Chefe da ONU fala de mais sofrimento, destruição, ataques e instabilidade na região; combates poderá deixar mais 45 milhões de pessoas da região enfrentando insegurança alimentar aguda ainda em 2026
Nova Iorque- Nesta quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou para o agravamento diário da crise no Oriente Médio, que entra agora em seu segundo mês.
António Guterres disse a jornalistas, em Nova Iorque, que a continuação de confrontos tem ampliado o sofrimento humano, a escala da destruição e os ataques contra civis e infraestruturas essenciais, colocando a estabilidade global em risco.
Impactos dramáticos e ameaça de expansão
Para o chefe da ONU, o conflito já reverbera em todo o mundo. Guterres advertiu que a região está à beira de uma guerra mais ampla que poderia “devorar” o Oriente Médio, gerando consequências drásticas para o planeta.
Um dos pontos centrais de preocupação é a liberdade de navegação. Com as restrições impostas no Estreito de Ormuz, os preços de itens básicos dispararam.
Guterres destacou que as populações mais vulneráveis em países como Moçambique, Filipinas e Sri Lanka já sentem o impacto direto do aumento dos custos de alimentos e energia.
O secretário-geral afirmou ainda que a espiral de morte e destruição deve parar. Para ele, se os tambores da guerra continuarem a rufar, a escalada tornará a situação insustentável.”
Esforços diplomáticos e soberania
Guterres informou que esforços diplomáticos baseados no Direito Internacional e na Carta das Nações Unidas estão em curso. Ele reforçou que as disputas devem ser resolvidas pacificamente, respeitando-se primeiro a soberania e integridade territorial de todos os Estados-membros.
Ele assegurou ainda a necessidade de proteção de populações e infraestruturas civis, incluindo instalações nucleares, além do livre fluxo do comércio marítimo.
O enviado pessoal do secretário-geral para a região, Jean Arnault, permanece no Oriente Médio em contato com as partes envolvidas para viabilizar uma saída negociada.
Apelos aos EUA, Israel e Irã
De forma direta, o secretário-geral dirigiu-se às partes envolvidas, declarando aos Estados Unidos e Israel que “já passou da hora de parar a guerra”, citando as consequências econômicas arrasadoras. Já ao Irã solicitou que o país cesse os ataques aos seus vizinhos.
O líder das Nações Unidas relembrou que o Conselho de Segurança reiterou a condenação aos ataques e a necessidade de garantir a segurança nas rotas marítimas críticas.
O espectro da fome aguda
A comunidade humanitária descreve um cenário humanitário alarmante. A ONU projeta que, caso o conflito persista, mais 45 milhões de pessoas poderão enfrentar insegurança alimentar aguda ainda este ano.
O Programa Mundial de Alimentos, WFP, reforça essa previsão, utilizando modelos que demonstram como a volatilidade dos preços globais de energia se traduz no aumento imediato do custo dos alimentos nos mercados internos.

