Por Luciana Leão
O Ranking do Saneamento 2026, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, confirma a permanência das desigualdades regionais no acesso aos serviços básicos no Brasil , mas também revela um cenário mais complexo no Nordeste, com contrastes claros entre déficit estrutural e avanços pontuais.
Água ainda é desafio em grandes cidades nordestinas
Embora o abastecimento de água seja o indicador mais avançado no país, o ranking mostra que grandes cidades do Nordeste ainda enfrentam problemas relevantes.
Recife, Paulista e Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, além de João Pessoa (PB), aparecem entre os 10 piores municípios no atendimento total de água, evidenciando que o acesso ao serviço básico ainda está longe da universalização em parte importante da região.
Na outra ponta, o pior desempenho nacional é de Porto Velho (RO), com apenas 30,74% de cobertura, o que dimensiona a gravidade das desigualdades no país .
Esgoto mantém distância entre regiões
Se o acesso à água já apresenta lacunas, o cenário é ainda mais crítico no esgotamento sanitário. Nos 20 piores municípios do ranking- grupo com presença relevante de cidades nordestinas – a coleta de esgoto atinge apenas 28,06%, contra 98,08% nos melhores .
O mesmo padrão se repete no tratamento, reforçando o caráter estrutural do problema.
Avanços: Teresina lidera evolução no país
Apesar dos desafios, o ranking também destaca movimentos positivos dentro da própria região. Teresina foi o município que mais avançou no Ranking de 2026, com salto de 14 posições.
O desempenho é atribuído à ampliação da cobertura de esgoto e à redução das perdas na distribuição de água, dois dos principais gargalos históricos do setor.
O levantamento também aponta avanços relevantes em outras cidades fora da região, como Guarulhos (SP), que subiu 13 posições, e Juiz de Fora (MG), com alta de 12 posições, impulsionadas pela melhora nos indicadores de abastecimento, coleta e tratamento.
Investimento e gestão explicam diferenças
Os dados reforçam que a evolução está diretamente associada à capacidade de investimento e à eficiência na gestão dos serviços. Municípios que conseguem ampliar aportes e reduzir perdas tendem a avançar de forma mais consistente no ranking.
Por outro lado, cidades com menor volume de investimento, muitas delas no Nordeste, seguem enfrentando dificuldades para acelerar a expansão da infraestrutura.
Para a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, o maior desafio segue sendo o esgoto.“O tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização no país e segue como o principal desafio a ser enfrentado.” Ela destaca, porém, que os avanços observados mostram que o caminho é viável: “A universalização é possível quando há planejamento, investimentos contínuos e boa gestão.”
Já Gesner Oliveira, da GO Associados chama atenção para a desigualdade estrutural do setor. “A melhora dos indicadores muitas vezes mascara a heterogeneidade. Municípios com bons resultados continuam avançando, enquanto outros permanecem praticamente estagnados.”
Segundo os organizadores do Ranking, a consolidação dos progressos dependerá da capacidade de transformar iniciativas pontuais em políticas contínuas, ampliando investimentos e eficiência em um cenário em que o prazo para universalização, até 2033, se aproxima rapidamente.

