Nesta quarta-feira (1º), a Petrobras finalizou a licitação das plataformas de Sergipe Águas Profundas (SEAP) e decidiu levar adiante a contratação das duas unidades de produção. O projeto se tornou viável na íntegra, devido à valorização do preço do petróleo internacional, diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
Crise recoloca o gás natural no centro da transição energética
“Com esse aumento do preço do petróleo, nós pudemos viabilizar a SEAP-1”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante participação no evento CNN Talks.
As duas plataformas estavam em diferentes fases de desenvolvimento. A Seap 2 já tinha passado pela decisão final de investimento, e tem a exploração prevista para iniciar em 2030. Já a Seap 1 estava na carteira de “projetos alvo”, e ainda não tinha sido oficialmente financiada.
A SBM Offshore venceu a licitação e construirá as duas unidades de produção. O processo burocrático ainda está em andamento, finalizando as pendências para a assinatura final do contrato.
As plataformas terão capacidade de produção estimada em 18 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, além de 240 mil barris de petróleo diários. O projeto inclui ainda um gasoduto com capacidade equivalente para escoamento da produção.
Uma vez que a contratação das plataformas foi confirmada, a expectativa da Petrobras é iniciar a licitação do gasoduto ainda em 2026.
Gás natural e crise global
A decisão da Petrobras de contratar as plataformas de Seap ocorre em um momento em que o gás natural retornou ao centro das estratégias de transição energética. Considerado o menos poluente dos fósseis, o combustível é uma alternativa intermediária entre energias poluentes e energias renováveis.
“O gás natural é um aliado no processo de transição energética porque contribui para a redução das emissões de carbono”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia do estado, Valmor Barbosa, em entrevista à Revista NORDESTE, no início de março.
Nesse cenário, o projeto ganha maior viabilidade econômica, impulsionado pelas incertezas geopolíticas e a escalada do preço do petróleo internacional. Além disso, Sergipe possui cerca de 20% das reservas prováveis de gás natural do Brasil, o que amplia o potencial do estado nesse setor.
“Aproveitar esse potencial significa não apenas um direcionamento econômico, mas também um posicionamento social. Queremos transformar essas riquezas em oportunidades concretas para os sergipanos”, afirmou Barbosa.

