Por José Natal*
Pode até ser coisa séria, mas que está engraçado, isso está. As manobras políticas, dias ou até meses, antes do prazo legal do início das campanhas eleitorais não surpreendem ninguém, fazem parte do jogo. O que muitas vezes chamam a atenção são as particularidades, aqueles detalhes tão pequenos que sempre afetam um ou dois.
Por mais que seja justa, e legal (ou recomendável), a transferência de Bolsonaro para seguir a condenação judicial em casa, a decisão acontecer justo na largada na corrida pelo voto popular ganha sinais que merecem citação.
Deve ser de casa que o ex-presidente comandará, a seu modo, todo o processo eleitoral que envolva candidatos do PL (Partido Liberal) e de outros a ele alinhados. Quem mora na Vila conhece os caboclos, já dizia João Saldanha.
De plantão nos bastidores e no agito entre os candidatos Brasil afora, personagens de naipes diferentes geram curiosas especulações, algumas engraçadas, outras nem tanto.
No Brasil, duas categorias profissionais exercem influências significativas no comportamento da sociedade, médicos e advogados, por diferentes meios de atuação. Até onde uma dessas entidades (ou a duas juntas) atuaram para que a transferência de Bolsonaro para o regime domiciliar se tornasse fato, nunca vamos saber exatamente de detalhes.
Mas o fato é que o acontecido ganha notória influência nos rumos da campanha eleitoral de 2026, praticamente já nas ruas.
Em Brasília, por exemplo, especula-se que a volta da convivência diária da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro ao lado do marido, a retomada pelo nome de Tarcísio de Freitas como candidato à presidência volte a ser cogitada. Michelle nunca escondeu a preferência pelo nome do Governador de São Paulo para a disputa do cargo.
Não é segredo para ninguém que essa vontade manifestada de Michelle tem amparo legal junto a outros integrantes do grupo, em apoio à ex-primeira dama. Por mais que se ache estranho, ou pitoresco, o ineditismo da situação de desconforto, ela existe, e motiva uma baita saia justa quando a família (que se diz unida) se reúne.
Alguns abelhudos se metem no assunto, mas o histórico até hoje revelado indica resultados pífios, ou quase isso. Ainda no quesito “coisas estranhas”, em relação aos avanços da direita do País, visando à presidência da república, a desistência do Governador de Santa Catarina, Ratinho Júnior, abandonando a anunciada candidatura, motivou certo frisson (ou surpresa) no ninho bolsonarista.
Ratinho tinha lá certo prestígio, e na prateleira dos quase candidatos seu lugar era bem no alto. Romeu Zema e Ronaldo Caiado, também abençoados pelo capitão, se colocam no páreo, aumentando a concorrência ao nome de Flávio, levando o eleitor a uma necessária e difícil escolha. Ou, no mínimo, gerando dúvidas e incertezas sobre quem de fato reúne as credenciais para ser eleito.
A indicação de tantos nomes com a mesma linha ideológica, ou ainda sinalizando seguir o mesmo traçado visando a eleição, de alguma forma favorece a candidatura de Lula à reeleição, hoje ainda com ligeira vantagem nas pesquisas eleitorais.
Vantagem essa que preocupa e indica aos mais experientes no assunto alguma retomada de posição. Essa condição de liderança já esteve bem mais confortável, hoje oscila bastante.
*José Natal é Jornalista
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