É mais do que merecida torcida pelo Brasil afora toda a movimentação neste domingo a partir de Recife/Olinda em torno do filme “O Agente Secreto”, onde Wagner Moura representa um histórico da presença brasileira no OSCAR, cuja abordagem faremos a seguir depois de mergulho na história.
Todo o clima gerado e a envolver, inclusive atores e atrizes paraibanos neste domingo com agenda no Cine Bangüê para acompanhar a transmissão, via Rede Globo, da cerimônia da festa faz muito sentido. E é histórico.
Tudo, aliás, é clima contra-ponto ao nível de violência espraiada pelo mundo com horrores de guerras sem razão humanista, por isso a torcida pela inteligência cultural em torno de Kleber Mendonça faz a diferença.
Por essas e outras precisamos resgatar o que na história o cinema brasileiro já peoduziu disputando o OSCAR.
Os indicados a Melhor Filme Internacional
Esta é a categoria mais visada pelas produções nacionais. Até hoje, quatro filmes brasileiros conseguiram furar a barreira da pré-seleção e chegaram à lista final dos cinco concorrentes. Não nos esqueçamos do extraordinário filme que ano passado mexeu com os corações e mentes brasileiros: “ AINDA ESTOU AQUI” dirigido por Walter Sales com Fernanda Montenegro e Selton Mello no elenco em destaque no OSCAR.
1. O Pagador de Promessas (1963)
Foi o primeiro filme sul-americano a ser indicado ao Oscar. Dirigido por Anselmo Duarte, a obra adapta a peça de Dias Gomes. Embora não tenha levado a estatueta (perdeu para o francês “Sempre aos Domingos”), o filme detém um feito inédito até hoje: é a única produção brasileira a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Sinopse: Zé do Burro, um homem humilde, faz uma promessa em um terreiro de candomblé para salvar seu burro de estimação. Ao tentar cumprir a promessa carregando uma cruz até uma igreja católica em Salvador, é impedido pelo padre, gerando um conflito que envolve a imprensa, a igreja e o povo.
Elenco: Leonardo Villar, Glória Menezes.
2. O Quatrilho (1996)
Dirigido por Fábio Barreto, o filme marcou a retomada do cinema brasileiro no cenário internacional. A trama se passa em 1910, numa comunidade de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul.
Sinopse: Dois casais dividem a mesma casa e a vida no campo. Com o tempo, um dos maridos se apaixona pela esposa do outro, decidindo fugir juntos e deixando seus respectivos cônjuges para trás. Os dois abandonados precisam aprender a conviver e acabam reconstruindo suas vidas juntos.
Elenco: Glória Pires, Patrícia Pillar, Alexandre Paternost, Bruno Campos.
3. O Que É Isso, Companheiro? (1998)
Baseado no livro de Fernando Gabeira e dirigido por Bruno Barreto, o filme aborda um dos períodos mais tensos da ditadura militar brasileira: o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick.
Sinopse: Jovens militantes de grupos de esquerda planejam o sequestro do embaixador dos EUA para negociar a libertação de presos políticos. O filme explora os dilemas morais e a tensão psicológica entre os sequestradores e o refém.
Elenco: Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Alan Arkin.
4. Central do Brasil (1999)
Talvez a derrota mais dolorida para o público brasileiro. Dirigido por Walter Salles, o filme ganhou o Globo de Ouro e o Urso de Ouro em Berlim, chegando ao Oscar como favorito. Perdeu para o italiano “A Vida é Bela”.
Sinopse: Dora, uma ex-professora amargurada, ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua vida muda quando ela decide ajudar Josué, um menino que acabou de perder a mãe, a encontrar o pai no interior do Nordeste.
Elenco: Fernanda Montenegro, Vinícius de Oliveira, Marília Pêra.
O fenômeno “Cidade de Deus” e outras categorias
É comum a confusão, mas Cidade de Deus (2002) não foi indicado a Melhor Filme Internacional. Por uma questão de regras de elegibilidade e distribuição, o filme ficou de fora dessa categoria específica, mas fez história no ano seguinte (2004) ao receber quatro indicações nas categorias principais, um feito inédito para o Brasil.
Melhor Direção: Fernando Meirelles
Melhor Roteiro Adaptado: Bráulio Mantovani
Melhor Edição: Daniel Rezende
Melhor Fotografia: César Charlone
Sinopse: A trama acompanha o crescimento do crime organizado na Cidade de Deus, favela do Rio de Janeiro, entre o final dos anos 60 e o início dos anos 80, sob a ótica de Buscapé, um jovem que sonha em ser fotógrafo e tenta não ser absorvido pela violência local.
Fernanda Montenegro: a indicação histórica
Em 1999, Fernanda Montenegro tornou-se a primeira (e até hoje única) atriz brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Central do Brasil. Sua performance é considerada pela crítica internacional como uma das melhores da história do cinema, e a vitória de Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado) naquele ano é vista até hoje como uma das maiores injustiças da Academia.
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