Por José Natal*
No próximo dia 24 deste mês de março, em Brasília, o talento de alguns cineastas e de um astro de primeira grandeza do nosso futebol começam a mostrar aos brasileiros, e ao mundo, o resultado de um trabalho longo e primorosamente bem feito, que vale a pena ser visto e admirado.
Será a pré-estréia do documentário “Zico, o Samurai de Quintino”, produzido pela Downtown Filmes e dirigido pelo cineasta João Wainer. Relata, com precisão e cuidado, a trajetória vitoriosa de Zico, um raio-x com cenas explícitas de dedicação profissional e zelo pela ética junto a comunidade, e no tratamento aos pares e adversários.
O documentário começará a ser exibido em outras 400 salas de cinema em todo o país, a partir do dia 30 de abril. Com habilidade profissional, a produção durante meses de trabalho, percorreu todo o universo ocupado pelo craque, desde o seu cenário preferido, o estádio de futebol, até os ambientes sociais, onde sempre se revelou gentil e habilidoso no trato com terceiros.
Também, quando convocado pelo poder público a serviço da Secretaria de Esportes do Governo Fernando Collor, teve desempenho eficiente e mérito reconhecido, com louvor.
A trajetória de Zico dentro das quatro linhas encantou platéias, levando ao delírio milhões de admiradores. Exímio cobrador de faltas, driblador versátil e com rara habiidade na movimentação no campo de jogo, Zico, sempre dedicado a treinamentos e obediente a táticas em benefício do coletivo, foi um artilheiro combativo, eterno carrasco de defensores qualificados.
Na vida pessoal, dedicado a família e com vocação conciliadora, no campo e fora dele, soube se impor como craque e cidadão, arrebanhando para seu convívio, pessoas comuns, autoridades e lideranças de grupos sociais, sem restrições ou exigências.
No documentário, criterioso e fiel as atitudes do jogador quando ainda em atividade, fica evidente também a sua facilidade em se relacionar com colegas de profissão, pessoas que até os dias de hoje fazem parte de seu seu convívio social.
Entre eles Júnior, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira e Ronaldo Fenômeno, que com orgulho citam as virtudes de Zico, em depoimentos emocionados.
Ao investir na produção do documentário, o Sicoob evidencia a importância do resgate a figura de ídolos que bem representam o País, dentro e fora das competições. Ponto a ser ressaltado no documentário.
No país do futebol, poucos são aqueles que ao deixar a carreira, seja por qualquer motivo, podem com tranquilidade, paz, saúde e harmonia, seguir em frente contornando obstáculos, preservando princípios e ainda, de alguma forma,
se manter no topo da preferência de um seguimento, muitas vezes preconceituoso, e não raro, hostil.
Esse pais é o Brasil, onde nos dias de hoje, segundo a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), tem torno de 722 clubes em variadas categorias, disputam competições profissionais, reunindo em campos de futebol 90 mil jogadores em média.
Arthur Antunes Coimbra, nascido em 3 de março de 1953 (73 anos), que a história, amigos e parentes transformaram em Zico, até fevereiro de 1990, como atleta profissional, jogou pelo Clube de Regatas Flamengo – 732 jogos, marcando pelo clube 508 gols, e conquistou vários títulos. Atuando pelo clube Italiano da Udinese, em 79 partidas, marcou 57 gols e por lá foi aclamado como herói.
De 1991 a 1994, no Japão, brilhou com a camisa do Kashima Antlers, defendo o clube japonês em 75 jogos, assinalando 56 gols, número expressivo para o futebol japonês, na época ainda se estruturando.
Nos quase 80 jogos que vestiu a camisa da Seleção Brasileira, o craque de Quintino marcou 66 gols, saldo mais do que positivo. Mesmo que haja nos registros oficiais, uma ou outra confrontação equivocada sobre o saldo alcançado, a máquina Zico de fazer gols está seguramente entre as mais eficientes até hoje registrada na história do futebol brasileiro e mundial.
Ao lincar o nome de Zico aos Samurais, membros da elite guerreira do Japão ainda Feudal (Séculos XII e XIX), treinados e defensores da honra, disciplina e lealdade, a produção do documentário também sinaliza coerência e
homenagem ao legado histórico do filho de Quintino.

