado, Eduardo, cuida a seu modo, de tirar qualquer atitude que sinalize alguma coisa parecida com paz e harmonia, azucrinando como pode a vida de inocentes e culpados. Fechando com trava de ferro a panela de pressão que o momento da campanha acontece, o palestrante sem filtro Nikolas Ferreira também oferece sua dose de veneno, espalhando a discórdia onde nunca houve serenidade. Para quem tem uma turma de “ALIADOS”, com tamanho potencial negativo como esse, Flávio Bolsonaro nem precisa de inimigos e adversários que o ameacem. A turma da casa cuida disso, sem muito esforço.

José Natal é jornalista
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Redacao RNE

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