Evento previsto para 19 de março deve marcar entrada do ministro na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo – SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Redação Brasil 247
247 – O PT começou a organizar um ato político para anunciar a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, em um movimento que deve recolocar o ex-prefeito da capital paulista no centro da disputa estadual de 2026. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a ideia é realizar o anúncio em uma agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, no próximo dia 19 de março.
Embora Haddad e seus aliados ainda evitem confirmar publicamente a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, as primeiras conversas sobre a estrutura política do projeto já começaram nesta semana. A definição da data do anúncio, segundo a reportagem, vem sendo tratada com discrição, enquanto o entorno do ministro atua para montar uma chapa competitiva e ampliar o arco de alianças no campo progressista.
O desenho inicial da chapa prevê a ministra do Planejamento, Simone Tebet, em uma das vagas ao Senado. Para isso, ela teria de transferir o domicílio eleitoral para São Paulo e deixar o MDB. A expectativa, de acordo com a informação publicada, é que ela se filie ao PSB, fortalecendo a composição de uma frente mais ampla em torno da candidatura de Haddad.
Nos bastidores, porém, não há consenso fechado sobre a segunda vaga ao Senado. Uma ala do PT defende o nome do ministro do Empreendedorismo, Márcio França, também filiado ao PSB. França, que já governou São Paulo, é apontado como um quadro com forte trânsito político no interior paulista e com ligação estreita ao vice-presidente Geraldo Alckmin, o que poderia ampliar o alcance eleitoral da chapa em regiões historicamente mais resistentes ao campo progressista.
Outra ala do partido, por sua vez, prefere ver a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ocupando essa segunda vaga. A divergência revela que, mais do que uma simples formalização de candidatura, o movimento em torno de Haddad envolve uma negociação ampla sobre alianças, identidade programática e equilíbrio político entre partidos e lideranças que compõem a base do governo federal.
Na terça-feira (10), Haddad reconheceu a complexidade do cenário paulista, mas evitou cravar sua entrada oficial na disputa. Ao comentar a conjuntura, afirmou que São Paulo “é sempre desafiador para o campo progressista”. A declaração reforça a leitura de que o ministro tem plena consciência das dificuldades eleitorais no estado, mas também sugere disposição para enfrentar uma disputa que o PT considera estratégica.
Ao ser questionado por jornalistas sobre a eventual candidatura contra o governador Tarcísio de Freitas, Haddad preferiu enfatizar o conteúdo político do debate. “O importante, em primeiro lugar, é qualificar a debate. É, por meio do contraditório, elevar o nível de debate, o nível das propostas e não deixar ninguém na zona de conforto”, respondeu.
A fala foi interpretada como um sinal claro de que o ministro pretende construir uma campanha ancorada em propostas e na confrontação programática com o atual governo paulista. Ao mesmo tempo, Haddad indicou que a definição da chapa ainda depende de entendimentos mais amplos com figuras centrais da coalizão governista.

