O critério da disputa era o maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 932 milhões; Após 13 rodadas de viva-voz, a Aena foi declarada a vencedora, com proposta final de R$ 2,9 bilhões
Jornal de Brasília – Thiago Bethônico
A espanhola Aena foi a vencedora do acirrado leilão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Com uma proposta de R$ 2,9 bilhões, o grupo superou as ofertas das outras duas concorrentes e vai ficar responsável pela administração e operação do terminal até 2039.
O certame foi realizado nesta segunda-feira (30) na sede da B3, em São Paulo, e marcado pela forte concorrência. O critério da disputa era o maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 932 milhões.
Além da Aena, apresentaram proposta a suíça Zurich Aiport e o consórcio formado pela Changi, de Singapura, e pela Vinci Compass -que têm participação na concessão atual.
No Brasil, a Aena é hoje a concessionária responsável pelos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, Campo Grande, Maceió e Aracaju.
Nas propostas enviadas por escrito, Zurich e Aena ofertaram o mesmo valor: R$ 1,5 bilhão (ágio de 60,8%). A RIOgaleão fez oferta inicial de R$ 934 milhões (ágio de 0,13%).
O leilão foi decidido na etapa viva-voz, quando as proponentes vão aumentando seus lances até que haja um vencedor. Após 13 rodadas de viva-voz, a Aena foi declarada a vencedora, com proposta final de R$ 2,9 bilhões (ágio de 210,88%)
As duas primeiras disputas no viva-voz ocorreram só entre Aena e RIOgaleão. A Zurich, que não havia feito nenhuma oferta, deu seu primeiro lance faltando 30 segundos para o fim da terceira rodada, em que a Aena seria declarada a vencedora.
Da quarta rodada em diante, a RIOgaleão não fez mais propostas. E o ativo foi disputado só entre a suíça e a espanhola.
O novo contrato marcará a saída da Infraero do negócio, o que foi um dos pontos considerados mais atrativos para o mercado. Hoje, a estatal detém 49% da concessão do Galeão, enquanto os outros 51% estão com a Changi e a Vinci, que comprou parte da fatia da empresa asiática em agosto de 2025. Na nova concessão, 100% da operação ficará nas mãos do parceiro privado.
Outra mudança é em relação à outorga. Em vez de pagamentos fixos, o novo operador vai repassar à União 20% do faturamento anual da concessão até 2039.
Principal concessão aeroportuária do atual mandato de Lula (PT), o leilão foi resultado de uma solução homologada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para reequilibrar economicamente a concessão, incorporar cláusulas mais recentes e viabilizar a retomada dos investimentos.
O Galeão era um dos maiores ativos na lista dos chamados “contratos estressados”, nome dado às concessões que passaram a acumular problemas financeiros e pedidos de relicitação nos últimos anos.
Para evitar a devolução do ativo, a saída encontrada foi otimizar o contrato e fazer um leilão simplificado.
Nesse modelo, o governo negocia as melhorias diretamente com os atuais operadores e leva o projeto a mercado para que outras empresas do setor possam manifestar interesse em assumir o contrato com alterado.
Inicialmente concedido à iniciativa privada em 2013, o Galeão atravessou anos de esvaziamento, processo intensificado durante a pandemia.

