Castro foi acusado de abuso de poder político e econômico. Segundo o MPE, o político criou uma estrutura de contratações temporárias sem transparência na Fundação Ceperj
Por Francisco Artur de Lima
Foto: Rafael Campo/GOVRJ
Por cinco votos a dois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou inelegível por oito anos — a contar pelo ano de 2022 — o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Ao todo, cinco ministros da Corte Eleitoral votaram pela condenação do ex-chefe do Palácio da Guanabara nesta terça-feira (24/3). Votoram pela cassação a presidente do TSE, Cármen Lúcia, além de Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Floriano Marques Neto e Estela Aranha.
Já os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques votaram pela absolvição de Cláudio Castro. O ex-governador do Rio de Janeiro foi condenado por abuso de poder político e financeiro durante as eleições de 2022. De acordo com Ministério Público Eleitoral (MPE), o político criou uma estrutura de contratações temporárias sem transparência na Fundação Ceperj — órgão vinculado à Casa Civil do Rio de Janeiro — para financiar cabos eleitorais a seu favor. À ocasião, Castro já era governador do estado, após o afastamento de Wilson Witzel, e concorria a um mandato à frente do Palácio da Guanabara.
Em seu voto, , Cármen Lúcia, lamentou o fato de ex-representantes do executivo fluminense acumularem escândalos. “Com alguma tristeza, estamos mais uma vez a votar um caso de práticas gravíssimas praticadas por governantes que receberam do bom povo do Rio de Janeiro, a incumbência de representá-lo, e que de novo se vê com um julgamento a desmerecer aquela belíssima terra (…). Não há democracia sem ética”, afirmou.
“Não tenho dúvidas quanto à participação do governador Cláudio Castro nas irregularidades na Ceperj. A contratação atípica e excessiva de pessoal está demonstrada. Fica evidenciada a manipulação intencional da máquina administrativa estadual com o uso de programas e servidores para consolidar apoio político, auferir proveito eleitoral e isso põe em risco a igualdade entre os candidatos e compromete a integridade do processo eleitoral, o que é vedado”, discursou Cármen Lúcia.

