O ano de 2026 começa com um movimento importante de expansão industrial no Nordeste. A Natville, marca do grupo Laticínios Santa Maria, está investindo mais de R$ 700 milhões na construção e modernização de fábricas na região, consolidando o avanço da indústria de alimentos no interior nordestino e ampliando oportunidades de emprego e renda.
Com sede em Nossa Senhora da Glória, no sertão de Sergipe, a empresa projeta crescimento acelerado nos próximos anos e aposta na ampliação da sua presença produtiva em estados estratégicos. Novas unidades industriais estão em implantação na Bahia e em Alagoas, fortalecendo a cadeia leiteira e estimulando a economia de municípios fora dos grandes centros urbanos.
A expansão acompanha o desempenho recente da companhia. Em 2025, a Natville registrou faturamento de R$ 1,3 bilhão e prevê alcançar cerca de R$ 1,5 bilhão em 2026, mantendo ritmo de crescimento acima da média do setor.
Segundo o diretor-geral da empresa, Flávio Dantas, o impacto da atividade vai além da indústria e alcança toda a estrutura produtiva regional. “A atividade do leite tem papel fundamental nas regiões semiáridas, onde, muitas vezes, representa a principal fonte de renda para as famílias”, afirma.
Atualmente, a empresa emprega mais de mil trabalhadores diretos e sustenta uma rede produtiva que envolve milhares de produtores rurais, comerciantes e prestadores de serviços em estados como Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco.
Interiorização
A estratégia de crescimento da empresa está diretamente ligada à interiorização da produção industrial , uma tendência que ganha força no Nordeste nos últimos anos. Além da matriz em Nossa Senhora da Glória, considerada a maior planta industrial do grupo, a companhia já opera unidades em Canindé de São Francisco (SE) e União dos Palmares (AL). Agora, novas fábricas entram em operação, ampliando a capacidade produtiva regional.
Uma das unidades está sendo instalada em Jeremoabo (BA), onde uma antiga planta industrial foi adquirida e passa por modernização para atender padrões mais elevados de qualidade e eficiência. A previsão é que a fábrica comece a funcionar ainda no primeiro semestre de 2026.
Outro investimento ocorre em Batalha (AL), com a construção de uma nova unidade industrial que também deve iniciar operações ao longo deste ano. Esses projetos reforçam a presença da indústria em cidades de porte médio e pequeno, contribuindo para a geração de empregos formais e a diversificação econômica do interior nordestino.
Novo investimento no semiárido
Além da expansão das fábricas de laticínios, a empresa está investindo em infraestrutura voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite. Um dos projetos estratégicos é a construção de uma fábrica de ração animal em Nossa Senhora da Glória.
A unidade terá capacidade inicial de produção de 500 toneladas por dia e utilizará milho cultivado na própria região, reduzindo a dependência de insumos vindos de outras partes do país.
O investimento busca aumentar a eficiência produtiva e garantir maior estabilidade para os produtores rurais, especialmente em períodos de estiagem, quando a disponibilidade de pastagem é reduzida.
“Temos o objetivo permanente de apoiar os produtores de leite, fortalecendo uma parceria construída ao longo de 30 anos”, destaca Dantas.
Origem familiar e crescimento regional
A trajetória da empresa começou em 1996, com uma produção diária de pouco mais de mil litros de leite. Três décadas depois, a operação se transformou em uma das maiores estruturas industriais do setor lácteo no Nordeste.
Hoje, a companhia coleta cerca de 1,1 milhão de litros de leite por dia, provenientes de mais de duas mil propriedades rurais localizadas principalmente em Sergipe, Alagoas e Bahia. Com as novas expansões, a meta é atingir o processamento de 1,5 milhão de litros diários em até três anos e ampliar a base de produtores fornecedores.
Esse crescimento tem sido sustentado por investimentos em logística, tecnologia e infraestrutura rural, incluindo a instalação de tanques de refrigeração nas propriedades, o que garante qualidade e rastreabilidade do leite até a chegada à indústria.

