Campanha de Flávio incentiva americanos a falar mal do Brasil, por José Natal

O nome de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL (Partido Liberal), ainda não caiu de vez na graça nem da própria família, dividida entre ele e Tarcísio de Freitas, Governador de São Paulo. Mas, de mala e cuia, o Senador já está se mostrando e pedindo afagos e afetos ao Governo americano, se desmanchando em versos e prosas pelo apoio do Presidente Donald Trump, hoje mais preocupado em jogar bombas e foguetes no Oriente Médio e aliados.

Flávio, de 44 anos, 36 anos mais novo que Lula, conhece razoavelmente bem três ou quatro estados brasileiros. O maior deles, o Rio de Janeiro, berço político do Senador, que entre outras mazelas se “orgulha” de ser o único da União a ter sete governadores que perderam o mandato por delitos diversos, alguns deles com temporadas atrás das grades, apenados pela justiça.

Com a população sempre em área de risco, entre uma polícia violenta e milícia desumana, o Rio está hoje entre as grandes cidades sul americanas mais perigosas de se viver, segundo dados oficiais. Difícil entender o que se passa na cabeça pensante daqueles que cuidam do dia a dia do candidato escolhido pelo capitão para tentar chegar ao Planalto.

Flávio, advogado, empresário e com outras patentes, parece ignorar o país em que nasceu, onde mora, quem é seu povo e desconhecer totalmente o que significa o sentimento nativista. O histórico do Senador, enquanto militante na política carioca, até onde os arquivos registram, em nada lembra Madre Teresa de Calcutá. Medalhas de ouro pelas disputas em que participou então, nem pensar.

O ideal, segundo fontes do próprio PL (no anonimato), o ideal nessa largada de campanha extra-oficial seria fazer o possível para evitar ao máximo aquela peçonhenta frase “meu passado me condena”, ao invés de ficar gastando inglês de subúrbio em auditório de americanos, falando mal do Brasil com argumentos dos derrotados.

Isso, segundo a fonte, não agrega. Ao contrário, reflete a dependência e a submissão de quem, por natureza, admite a ridícula inferioridade. Flávio foi guindado ao posto de candidato por uma decisão solitária, e sem testemunhas, do próprio Bolsonaro, que dispensou a opinião do partido, da própria esposa (que preside o PL Mulher) e deu bananas a quem mais se atrevesse a manifestar qualquer outra opinião.

Qualquer iniciante em política partidária sabe que, para que as candidaturas avancem com sucesso, o consenso é o fundamento básico. Sem ele, a chance de fracasso é bem maior. A exemplo de Tarcísio de Freitas, que só existe politicamente debaixo da asa de Bolsonaro, o filho Flávio tem um discurso vazio, escorado no nome do pai e movido por uma vaidade que espanta a todos ao seu redor.

Com o avanço da campanha (se ela de fato vingar), e com a anunciada estrutura de marketing a caminho, pode até acontecer sinais de progresso. Desde que o candidato não se esqueça de que terá pela frente um dos maiores líderes políticos do século, imbatível em articulações e estratégias vencedoras, e não por acaso eleito três vezes Presidente do maior País da América do Sul.

A eleição que se avizinha parece recheada de fatos pitorescos, alguns que prometem levar o eleitor a dúvidas até os momento finais. No cardápio há uma série de questões ainda em andamento, todas elas com capacidade de levar à retomada de posições.

A recente pataquada dos integrantes da CPI instalada para apurar as falcatruas do INSS, uma vez mais mostrou o quanto nossos políticos zombam da sociedade, só defendem o próprio umbigo e dane-se o que o País pense deles e suas tribos.

O caso Vorcaro, cada vez mais revelando o quanto somos coitadinhos diante da ganância dos poderosos, com certeza também dará sua contribuição para que duas ou três correntes políticas mudem o rumo de suas fragatas em busca de ventos. Se assim não for, não estaremos no Brasil.

José Natal
Jornalista

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