Em balanço anunciado nesta terça-feira (24) em Brasília, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, projetou a meta de três milhões moradias pelo Programa Minha Casa, Minha Vida até o fim deste ano.
Segundo o ministro, mais de 8,8 mil brasileiros realizaram o sonho da casa própria, anunciou Costa ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente da Caixa, Carlos Vieira, ao participarem da entrega simultânea de 2.215 moradias do programa em quatro cidades: Santarém (PA), Dias d’Ávila (BA), Rio Largo (AL) e São Brás (AL).
De acordo com os dados, o Minha Casa, Minha Vida impulsiona o mercado imobiliário e responde por 52% dos lançamentos do setor, com destaque para as regiões Norte (69%) e Nordeste (64%).
“Neste ano, vamos chegar a 3 milhões de casas do Minha Casa, Minha Vida contratadas, ampliando significativamente a concessão de financiamentos. Em São Paulo, atingimos um número histórico: 60% das casas construídas estão vinculadas ao programa. Hoje, praticamente todo município brasileiro tem pelo menos 20 unidades do Minha Casa, Minha Vida. Por isso, além de cuidar das pessoas, esse programa gera emprego nas cidades”, afirmou o ministro Rui Costa, destacando o trabalho das equipes da Casa Civil para ampliar o programa em todo o país.
Meta
O ministro lembrou que a meta de contratação de 2 milhões de moradias foi atingida um ano antes do prazo previsto. As contratações realizadas de 2023 até o momento superam em 51% o período de 2019 a 2022 e podem alcançar uma expansão de até 120% até o final de 2026.
Além disso, 1 milhão de moradias foram quitadas pelo Governo do Brasil para beneficiários do BPC e do Bolsa Família, além da redução do número de parcelas, de 120 para 60.
Retomado pelo Governo do Brasil em fevereiro de 2023, o Minha Casa, Minha Vida alcançou resultados históricos. Com um ano de antecedência, a meta de 2 milhões de contratações foi atingida. O programa tornou-se o preferido dos brasileiros, com aprovação de 90%, segundo pesquisa Genial/Quaest. A nova meta é encerrar 2026 com 3 milhões de moradias contratadas.
“Vai ter muito mais casa neste país. Eu sonho que um dia a gente não tenha nenhum brasileiro ou brasileira sem sua casa para morar. Quando a gente conseguir isso, eu posso morrer tranquilo, porque sei que cumprimos a nossa missão de vida”, afirmou Lula ao fim da cerimônia.
Caminho acessível
Para o especialista de mercado imobiliário e diretor da A&F Pop Imobiliária, Anderson Ferreira, as mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida realizadas este mês pelo Governo Federal surgem como um respiro para a classe média e as menos favorecidas
Ferreira avalia que ao reajustar todas as faixas do programa habitacional, as medidas chegam para tapar o gargalo dos juros elevados, crédito limitado e a defasagem da renda que não acompanha o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Para o especialista, as medidas vêm para enquadrar uma parcela de brasileiros que estava excluída de opções viáveis de financiamentos e consórcios residenciais de volta ao mercado imobiliário e ao ‘sonho da casa própria’.
“Os preços dos imóveis não escalam de maneira isolada, mas refletem uma série de fatores socioeconômicos. O crescimento da inflação de construção, medido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), combinado com o aumento do valor dos terrenos e da mão de obra, pressiona o mercado para cima. Ao mesmo tempo, a renda da população não tem acompanhado esses aumentos, criando um descompasso entre o preço dos imóveis e a capacidade de pagamento das famílias. O drama vivido por muitas famílias, a partir deste déficit habitacional, no entanto, vem cada vez mais sendo sanado diante de financiamentos mais baratos, conquistados através de programas como o MCMV”, explica Anderson.
Com as mudanças, Anderson sinaliza que novos segmentos populacionais estão sendo efetivamente incluídos na economia formal, e não exclusivamente a classe média. Para alcançar esse objetivo, o programa “Minha Casa, Minha Vida” propôs o aumento das seguintes faixas: a faixa 1 passa de R$ 2,85 mil para R$ 3,2 mil; a faixa 2 de R$ 4,7 mil para R$ 5 mil; a faixa 3 de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil; e a faixa destinada à classe média sobe de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

