Gira em torno de 52 milhões de brasileiros, de todas as classes, cores e tribos, que hoje fazem uso dos trabalhos de atendimento médico de algumas das 698 operadoras de planos de saúde, instaladas nas quatro regiões do País. Para muitos este contingente desfruta de privilégios, uma vez que sabidamente custear e manter em dia as mensalidades dos planos exige gastos elevados.
Parcela da sociedade, em constante processo de queixa, considera desproporcional as mensalidades cobradas por determinadas prestadoras de serviço, em relação ao que é oferecido. Aproveitando a citação de proporcionalidade, vale ressaltar aqui a diferença, em valores absolutos, entre o número de pessoas privilegiadas com as benécies de um plano de saúde (qualquer plano) e aquelas que dependem apenas da assistência do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), até o final do ano de 2025, cerca de 213 milhões de brasileiros não conseguiram incluir os planos de saúde em seus orçamentos familiares. Universo este bem próximo dos 76%, o que, numa linguagem de fácil entendimento, nos coloca na irônica definição, de que temos dois tipos de sociedade: aquela que tem um plano de saúde, e a outra que não tem.
Entender o nível de dificuldades que caberá ao dia a dia de cada um dos grupos, em relação aos cuidados com a saúde, não chega a ser muito difícil. Dados oficiais, próximos da realidade, atestam que devido aos valores elevados necessários à manutenção de um plano de saúde ativo, cerca de 60% de antigos usuários cancelaram seus planos, e estão hoje em total dependência da utilização do atendimento médico oferecido pelo SUS, ou clínicas particulares em casos eventuais.
O atendimento odontológico, também em escala elevada de procura pela população, é oferecido hoje por 300 operadoras (dados oscilantes) em todo o Brasil. Lembrando que, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros que carecem de tratamento dentário eficiente no país é elevado, notadamente nas regiões Norte e Nordeste. O que significa dizer que o nível de preocupação, no setor saúde, está longe de ser confortável.
Isso reforça a tese, defendida por autoridades médicas e de outros segmentos, de que por mais que a iniciativa privada avance e busque meios para socorrer o setor, sem o dedo salvador das ações governamentais, será sempre difícil projetar situações mais tranquilas à comunidade.
Nos dias de hoje, com métodos diferentes e estruturas de atendimento às vezes similares e outras não, cinco planos de saúde praticamente fazem o chamado serviço de ponta em todo o País. Com cerca de 16 milhões de usuários cadastrados, o Hapvida Notre Dame-Intermédica lidera o mercado de atendimento , com cerca de 7 milhões dedicados apenas ao tratamento odontológico.
Das redes em operação, vale ressaltar que a Hapvida é a única a operar com a cadeia hospitalar própria, com 80 hospitais a seu dispor. A Bradesco Saúde vem logo a seguir com cerca de 3,8 milhões de usuários, com atendimento em todo o País, e em expansão. Segundo a empresa, o atendimento na Região Sudeste figura hoje entre as mais atuantes. A Amil, que atende a 3,1 milhões de usuários em todo o País, segundo fontes, trabalha visando ampliação. A Sul América, com 2,7 milhões, e a Unimed com 2 milhões registrados, fecham a lista das cinco redes mais robustas no atendimento. A todas elas, com alguma regularidade, questionamentos comuns: preços elevados na venda de planos e, não raro, limitação a atendimento a casos específicos de tratamentos ou cirurgias.
Também a todas elas, incluindo as de menor porte operacional, surge a judicialização, palavra maldita no meio e escorraçada sem rodeios. Ela acontece quando, por razões distintas, esse ou aquele plano por algum motivo rejeita, conforme regras oficiais, algum tipo de tratamento médico ou procedimento “fora do plano”. O usuário, sem medir consequências e desconhecendo regras, apela à justiça em busca de direitos por ele admitidos como irrefutáveis.
As pendengas jurídicas são longas, às vezes intermináveis. Geram prejuízos a todas as partes envolvidas, e às vezes trazem resultados que favorecem a ninguém ou a coisa alguma. Atenta a todo esse universo fantástico, que movimenta milhares de pessoas nos corredores de hospitais e até gabinetes de ministros togados, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE) coordena reuniões, promove seminários e congressos e corre atrás de medidas que venham em socorro, principalmente, do usuário, sofredor, sempre impotente diante do gigantismo de problemas a seu redor.
Na pauta da entidade, desde sempre, a busca infinita para que se resolva de vez, ou amenize os estragos maléficos gerados pela judicialização no campo da saúde. A comunidade agradece, Brasil afora, e espera providências.
José Natal
Jornalista

