Por Joacir Rufino de Aquino e Raimundo Inácio da Silva Filho*
O umbuzeiro, ou imbuzeiro (Spondias Tuberosa Arruda), é uma frutífera que faz parte da biodiversidade da flora brasileira, tendo uma particularidade geográfica importante. Denominada por Euclides da Cunha de “árvore sagrada do sertão”, o umbuzeiro, além de armazenar água em suas raízes, possui diversas propriedades nutricionais (calorias, cálcio, fósforo, vitaminas etc.).
Atualmente, explorado ainda de forma extrativista, seus frutos são comercializados de forma in natura ou processados dando origem a vários produtos, como doces, geleias, sucos e outras bebidas. Isso significa que a preservação e ampliação do cultivo do umbuzeiro tem grande potencial socioeconômico, que ser seja pelas áreas onde se localiza, quer seja pela população envolvida.
Segundo a edição mais recente da pesquisa do IBGE intitulada Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), a extração do fruto do umbuzeiro no Brasil, o umbu, que havia caído para pouco mais de 7.500 toneladas durante a Grande Seca (2012-2017), vem se recuperando e atingiu em 2024 o maior patamar desde os anos 2000, somando 15.548 toneladas de frutos e um valor da produção estimado em R$ 25,4 milhões.
É importante registrar que a produção de umbu, o qual é colhido de uma árvore frutífera endêmica do bioma caatinga que caracteriza o Semiárido brasileiro, se desenvolve exclusivamente nos estados nordestinos e no norte mineiro.
De fato, os dados da PEVS mostram que em 473 municípios localizados nesses estados foi contabilizada a produção extrativa de pelo menos 1 tonelada de umbu, em 2024. No agregado, a Bahia é o maior produtor nacional de umbu, com 5.831 toneladas, seguida de perto pelo semiárido de Minas Gerais (5.655 ton.). Logo depois, vem a Paraíba (2.302 ton.), o Rio Grande do Norte (692 ton.), Pernambuco (623 ton.), Alagoas (309 ton.), Piauí (108 ton.) e Ceará (27 ton.).

Quanto ao tipo de produtor de umbu, por sua vez, a presença majoritária é de agricultores e de mulheres agricultoras familiares. Embora não existam estatísticas recentes, informações do Censo Agropecuário 2017 dão conta de que a agricultura familiar representa 80,4% dos estabelecimentos rurais dedicados a coleta do umbu no Semiárido, sendo responsáveis por 81,8% dos frutos produzidos nas comunidades rurais e assentamentos de reforma agrária situados nessa porção do território nacional.
Percebe-se, diante do exposto, que o umbuzeiro já desempenha historicamente um papel muito significativo na socioeconomia do Semiárido brasileiro. Todavia, com avanço de novas atividades produtivas no campo e do crescente desmatamento, a preservação da espécie está ameaçada e as famílias dedicadas ao extrativismo ainda enfrentam grandes dificuldades para comercializar por um preço justo e agregar valor aos seus produtos.
Objetivando discutir essas e outras questões estratégicas para o fortalecimento da cadeia produtiva do umbu, será realizado nos dias 11, 12 e 13 do corrente mês o II Simpósio Nordestino do Umbu-Cajá e a I Feira Nacional das Spondias.
O evento acontecerá nas dependências do Campus Avançado de Assú, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). A expectativa dos organizadores e atores envolvidos é que os debates realizados possam contribuir para o desenvolvimento sustentável da atividade e para valorização das potencialidades da bioeconomia da Caatinga e do Semiárido, cujo umbuzeiro deve ser considerado como um dos principais protagonistas.

